109ª Sessão Ordinária - 30/11/2011
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Boa-tarde a todos, mais uma vez.
Assomo à tribuna, neste momento, em nome da nossa bancada, com um profundo sentimento de perda de dois ex-companheiros ocorrido nos últimos dois dias ou na última segunda-feira.
O companheiro Egídio Bruneto, catarinense atuante, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no estado do Mato Grosso do Sul, teve sua vida ceifada em um acidente de carro. Ele passou por Xanxerê, onde se criou e muito cedo já não se contentava com as injustiças, com a má distribuição da terra no Brasil. Foi para a luta e acabou falecendo em um acidente, na última segunda-feira, quando estava atuando no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
O segundo companheiro morreu e causou a todos uma grande revolta, porque descobrimos que foi morto da forma mais cruel possível, que é o vereador Marcelino Chiarello, do PT de Chapecó.
Neste momento, temos aqui presente um grande grupo de trabalhadores e trabalhadoras da segurança pública. Se há alguém aqui de Chapecó, essa pessoa sabe o que fez e o que estava fazendo o nosso vereador Marcelino Chiarello. Ele também atuava muito na área da segurança pública, nos conselhos de segurança pública dos bairros.
Na época em que estive na presidência da comissão de Segurança Pública desta Casa, em 2008, tínhamos muitos compromissos juntos, muitas ações juntas. Mas o companheiro foi morto, então, na última segunda-feira, de forma bárbara, de forma cruel, em plena manhã de sol, por volta das 10h.
Marcelino Chiarello teve uma luta extraordinária em todos os movimentos e ontem, na despedida, todas as entidades dos trabalhadores do estado, do oeste de Chapecó, fizeram sua homenagem ao esse vereador que atuou nas lutas da Agricultura Familiar, na luta do Magistério estadual como educador, na greve do Magistério, no início deste ano, na luta pela terra, na luta dos atingidos pela barragem, dos motoristas de ônibus de Chapecó, na luta pela justiça, pelo desvio de dinheiro público, fazendo denúncias, mas, infelizmente, tiraram a vida de um companheiro de 44 anos, no despertar da sua caminhada como vereador no município de Chapecó, cumprindo o seu segundo mandato.
O que a sociedade, ontem, nesses dois dias, de segunda até ontem, via era um profundo processo de revolta, porque no início se tentou passar a imagem de que o vereador tinha se matado, enforcado. E tentaram fazer isso também, porque primeiro mataram-no e depois o enforcaram na janela do quarto, dentro de sua casa.
Ele, possivelmente, recebeu uma ligação em seu celular na sala de aula - era professor e estava dando aula -, para ir para casa, porque seu filho de dez anos estava em risco. E o companheiro foi para casa buscar sua morte.
Esperamos que de fato seja feita justiça. E pelos indícios, pelas ameaças que o companheiro recebeu nos últimos dias, inclusive manifestou vontade de renunciar ao mandato porque não aguentava mais as pressões, externando isso para vários companheiros. Até parecia que achava que estava chegando a sua hora. Portanto, não temos dúvida de que foi um crime político e assim tem que ser tratado.
Fico muito preocupado com essa situação, meus colegas parlamentares, sociedade catarinense que nos acompanha, policiais, trabalhadores da segurança pública que estão aqui, porque se não conseguirmos desvendar essa situação, qualquer um de nós que for denunciar uma barbaridade, um desvio de dinheiro público, poderá ser massacrado, destruído como Marcelino foi.
Precisamos punir exemplarmente essa situação, porque o estado de Santa Catarina não pode voltar ao período da ditadura militar. Essa é uma afronta ao estado de direito, é uma afronta à democracia, na qual as pessoas divergem, as pessoas têm direito de divergir, de colocar seu ponto de vista e o direito, acima de tudo, de fiscalizar a boa aplicação do dinheiro público.
Então esperamos, em nome da nossa bancada, deputado Neodi Saretta e deputada Ana Paula Lima, que os demais deputados, logo após, na Ordem do Dia, assinem uma indicação pedindo a apuração séria desse fato e que possam os responsáveis ser punidos e não somente quem fez o serviço, porque da forma que foi feito, se foi de fato crime político como está demonstrado, tem também que ser punido quem mandou fazer.
Não podemos mais conviver neste país, neste estado e na bela e querida cidade de Chapecó que tem um povo que trabalha, que luta, um povo sério, honesto, com esse tipo de pessoas que não admitem diferenças, que não admitem democracia.
Então, sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, esta Casa precisa tomar uma posição firme, e esperamos que o governador Raimundo Colombo coloque todo o seu aparato judicial de segurança pública em Santa Catarina para esclarecer essa morte cruel, de um pai de família, de um educador, de uma pessoa de bem. E não admitimos essas insinuações que estão sendo feitas por aí de outras questões, de problemas pessoais, porque Marcelino foi uma pessoa muito respeitada, muito íntegra da cidade de Chapecó e do nosso estado.
Por isso estou trazendo, neste momento, essa fala de sentimento pela perda desse grande companheiro que eu conhecia muito bem, mas, principalmente, pela forma como tudo aconteceu, da pressão, do inferno que esse companheiro viveu nesses últimos dias, nessas últimas horas da sua vida.
Era isso que queríamos deixar registrado.
Muito obrigado, srs. deputados e a todos que nos acompanham.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)