Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

71ª Sessão Ordinária - 29/09/2005

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada, sr. presidente e srs. deputados, realmente às 16h estaremos, juntamente com o deputado Celestino Secco, da Escola do Legislativo, apresentando para todo o estado de Santa Catarina, através da imprensa, o projeto de resolução da criação do Parlamento Jovem, uma forma de despertar nossa juventude também para o mundo político, que é muito importante.

Sr. presidente e srs. deputados, eu não poderia deixar de registrar que o mês de setembro marca grandes perdas para a cidade de Blumenau e também para o estado de Santa Catarina. No dia 3 de setembro perdemos o jornalista Honorato Tomelin, que em 1959 e novamente no ano de 1963 cumpriu mandatos de deputado estadual nesta Casa. Honorato dizia que a política para ele era um sacerdócio e o jornalismo uma missão. Como homem da imprensa foi fundador de dois jornais na cidade de Blumenau: o jornal A Nação, Diário da Cidade, lançado em 1947 e mais tarde vendido para os Diários Associados.

Em 1949 fundou o Jornal Lume, que circulou até meados da década de 50. Foi um homem sensível, um apoiador das causas comunitárias, um político oriundo das siglas PRP e PDC, que deixa uma lacuna na história de Santa Catarina, a qual ele ajudou a escrever.

Outra perda para a cidade de Blumenau e também para o estado de Santa Catarina ocorreu no último final de semana: Carlos Jardim, diretor teatral, estava radicado na cidade desde o ano de 1968, vindo da cidade de Curitiba, no Paraná. Ele criou a escola de atores e depois a companhia teatral Vira-Lata, tornando-se referência no Vale do Itajaí até os dias atuais.

Pela alegria, pelo talento e pelo extremo carinho às crianças e adolescentes, além do respeito e a seriedade com que levava a arte regional, registro a saudade que Carlos Jardim deixa para muitos que conheceram o seu trabalho.

Também lamento a perda da sra. Francisca Cascaes, ocorrida nesta segunda feira, mãe do nosso companheiro Pedro Cascaes. Ela nos deixa uma convivência, ainda, mais triste.

Quero registrar o meu pesar pela partida dessa mulher de garra e de força, que demonstrou sempre vontade incansável, não se intimidando com as dificuldades.

Sr. presidente, o Partido dos Trabalhadores também teve uma perda irreparável nessa semana com a morte de Apolônio Carvalho, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, dono da ficha número um.

Apolônio dizia que continuava apaixonado pelo partido e que as críticas que o governo do PT está recebendo ajudam a fazer um trabalho melhor ainda. Pela sabedoria, pela experiência, pelo espírito militante, Apolônio de Carvalho vai fazer falta. Mas em honra à sua memória, em respeito ao povo brasileiro, persistiremos em busca do sonho do Partido dos Trabalhadores.

E por falar, sr. presidente, srs. deputados, no Partido dos Trabalhadores, quero falar da crise política e dos ataques sistemáticos feitos nesta Casa contra o Partido dos Trabalhadores. E passo a citar alguns trechos de um artigo do teólogo Leonardo Boff, publicado pela revista Carta Maior e reproduzido no jornal ANotícia, com o seguinte título: "Por que ficar no Partido dos Trabalhadores".

(Passa a ler)

"Tudo que é sadio pode ficar doente. E a parte sadia pode curar a parte doente. Saúde não é a ausência de danos e, sim, a força de ter danos e ainda assim crescer com eles. Essa perspectiva vale para a crise que atingiu o PT e toda a classe política, eis que a doença da corrupção é uma ocasião de melhorar a democracia e a política em todos os partidos.

Isso não desculpa os erros, mas nos leva à reflexão do porquê é importante ficar no PT. Ficar vale a pena porque, através do PT, um filho do caos social e dos movimentos sociais chegou à presidência da República, depois de séculos de exclusão. Lula tem a cara do povo e se fez depositário de suas esperanças. Por isso, ficar no PT é romper com o poder que organizou o estado em benefício das elites econômicas, sociais e intelectuais.

Ficar no PT é importante para o avanço da democracia com qualidade social, para ampliar o Bolsa-Família, o microcrédito, o crédito consignado, o apoio à agricultura familiar e outras iniciativas em benefício de milhões de pessoas;

Ficar no PT é fazer a diferença em relação à macroeconomia do governo anterior; também é aconselhável ficar no PT para continuar dando voz aos injustamente emudecidos, que assim aprendem a discutir os problemas do Brasil e também os problemas do mundo;

É aconselhável ficar no PT com fidelidade e lealdade aos milhões de simpatizantes e milhares de militantes que, apesar dos erros cometidos pelo grupo dirigente, continuam acreditando nos nossos ideais generosos;

Ficar no Partido dos Trabalhadores é alimentar a construção do povo conscientizado; e é aconselhável ficar no PT para sanar suas feridas, permitindo assim que se realize a segunda abolição, a abolição da pobreza e da miséria, com políticas mais inclusivas, de caráter mais social e ético à democracia;

É aconselhável ficar no Partido dos Trabalhadores para resistir e manter a esperança de que outro mundo é possível, no qual eu ainda acredito.

Quero ponderar ainda, sr. presidente e srs. deputados, as notícias do início da debandada do Partido dos Trabalhadores, que estampa hoje as páginas dos jornais.

A opinião que nós, os verdadeiros petistas, temos desses que fogem da raia é que usam como justificativa o fato de não ter conseguido a vitória da candidatura que apoiavam para a direção do partido.

A esses que se amparam nesse argumento a realidade é que estão somente interessados no calendário eleitoral, pois que se retiram em tempo de ingressar em outra sigla, visando unicamente as eleições de 2006, para tentar reconquistar mandatos parlamentares. São pessoas que colocam acima das convicções ideológicas os seus projetos individuais, ao mesmo tempo esvaziam a candidatura da esquerda que diziam apoiar, talvez até condenando essa candidatura à sua derrota. Esses que debandam têm em comum com a direita o objetivo claro de destruir o PT. Desistem do projeto de resgate do maior partido de esquerda do Brasil, para focar energia no ataque aos ideais que até ontem diziam ser seus. Correm da chance de demonstrar que podem se mobilizar, quantos são e quem são, para enfrentar com dignidade a disputa democrática interna. São fingidos. Diziam estar lutando na sucessão interna, enquanto na verdade acumulavam forças e organizavam-se para sair, bem atentos ao calendário de filiações.

Quero me dirigir, srs. deputados, a esses que nos viram as costas, eis que essa decisão de sair do Partido dos Trabalhadores é equivocada e lamentável. Mas saibam que o PT vai sobreviver. Nós, petistas, não estamos mortos. E não porque desacreditamos da existência da esquerda fora do PT, mas porque não é nos dividindo que vamos reunir forças para o enfrentamento da direita, do neoliberalismo e da opressão.

O PT está fortalecido. Vamo-nos reordenar, resgatar nossas raízes. Já os que saem terão sempre a marca de estar prestando um serviço à direita, justo no momento mais crucial, em que as forças tradicionais com a fúria totalitária tentaram, mas não conseguiram, não conseguirão e jamais vão conseguir derrotar o PT."

Era o que tinha a relatar, sr. presidente.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)