Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

9ª Sessão Ordinária - 08/03/2005

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente, Srs. Deputados, do lado de fora do Plenário, neste momento, está acontecendo uma cerimônia com as principais representantes de mulheres tucanos. Ali está presente a presidente do PSDB Mulher, a Celinha, e as mais expressivas figuras femininas, tanto da Capital como do interior do Estado.

Quero aproveitar a oportunidade para parabenizá-las pela forma como estão atuando, pelas iniciativas que vêm tomando e também pelo engajamento político que, com tanta ênfase, vêm fazendo. Estou me referindo especialmente às mulheres do PSDB.

Recentemente, fizemos um périplo por cidades do Planalto Norte de Santa Catarina e lá estava a nossa presidente do PSDB acompanhando a caravana, capitaneada pelo Senador Leonel Pavan. Passou dias conosco, deixando seus afazeres, suas obrigações familiares para estar engajada num processo claramente político. Isso temos que ressaltar.

Temos nesta Casa três mulheres que representam dignamente a mulher catarinense, e certamente hoje vivenciamos um dia especial, pois esta Casa foi tomada por mulheres dos quatro cantos deste Estado que detêm mandato legislativo ou que exercem função pública de relevância. Aproveito o ensejo para transmitir, mais uma vez, o meu respeito e o meu carinho a cada uma dessas valorosas mulheres.

Sr. Presidente, quero me referir, com tristeza até, aos episódios que vêm pipocando como se fosse uma verdadeira chuva de pedras em cima da minha querida Joinville. Alguns, quando nos referimos a Joinville, contestam e dizem que não é Joinville, que são os administradores de Joinville que estão sendo acusados. Mas é evidente que respinga na nossa cidade.

O episódio de maior relevância, tanto no cenário estadual, como também no nacional, claro,

é o que envolve o Balé Bolshoi da nossa Joinville. Ontem mesmo uma matéria de página inteira na Folha de S.Paulo dava ainda mais ênfase aos fatos denunciados tão fartamente desta tribuna e pela imprensa de Santa Catarina.

O problema de tudo isso é a condenação que se faz às pessoas que estão sendo objeto de investigação, nominando-as, redundando numa condenação extemporânea, numa condenação precipitada, numa condenação junto à opinião pública. Isso não dá o direito a mim nem a qualquer órgão de imprensa sentenciar uma pessoa antes que a Justiça o faça. Temos dois casos bem claros dentro do processo Balé Bolshoi. As pessoas foram acusadas e sentenciadas para a opinião pública. Elas não têm mais como se defender, já foram sentenciadas perante a opinião pública através de órgãos de imprensa, convocados por autoridades que deveriam apenas e tão-somente investigar para depois chegar ao veredicto, e aí, sim, chamar a imprensa e passar os nomes, já devidamente sentenciadas, mas é o que não acontece.

Nós temos o caso, não tenho o nome completo, de Jô Brasca, esposa do Sr. Prestes. Essas duas pessoas, o Sr. Prestes e a Sra. Jô Brasca, já estão condenadas pela opinião pública ou para a opinião pública, via imprensa. Não adianta mais se no final das investigações ou da CPI do Balé Bolshoi desta Casa essas pessoas forem consideradas inocentes, porque já estão antecipadamente condenadas para a opinião pública! E depois de todo esse episódio concluído, o casal, muito provavelmente, vai ter que se mudar, morar em outro lugar, menos neste País. Muito provavelmente vai ter que ir embora para recomeçar vida nova, de forma digna, porque aqui em Joinville, em Santa Catarina e no Brasil já está devidamente julgado, condenado e execrado perante à opinião pública.

Conhecemos muitos fatos parecidos. Não sei se os senhores lembram, mas em São Paulo o diretor de uma escola e sua esposa foram condenados perante a opinião pública. Quase foram linchados! Tudo por uma acusação ventilada na imprensa de que na escola estaria acontecendo abuso sexual com crianças. O casal foi condenado, execrado perante a opinião pública! Conclusão: depois da devida investigação e do devido julgamento foram considerados inocentes pela Justiça, mas pela opinião pública nunca mais conseguiram se levantar, nunca mais conseguiram fazer com que suas vidas voltassem ao normal. E tudo porque foram julgados e condenados antecipadamente. É o que está acontecendo agora, com o fato específico do Balé Bolshoi de Joinville.

Ninguém, nem uma única pessoa objeto de investigação do episódio do Balé Bolshoi foi julgada. Nenhuma delas ainda foi julgada! Todas estão sendo objetos de investigação. Deveriam ser investigadas, como têm de ser investigadas, à luz da verdade. Têm de ser trazidas à tona, mas depois de julgadas pela Justiça. Aí sim, se houver culpados, deveriam chamar a imprensa e dizer: Está aqui, roubaram, meteram a mão no dinheiro público "a", "b" e "c", não importa quem seja. Vejam bem o que estou falando: não importa quem seja, desde o mais simples ao mais importante elemento que faz parte desse caso do Balé Bolshoi.

Por isso quero deixar aqui a minha indignação ao ver pessoas que ainda não foram julgadas já devidamente sentenciadas para a opinião pública, via autoridades que deveriam apenas e tão-somente estar julgando, trazendo...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)