Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

56ª Sessão Ordinária - 23/05/2012

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, público que nos acompanha pela TVAL e também pela Rádio Alesc Digital, estudantes que hoje estão neste Parlamento acompanhando esta sessão ordinária, quero dizer-lhes que se não tivessem vindo não teriam resolvido p problema de vocês tão rapidamente.

Deputado Reno Caramori, não vou aprovar a sua moção porque o líder do governo acabou de anunciar desta tribuna que o problema está resolvido. Espero realmente que esteja resolvido, porque as aulas do cursinho pré-vestibular deveriam ter começado no mês de abril e até o momento nada aconteceu.

O assunto que irei abordar desta tribuna, deputado Gilmar Knaesel, como mãe, como mulher, como parlamentar, não é fácil, porque mexe com a nossa sensibilidade, com as nossas emoções, com o que é mais sagrado para nós, que é o nosso corpo.

Então, fico muito preocupada com aquilo que vou falar, com aquilo que vou relatar, mas é um problema que estamos vivendo diariamente em nosso estado e em nosso país.

Há temas que escolhemos debater desta tribuna que não são agradáveis, que não são fáceis, mas é necessário enfrentá-los neste Parlamento, porque somos responsáveis por procurar resolver toda e qualquer mazela social, mesmo as mais delicadas e complexas, até porque não podemos fugir de um assunto que aflige milhares de crianças e adolescentes.

O tema é urgente, o tema é sofrido, o tema exige que façamos o nosso dever de casa e estejamos atentos como cidadãos, pois essa problemática pode estar ocorrendo na nossa família, na família dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, na nossa cidade, em nosso estado, em nosso país.

Falo do abuso sexual infanto-juvenil. O último dia 18 de maio foi intitulado como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil, a fim de que toda a nação refletisse sobre esse gravíssimo problema social.

Confesso, srs. parlamentares e público catarinense, que no domingo assisti estarrecida a um depoimento de uma personalidade conhecida de todos nós. Confesso que ela não me agrada como artista, mas não pude deixar de ficar sensibilizada com o depoimento dessa mulher que teve a coragem de ir a uma rede nacional de televisão abrir o seu coração. De repente, ela teve coragem de expor a sua intimidade, o seu problema para ajudar seus semelhantes e também abrir olhos das autoridades, de todos os homens e mulheres deste país.

Falo de Xuxa Meneguel. Não costumo assistir a esse programa nos domingos, mas estava em minha casa, srs. parlamentares, com a minha filha menor, de 10 anos, que adotei recentemente, e com o meu filho de 18 anos. Todos ficamos estarrecidos. Por quê? Porque se trata de uma personalidade? Não. Porque uma mulher teve a coragem de ir para a televisão e dizer que isso aconteceu com ela e que isso acontece no dia a dia de muitas famílias. Xuxa, dos oito aos 13 anos, foi abusada sexualmente e não teve coragem de contar para a mãe, porque era uma criança e a criança se sente suja, a criança sente medo, a criança se sente culpada.

Como a Xuxa, várias mulheres - e não acontece somente com mulheres, acontece também com homens - sofreram abuso sexual na infância, em decorrência do comportamento violento, do comportamento desajustado de algumas pessoas que muitas vezes também foram abusadas quando crianças.

Tenho que elogiar a coragem dessa mulher, mas em algumas redes sociais ela sendo grotescamente tratada. Outra violência contra a mulher! Por quê?

Por que isso? Por causa do seu comportamento? Mas é preciso ter muita coragem para, num determinado momento da vida, depois de quase 40 anos de silêncio, expor em público uma situação de abuso. De repente, o sorriso que ela estampa no rosto é um sorriso artificial, porque somente agora teve coragem de revelar um problema que carregou a vida inteira.

Solicito à assessoria que proceda à apresentação do vídeo, para que, aqueles que não tiveram oportunidade de assistir, possam refletir.

(Procede-se à apresentação do vídeo.)

Deputado Darci de Matos, a partir do momento em que ela começou a relatar que não havia sido uma vez, mas várias vezes abusada sexualmente, deputada Angela Albino, a expressão do seu rosto mudou e ela desmoronou de tanto sofrimento. Não me digam que não há sofrimento porque há! É uma dor que não acaba nunca, é algo que não se esquece jamais!

Por isso, o dia 18 de maio é o Dia de Combate à Violência Sexual Infanto-Juvenil, para lembrarmos os governos que mais ações são necessárias.

Deputada Angela Albino, que será eleita prefeita desta cidade, tome conta das nossas crianças e dos nossos adolescentes! Protegendo a infância, vamos ter uma sociedade diferente, uma sociedade mais fraterna.

Andando por este estado, debatendo a questão da adoção e o que vimos nos abrigos de todas as cidades, chegamos à triste conclusão de que a maioria das crianças está abrigada, retirada do convívio familiar por causa da exploração e do abuso sexual infanto-juvenil.

Então, precisamos todos estar mais alertas, mais presentes e sempre procurar aprovar leis que protejam a infância e a juventude de Santa Catarina.

Era isso, sr. presidente.

Muito obrigada!

(REVISÃO DA ORADORA)