37ª Sessão Ordinária - 19/04/2012
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Sr. presidente e srs. deputados, na audiência pública do SC Saúde fiz um comentário a respeito da Topmed, uma empresa que fazia um programa de prevenção no estado. Ela não é a empresa que ganhou o pregão eletrônico do estado, um verdadeiro pregão para os servidores públicos. Abriram o edital em um dia e oito dias depois já estavam fazendo. Só que fizeram pelo teto máximo.
Isso só acontece em Santa Catarina, principalmente com essa secretaria da Administração que vem para a Assembleia tentar nos enrolar. E a empresa que foi contratada, montada de última hora, uma verdadeira farsa de licitação pública...
Na próxima semana esclarecerei tudo isso. Mas continuo dizendo que o SC Saúde implantado neste estado é um verdadeiro caos e um atestado de incompetência pública da secretaria e dos gestores contratados.
O que quero abordar aqui, deputado Sargento Amauri Soares, é a segurança pública.
Ontem, saí da Assembleia perto das 20h. Estava com lombalgia e fui a um colega médico fazer uma sessão de acupuntura. Saímos de lá por volta das 21h e fomos fazer um lanche perto do Shopping Iguatemi. Estacionei o carro exatamente em frente à Boutique da Carne, e ficamos em torno de meia hora nesse lanche. Era um lugar extremamente iluminado e público. Quando voltei o carro havia sido assaltado. Levaram a minha bolsa que estava no banco traseiro, talões de cheque, cartão de crédito, iPad; quanto ao dinheiro, espero que o ladrão faça bom uso. Havia cinco pen drives com material do meu trabalho da Alesc e também da viagem dos BRICs, à qual acompanhamos a presidente Dilma Rousseff.
O ladrão, que é meu amigo, pois sei que o cara é boa gente, estava com um Stilo preto. Fui à delegacia fazer o Boletim de Ocorrência, onde encontrei mais três pessoas que também haviam sido assaltadas no mesmo lugar. A Polícia sabia quem era o ladrão: filho de um cidadão bem de vida, que mora numa mansão. Ele não entende por que o filho faz esses assaltos.
Eles entraram no estacionamento do BIG, no Iguatemi, e roubaram tudo isso, em menos de 15 minutos furtaram de quatro carros.
Numa das câmeras que há na Boutique das Carnes... Fui ver, e o cara disse que era um Stilo preto, porque tinha um e aparecia somente a frente. O ladrão conseguiu assaltar o carro e levar a bolsa em menos de 20 segundos. Ele quebrou o vidro lateral. O cara é bom. E a Polícia sabe quem é, e o cara anda para lá e para cá. Coincidentemente, já era quase 1h, ligaram-me, porque acharam parte dos meus documentos em São José.
Quero dizer para o ladrão, que é meu amigo, que darei dois iPad para ele, se me devolver o que levou, porque aquele a Assembleia me forneceu para trabalhar e o seu conteúdo de nada servirá para ele. Eu tinha quatro pen drives com materiais do meu trabalho. E dou a ele oito iguais para fazer o que quiser.
Um cara que é nosso amigo, o do Stilo, sei que é um cara de estilo, para estar assaltando desse jeito, se puder nos devolver o pen drive, agradeço. Quanto ao dinheiro que tinha, ele pode ficar, e os talões de cheques já cancelei.
Na Polícia me disseram que toda semana acontece isso naquela região. E fui à Central da Polícia Civil, exatamente ao lado do shopping, mas não pude fazer o Boletim de Ocorrência; então, tive que ir ao lado do presídio, mas fui muito bem atendido pelos rapazes.
O que me deixou mais irritado não foi nem o assalto, porque isso eu resolvi, deputado Neodi Saretta. Acontece que sempre elogio a Caixa Econômica Federal, mas quando resolvi cancelar os meus talões de cheques pelo telefone, fiquei 45 minutos ao telefone. Mandaram-me para tudo quanto era terminal e caí num callcenter da mãe do outro; mandaram-me para um terminal eletrônico, perguntaram-me o número dos talões, mas como vou saber, se me roubaram? Quem grava número de talão de cheque?
