Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

73ª Sessão Ordinária - 03/07/2012

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente, quero, com muita honra, registrar a presença dos vereadores Roni da Silva, do PMDB, Sandro Xavier, do PSB, do empresário Cris e do agricultor Demétrio, que é presidente da associação dos agricultores da região, que vieram prestigiar esta Casa.

Muito obrigado, sr. presidente!

O SR. PRESIDENTE (Deputado Gelson Merisio) - Muito obrigado, deputado Manoel Mota.

Tem a palavra, por até dez minutos, o sr. deputado Daniel Tozzo.

O SR. DEPUTADO DANIEL TOZZO - Sr. presidente, cumprimento v.exa., os colegas deputados e deputadas, os amigos aqui presentes e todos os que estão-nos ouvindo e assistindo.

Vimos à tribuna hoje para falar sobre o grande oeste de Santa Catarina, pois nos dias que estivemos afastados das sessões percorremos muito a região e percebemos um desânimo muito grande em função de obras inacabadas, sejam do governo federal ou estadual, mas também em virtude da situação climática.

Na sessão plenária da manhã de hoje ouvi o deputado Serafim Venzon e outros comentarem muito sobre o problema da suinocultura. É verdade, deputado, a seca causou estragos na suinocultura, mas também na avicultura e na produção de leite e de grãos. E no nosso oeste, que é, sim, muito produtivo, quando a crise chega ao campo, à roça, à lavoura, a cidade também começa a entrar em crise, porque o comércio não fatura adequadamente.

Outra questão que está prejudicando sobremaneira a nossa região é o fechamento do aeroporto de Chapecó, que é fundamental para o desenvolvimento da economia daquela região.

Então, vejam só: a seca gerou a crise, que levou à diminuição da produção; o aeroporto está fechado; as obras de duplicação da BR-282, principalmente o trecho de Xanxerê, há mais de um ano estão paradas, deputado Romildo Titon.

Aí o deputado vem, ocupa a tribuna, fala, reivindica, conversa com as pessoas ligadas à esfera federal, mas as coisas não acontecem. A comunidade, então, que não suporta mais, vai às ruas, manifesta-se e para o trânsito.

Recebi, em meu escritório no oeste, a visita de professores da faculdade de Palmitos: Maria Luiza, Eleci, Manuel, Sidnei e Jaci, que foram falar sobre a SC-283, principalmente o trecho de Chapecó a São Carlos, que está crítico e que é muito utilizado pela comunidade escolar. O contorno viário leste, que liga Chapecó a Cordilheira Alta e tira o trânsito pesado da cidade, também parado há muitos anos.

Esse nosso discurso está-se tornando repetitivo, mas as coisas não estão evoluindo. O êxodo rural está intenso e não se vê mais jovens que queiram permanecer no campo e produzir.

Nós, quando ocupamos esta tribuna ou em qualquer outro meio de comunicação, temos que ser a voz do povo e falar dessas coisas negativas. Qual é o futuro da suinocultura, que foi responsável por tantas e tantas obras neste estado? Se estamos mostrando para todo o estado, para o Brasil e para o mundo que temos prejuízo nessa área, quem vai querer, no futuro, investir nesse ramo?

Eu sou suinocultor também e meu pai já me dizia para abandonar a atividade, porque ele nunca havia ganhado dinheiro com esse negócio. Mas eu continuo insistindo, sou um pequeno suinocultor e de fato nunca obtive lucro. Então, que discurso poderei usar para motivar o jovem investidor do oeste de Santa Catarina?

As agroindústrias estão pensando em ir para o Mato Grosso porque lá há milho barato. Enquanto isso, nossos governantes estão falando em trazer o milho, via estrada de ferro, do centro-oeste para o nosso estado e baratear o custo da ração.

Pois bem! A velocidade da iniciativa privada, eu já disse e repito, é muito maior do que a velocidade do governo. Mas não gostaria de ser tão pessimista, porque não é esse o meu estilo de trabalho e não é isso que o povo de Santa Catarina merece. Apesar de todos esses problemas, temos que ser otimistas, temos que fazer a nossa parte para resolver as situações.

Eu entendi que chegamos ao fundo do poço, não há mais como descer, deputado Plínio de Castro! Chegamos ao fundo do poço, deputado Nilso Berlanda! Temos que começar a sair. Tomei a liberdade de buscar algumas informações de bons projetos e preocupado com o jovem no campo, fui visitar o Centro de Educação Profissional Getúlio Vargas, que fica em São Miguel d'Oeste. Conversei com os professores Roque e Lotário, com diversos alunos e vi que, apesar de toda essa crise, 260 alunos estão estudando naquela escola porque querem permanecer no campo e produzir. Muitos daqueles que lá estudam serão agricultores, outros serão deputados e secretários de estado, quem sabe, outros ainda serão professores e levarão conhecimento ao meio rural para modificar esse cenário atual, seja produzindo com custo mais barato, seja criando novos produtos. Portanto, precisamos acelerar o conhecimento no meio rural!

É fato que em meio a essas discussões temos realizado audiências públicas para levantar meios de minorar os efeitos da crise provocada pela estiagem e que estão dando resultado. As obras previstas no Orçamento, incluída aí a SC-283 e tantas outras, têm que acontecer. O povo do oeste não pode mais esperar!

Falamos de prevenção à seca. A escola agrícola que visitei e que tem 260 alunos de 35 municípios não possui cisternas adequadas. Entendemos que a cisterna é a melhor solução para o armazenamento de água da chuva, porque a água está em cima e não somente embaixo. Achamos que o poço artesiano não é a melhor solução. Assim, aquela escola tem que receber investimentos para a construção de boas cisternas, até para servir de exemplo para as propriedades rurais.

Quero dizer ainda que o aeroporto de Chapecó está sendo vistoriado. Por isso, esperamos que o governo federal seja veloz na inspeção, a fim de que ele volte a funcionar nos próximos dias, facilitando os grandes negócios em Chapecó, pois uma viagem de carro até aquele município é difícil para os empresários de São Paulo que precisam lá estar.

Para encerrar, vamos falar de otimismo, pois é disso que precisamos, ou seja, colocar velocidade, acreditar e ser exemplo porque vamos sair do fundo do poço.

Um grande abraço e muito obrigado.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)