14ª Sessão Ordinária - 22/03/2005
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente, Srs. Deputados e telespectadores da TVAL, primeiro, quero cumprimentar os moradores de Florianópolis pela passagem, amanhã, do aniversário da cidade, evidentemente respeitando cada um e admirando esta maravilhosa Capital de Santa Catarina, que é um orgulho não só para o florianopolitano, mas também para todo catarinense. Aquele que conhece Florianópolis, certamente tem orgulho dela, porque é uma das melhores e mais belas cidades do mundo. E para se viver, acredito que seja a de melhor qualidade.
Reportando-me ainda ao dia de hoje, Dia Mundial da Água, não poderia deixar de citar também o fato de que o nosso País é privilegiado nessa questão da água e que o desperdício também é um privilégio ao qual nos damos ao luxo de fazer. E acredito que, mais cedo ou mais tarde, poderemos chorar lágrimas de sangue e de tristeza pelo desperdício que hoje fazemos.
Queremos nos referir a Joinville, onde, no dia 31 de julho, teremos o final do contrato com a Casan. Depois de longos mais de 30 anos, nós passaremos a gerir a nossa distribuição de água.
Temos o problema também do Distrito de Itoupava-Sul, onde tem um manancial de água muito grande que faz parte do Município de Joinville, sendo que a sua comunidade pretende se integrar à de Jaraguá do Sul ou de Guaramirim. Existe até um sentimento muito forte nesse sentido e há uma resistência do Município de Joinville, justamente porque lá tem um manancial muito grande de água. E isso certamente está dificultando as negociações, os entendimentos para que aquela comunidade possa fazer parte do Município de Jaraguá do Sul.
Agora, quero me referir à questão há pouco comentada aqui pelo Deputado Francisco Küster. Tivemos um vídeo exposto por parte do Deputado Francisco de Assis, e por mais que se queira entender que aquele vídeo é parcial, não podemos também deixar de entender - nem pode ser diferentemente interpretado... Eu não acredito que um cidadão de 70 anos seja um baderneiro, um agitador profissional, principalmente com o perfil daquele cidadão que vi preso.
Nós assistimos também ao depoimento da esposa de um rapaz que foi preso. Disse ela: "A polícia bateu na minha casa e eu, assustada, pois estavam todos com metralhadora, disse onde o meu marido estava. Disse a eles que ele estava na roça com o meu filho".
Eu até escutei muitos comentários de que eram agitadores e que tinham de ser presos. Agitador profissional é uma coisa, o pessoal do PT conhece muito bem e sabe o que é isso. Agora, como é que se vai colocar a pecha de agitador profissional em um cidadão que está na roça capinando com uma enxada, juntamente com o seu filho? Como é que pode um cidadão desses ser tachado de agitador profissional?!
Então, na verdade, o vídeo pode até ter mostrado, de forma explícita, uma parte do que aconteceu lá, mas, com certeza, podemos extrair dele grandes verdades e grandes injustiças também, dentre elas duas questões que eu citei aqui: um cidadão, que se vê alquebrado pelo tempo, com 70 anos de idade... E não se trata de um cidadão urbano de 70 anos, pois esse tem uma outra fisionomia, uma outra aparência física. O cidadão de 70 anos do meio rural, que é trabalhador, que luta de sol a sol, tem justamente aquela fisionomia, aquele perfil e está na cadeia.
Portanto, essas são questões que têm que ser vistas com muita profundidade e com muita seriedade. Parece-me que enquanto o Deputado Francisco de Assis se pronunciava aqui da tribuna, uma parte da sua Bancada estava com a Deputada Luci Choinacki lá na OAB tentando a liberação dessas pessoas que estão presas. E é evidente que vamos tratar deste assunto, tão logo esta sessão termine.
O Sr. Deputado Gelson Merísio - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!
O Sr. Deputado Gelson Merísio - Agradeço pela oportunidade do aparte, Deputado.
Perdoe-me interromper a sua linha de pensamento, aliás muito pertinente e correta, mas quero apenas convocar os Srs. Deputados membros da CPI para uma reunião às 17h30min. Se os Deputados quiserem, já podem ir para a sala de reuniões, pois tão logo os membros estejam presentes, nós iniciaremos a reunião. De qualquer forma, está oficialmente convocada para as 17h30min. Se puder ser antecipada, melhor!
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Ainda com relação ao comentário que eu estava fazendo, quero dizer que a imprensa nacional divulgou dias atrás a morte daquela missionária americana, e houve uma comoção quase que generalizada também em nível nacional.
Recebi, através de e-mail, uma mensagem com o seguinte teor:
(Passa a ler)
"Alguém tem uma resposta?
Perguntas que precisam de respostas:
O que fazia uma freira religiosa no meio da floresta amazônica?
Qual a tribo indígena que ela estava catequizando?
Por que estes missionários religiosos" que vivem na Floresta Amazônica "recolhem tantas plantas e amostras do solo e mandam para o seu país para que sejam analisadas?
Se a Irmã Dorothy fazia um trabalho religioso como missionária, por que nossos Bispos não se pronunciaram sobre o assassinato?
Será que a freira, missionária religiosa, foi assassinada porque pregava a existência de Jesus", porque estava pregando o Evangelho, porque estava falando de Jesus Cristo para os nossos Índios? Será que ela foi morta por causa disso?
"Por que nossas autoridades não se interessam em conter a invasão da nossa Amazônia?
Será que o perigo da ocupação virá de nossos vizinhos de fronteira? Ou será um pouco mais ao Norte?
Por que até os nossos índios se comunicam melhor em inglês do que em português? A Reserva Yanomami, equivalente ao tamanho de Portugal, abriga no máximo 3 mil índios. Por que houve pressão estrangeira para criá-la?
Se nossas autoridades fazem vistas grossas para o que acontece na nossa Amazônia, estas perguntas servirão para alertar os brasileiros que assistiram à invasão do Iraque.
O Ministério da Defesa manda um exército para o local do crime, a Aeronáutica manda uma esquadrilha de aviões e de helicópteros, a Polícia Federal envia uma equipe de policiais, e espero que a Marinha não mande também seus porta-aviões para desvendar um crime tão comum e fácil de ser desvendado. Agora também o FBI manda seus investigadores para desvendar um assassinato já esclarecido. Por que todo esse aparato?
Enquanto isto, um biólogo foi assassinado no Estado do Rio", e nada foi feito.
A pergunta que não se cala é a seguinte: por que esses missionários recolhem tantas mudas de plantas da nossa Amazônia e enviam com tanta assiduidade para seus países de origem? Por que será que ninguém responde a essas perguntas?
Essas são perguntas que me foram feitas, Sr. Presidente, e que eu, lamentavelmente, não tenho como respondê-las. Aliás, eu também me considero autor dessas perguntas, porque também não tenho respostas para elas.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)