Quero dizer ao nosso companheiro Roberto Carlos Cerato que está indo para Brasília que é uma verdadeira vergonha o processo de cancelamento no caso de um assalto. Aí nem liguei para o Banco do Brasil, porque depois de me passarem para lá e para cá, liguei e disse: "Meu amigo, roubaram-me, assaltaram-me e preciso... "Então, vou resolver." Aí me mandaram... E fui, e põe musiquinha, e passa para outra música. Só faltaram colocar o Hino Nacional. E não consegui cancelar. Então, peguei o telefone da Polícia Civil. E não consegui. Imaginem quando estamos fora.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não, deputado Sargento Amauri Soares.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Deputado Jailson Lima, quero me solidarizar com v.exa. e fazer duas observações - primeiro, infelizmente não vai dar para fazer essa troca com o rapaz que roubou os seus equipamentos, os computadores, porque geralmente os ladrões não assistem à TVAL, principalmente de manhã, quando eles estão dormindo, pois trabalharam a noite inteira. Estão dormindo a esta hora, então, não estão acompanhando, a não ser que alguém leve uma gravação deste pronunciamento. Em segundo lugar, essa questão que o senhor falou que todos sabem, que os policiais sabem quem é o ladrão, é verdade.
Essa é uma das questões lamentáveis na segurança pública: em toda comunidade todo mundo sabe quem é o ladrão e quem é o traficante - o policial, o dono da padaria, o padre, a vovozinha, a professora. Todo mundo sabe quem é o ladrão, quem é o traficante em cada comunidade, mas a própria legislação dificulta o trabalho da Polícia, porque se não for em flagrante, nada a ser feito. Essa é uma das questões que precisam ser refletidas por nós, parlamentares, não precisamente aqui, mas também parlamentares federais.
São dificuldades e ridículos que os profissionais de segurança pública passam, porque a partir do momento em que o policial diz que sabem quem é, pensamos, então, por que ele não vai lá prendê-lo. Porque quando ele chegar lá, ele não estará mais lá. E no dia em que encontrá-lo não será mais flagrante.
Então, essas são as dificuldades da segurança pública.
Minha solidariedade a v.exa.
O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não!
O Sr. Deputado Manoel Mota - Eminente deputado Jailson Lima, na semana passada, quarta-feira à noite, um cidadão alocou um automóvel e foi assaltado em Florianópolis, tiraram-lhe o automóvel, e ele foi correndo denunciar. Aí o que aconteceu? Eles fizeram cinco assaltos, à noite, com o carro roubado. Todos fizeram a denúncia. Na outra noite fizeram mais dois assaltos, mas nem o carro nem os ladrões a Polícia conseguiu pegar.
Então, o negócio está muito complicado, está muito complicado. E fiz esse registro no plenário para dizer das dificuldades que estamos também vivendo neste momento.
Acho que tem que ter uma ação muito forte para modificar, do contrário não teremos mais nenhuma segurança para andar em nossa cidade ou em qualquer cidade de Santa Catarina.
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Obrigado, deputado Manoel Mota.
Vou fazer aqui uma moção da minha indignação não em relação ao ladrão, pois tendo saúde quanto ao resto nos viramos, mas à Caixa Econômica nesse procedimento de cancelamento de um talão de cheques, no caso de assalto. Mesmo que ele esteja dormindo, mas não é qualquer um que rouba com estilo, não é? Também porque a Polícia sabia que era um Stilo preto.
Provavelmente alguém conheça...
Espero que, como o ladrão vai verificar que não vai ter o que fazer com o pen drive... As redes sociais, quem sabe, podem divulgar. Quero desejar saúde ao ladrão e ele, com bom estilo, através dos Correios, quem sabe possa mandar os pen drives a cobrar para a Assembleia, porque ele viu os documentos, jogou fora... E ele que se cuide, porque daqui a pouco...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)