2ª Sessão Ordinária - 21/02/2006
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. presidente, sra. deputada e srs. deputados, hoje, dia 21 de fevereiro, é o dia da conquista de Monte Castelo. Trago hoje a minha homenagem, primeiro, a todos os integrantes da Força Expedicionária Brasileira - a FEB - e também remeto-a oportuna para parabenizar o nosso grande escritor catarinense da atualidade, o escritor serrano, dr. Paulo Ramos Derengoski.
Jornalista, escritor, Paulo Ramos Derengoski já publicou os livros: O Desmoronamento do Mundo Jagunço; Os Rebeldes do Contestado; Os Cavaleiros do Fim do Mundo; Meio Ambiente: Como defender a natureza sem ser um eco-chato; A Saga dos Guaranis; Visão Poética da Natureza; Viagens de um Repórter; Imagens da Paixão; Olhar brasileiro sobre grandes escritores e agora lança Pracinhas e Aliados, uma visão dinâmica, colorida, clara e envolvente sobre as grandes batalhas e guerras que abalaram o mundo, terminando com um forte apelo à paz.
Então, parabenizamos esse grande escritor catarinense que este ano lança este livro maravilhoso, Pracinhas e Aliados.
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Pois não!
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Sr. deputado, há exatamente 61 anos aconteceu o início da grande vitória brasileira, com a tomada de Monte Castelo. E isso se deveu à Força Expedicionária Brasileira, a FEB.
Veja v.exa que há pouco escutava o deputado Paulo Eccel, levantar o problema, aqui da tribuna, dos nossos pracinhas, que chamamos de ex-combatentes, que foram alijados da assistência médico-hospitalar. A Constituição do Brasil e de Santa Catarina prevêem que é dever do estado dar assistência aos ex-combatentes e as suas viúvas. Infelizmente, por um cochilo nosso, passou a lei complementar e eles foram eliminados.
Nós já demos entrada hoje a um projeto de lei alterando essa eliminação - e há pouco colhi algumas assinaturas pedindo regime de urgência a essa matéria - porque o deputado Paulo Eccel levantou, da tribuna, que muitos ex-combatentes estão nas filas dos hospitais.
Ainda bem que a sensibilidade do governador permitiu que essa categoria, que esse segmento da sociedade brasileira, que merece o nosso respeito, fosse atendida até que se regularizasse a lei. Deveremos votá-la, o mais tardar, ainda no mês de março, para que o estado de Santa Catarina volte a dar assistência aos nossos ex-combatentes e às suas viúvas.
Mas é oportuno v.exa. fazer a entrega hoje do livro Pracinhas e Aliados, de um autor catarinense da região serrana, exatamente no dia em que se completam 61 anos da tomada de Monte Castelo! Devemos isso ao pracinha brasileiro, de modo muito especial a cinco catarinenses que, conforme registros, foram os grandes heróis do fim da II Guerra Mundial, iniciando ali a vitória dos aliados no combate ao nazismo.
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Muito obrigado, sr. deputado.
(Passa a ler)
"Exatamente há 61 anos o Brasil escrevia uma das páginas mais brilhantes da história: a conquista de Monte Castelo.
Por mais de dois meses, os soldados brasileiros enfrentaram um rigoroso inverno e, sob o fogo constante do inimigo, iniciaram a fulminante ofensiva destinada a romper a chamada ‘Linha Gótica’ de defesa alemã na península itálica.
O objetivo maior dos aliados, naquele momento, era manter o exército alemão sob pressão, de modo a não permitir que seus comandantes deslocassem tropas para a França, onde se preparava a ofensiva final das forças aliadas no ocidente.
A força militar enviada pelo Brasil à Europa, para lutar ao lado dos aliados contra o Eixo, na II Guerra Mundial, estava sob o comando do general-de- divisão João Batista Mascarenhas de Morais, que adotou como emblema uma cobra fumando, em alusão àqueles que diziam que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil participar da guerra.
Com a rápida entrada em ação da 10ª Divisão de Montanha Norte-Americana treinada para a luta nas alturas, o Estado Maior determinou que a Força Expedicionária Brasileira, a FEB, atacasse Monte Castelo; sob fogo e neve, os pracinhas avançaram.
A Divisão 232º alemã, duramente batida pelo fogo de artilharia de apoio, recua diante da manobra executada pelos brasileiros - e ainda consegue evacuar a região, iniciando uma encarniçada resistência no monte vizinho de Torraccia.
No início da noite, um foguete luminoso com três estrelas verdes (sinal de objetivo conquistado) ilumina os Apeninos. A tropa brasileira desfraldava a bandeira verde-amarela no cume de Monte Castelo.
A conquista de Monte Castelo foi dificílima pela situação topográfica do cume, que permitia ampla visão de defesa, preparada há meses pelos alemães. As encostas eram íngremes, permitindo campo livre de fogo. O período era de rigoroso inverno, com o chão lamacento.
O terreno era desconhecido e o ataque não podia ser feito de surpresa, pois os movimentos eram vistos do alto do morro. O mau tempo prejudicava as ações aéreas e de artilharia e não havia carros blindados de apoio.
Aos que participaram dessa conquista, toda homenagem é pouca. E também não posso deixar de citar a conquista de Montese, que abriu o caminho para a grande Ofensiva da Primavera de 1945, que varreria as tropas nazistas do norte da Itália.
Hoje, aquela região é ponteada de estações de esqui, onde a sociedade afluente européia vai descansar. Mas aos pés da montanha, debaixo das rochas, as cruzes brancas dos jardins de pedra cobertas pela pátina do tempo lembrarão a quem tem memória o que ali ocorreu: a glória feita de sangue.
Há quem tente denegrir, srs. deputados, a imagem dos heróicos militares brasileiros que lutaram contra o nazifascismo. Mas o vento rumoroso que vem do passado, em estrondos, repete: ‘Glória eterna aos heróis que tombaram’.
Apesar dessa grande conquista, do reconhecimento da sociedade e do nosso reconhecimento neste momento, os pracinhas brasileiros que lutaram bravamente contra o nazifascismo são quase todos aposentados e pobres que continuam lutando, mas agora pela sua sobrevivência."
Os pracinhas brasileiros são quase todos pobres, mas os derrotados de então, os que sobraram, vivem em subúrbios elegantes do Reno.
Sr. presidente, trago aqui, em nome do povo lageano, do povo serrano, a nossa gratidão por v.exa. permitir que cada parlamentar receba, neste momento, esta obra plena, esta obra maravilhosa do nosso grande escritor, amigo pessoal, amigo de todos os lageanos, amigo de todos os catarinenses, Paulo Ramos Derengoski.
Entregamos a todos o livro Os Pracinhas e Aliados, que relata diversas fases da II Guerra Mundial, mostrando os seus problemas e os seus motivos, através do estilo inconfundível do jornalista Paulo Ramos Derengoski, que vai mais além, descrevendo outros grandes conflitos que a humanidade enfrentou.
Talvez, por ter freqüentado grandes redações, esse grande jornalista, Paulo Ramos Derengoski, domina de forma envolvente aquilo que pode ser classificado como jornalismo histórico. É como se pudéssemos voltar àqueles dias tormentosos, quando se assistia à marcha da insensatez.
Então, com este pronunciamento queremos homenagear todos aqueles pracinhas, todos os integrantes da Força Expedicionária Brasileira e ao mesmo tempo agradecer por mais esta obra-prima publicada pelo grande escritor lageano.
Passo às mãos do sr. presidente um exemplar desta obra para que tenha na sua biblioteca.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)