83ª Sessão Ordinária - 17/10/2006
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. presidente, mesmo sem procuração, deputado Julio Garcia, em função da antecipação da Ordem do Dia, gostaria que o deputado Vânio dos Santos pudesse fazer uso da palavra, quando chegar.
Eu quero trazer hoje, à tribuna, sr. presidente, a discussão, deputado Reno Caramori, que traz a revista CartaCapital, desta semana, cujo título da capa é o seguinte: "A trama que levou ao segundo turno", ou seja, a trama que levou as eleições presidenciais ao segundo turno. A partir de pesquisas, de investigações realizadas, a revista CartaCapital, deputado Reno Caramori, chegou à conclusão de que algumas coisas ficaram muito obscuras na ação tanto do delegado que efetuou as prisões e, em especial, de alguns grandes veículos de comunicação do nosso país, que de imparciais só têm a propaganda, mas que quando fazem cobertura das eleições, inclusive, no nosso estado - e nós já denunciamos desta tribuna, - a parcialidade, a tendenciosidade, aparece e aparece bastante forte.
Então, a matéria estampada na página 20 da revista CartaCapital, de 18 de outubro, levanta uma série de dúvidas, de questionamentos e de fatos comprovados de que houve efetivamente a parcialidade, ou seja, a tendenciosidade pró-Geraldo Alckmin.
Por volta das 17h, do dia 15 de setembro, diante do prédio da Polícia Federal, em São Paulo, chega uma viatura da Rede Globo.
(Passa a ler)
"Ela pára entre duas outras equipes de tevê: uma da propaganda eleitoral de Geraldo Alckmin, e outra equipe, que já estava lá, era da campanha de José Serra. Com o tempo vão chegando jornalistas de outras empresas: da CBN, da Folha, da TV Bandeirantes. E a presença das equipes de Serra e Alckmin provoca comentários. Que a Rede Globo fosse a primeira a chegar, tudo bem: ela tem uma enorme estrutura com esse objetivo. Mas como o pessoal do marketing político chegou antes? Cada uma das duas equipes tem meia dúzia de pessoas. A de Serra é chefiada por um homem e a de Alckmin, por uma mulher. As duas pertencem à GW, produtora de marketing político. Seus donos foram jornalistas: o G é de Luiz Gonzales, ex-TV Globo, e o W vem de Woile Guimarães, secretário de redação da famosa revista Realidade, do fim dos anos 1960."
E aí vem uma série de contradições!
Então, quem avisou Gonzales é a pergunta que faz o jornalista.
(Continua lendo)
"Uma fonte do Ministério da Justiça disse à CartaCapital que as equipes da GW chegaram à PF antes dos presos [...] e que a empresa soube da história através de Cláudio Humberto, o ex-secretário de imprensa do ex-presidente Fernando Collor[...]", que também não diz quem o avisou. Isso já é uma parte dos questionamentos.
"É 29 de setembro, véspera da eleição presidencial, por volta das 10h30 da manhã. Sai do prédio da PF na Lapa de Baixo o delegado Edmilson Pereira Bruno, 43 anos, que estava de plantão no dia 15 e foi o autor da prisão de Valdebran e Gedimar. Ele convida quatro jornalistas para uma conversa: Lilian Christofoletti, da Folha de S.Paulo, Paulo Baraldi, de O Estado de S.Paulo, Tatiana Farah, do jornal O Globo, e André Guilherme, da rádio Jovem Pan.
Bruno quer uma conversa reservada e propõe que ela seja feita a cerca de um quarteirão dali, na Bovinu´s, uma churrascaria. Um dos jornalistas argumenta que ali 'só tem policial'. O grupo acaba conversando perto da Faculdade Rio Branco, que não se avista da frente da PF, mas é também ali por perto. Ficam na rua mesmo. O delegado não sabe, mas sua conversa está sendo gravada."
Então, aí já começa: por que um delegado tem que ter uma conversa reservada, escolhe os quatro jornalistas e vai para uma conversa reservada?
(Continua lendo)
"Bruno diz que quer passar para os jornalistas cópia das fotos do dinheiro apreendido com os petistas, que estavam sendo procuradas há muito, por muita gente. Leva um CD com as imagens, 23 fotos; e três CDs em branco para que eles copiem as imagens de modo a que cada um tenha uma cópia. Fala que eles devem dizer 'alguém roubou e deu para vocês', para explicar o aparecimento das fotos. Diz que ele próprio vai dizer coisa parecida a seus chefes na PF, que os jornalistas é que o roubaram: 'Doutor, me furtaram. Sabe como é que é, não dá para confiar em repórter'."
Imaginem, deputados, a desfaçatez de um integrante da Polícia Federal levando uma informação e já discutindo com os que receberiam de suas mãos aquilo que teria que ser dito que tinha sido roubado, ou furtado, ou alguma coisa semelhante.
"Recomenda que as fotos sejam editadas em computador com o programa Photoshop para tirar detalhes, como o nome da empresa na qual as cédulas foram fotografadas, a fim de despistar a origem do material."
Mais para frente, ele diz ainda o seguinte:
"Para o que mais interessa ao desenrolar da nossa história, dos trechos da fita, deve-se destacar a preocupação de Bruno em fazer com que as fotos chegassem no dia ao Jornal Nacional. 'Tem alguém da Globo, aí?', pergunta ele. Um dos quatro responde: 'Tem o Bocardi'. 'Não é o Tralli? O Tralli está muito visado', Bruno diz, referindo-se a César Tralli e ao incidente, conhecido de muitos, de esse repórter da TV Globo ter podido acompanhar, praticamente disfarçado de Polícia Federal, a prisão de Flávio Maluf, filho de Paulo Maluf.
Mas a preocupação principal de Bruno é a que ele reitera nesse trecho: 'Tem de sair hoje à noite na tevê. Tem de sair no Jornal Nacional'." [sic]
Então, isso aqui deixa evidentemente clara a participação de um policial, de um delegado federal em um esquema e não de uma investigação séria, como tem que ser. Tem que ser dado o direito ao contraditório, e doa a quem doer, tem que haver punição! Mas não desta forma, fazendo vazar informação de forma privilegiada, numa véspera de segundo turno, num claro objetivo de conluio com esses meios de comunicação, para que a matéria fosse passada.
E na seqüência a revista faz uma análise da forma como foi feita esta manchete com relação a esse dinheiro no Jornal Nacional, na Folha de S. Paulo, no jornal O Globo e no jornal O Estado de S.Paulo, entre outros.
Primeiro, deputado Vânio dos Santos, a foto foi tirada de baixo para cima. Então, quem viu a foto, deputado Reno Caramori, tem a impressão de que está diante de um prédio de dinheiro; dá a impressão de que, na perspectiva, à distância de outros prédios, há uma montanha de dinheiro.
Em segundo lugar, o Jornal Nacional faz uma alusão aqui de que naquele dia estava desaparecido o avião da Gol, com 155 pessoas, entre passageiros e tripulantes, e às 18h já se tinha aquela notícia. O Jornal Nacional não noticiou uma vírgula sequer sobre a tragédia com os 155 brasileiros, pois passou toda a edição mostrando, discutindo e debatendo essa questão do dinheiro.
O meu tempo encerrou, mas o deputado Vânio dos Santos está inscrito.
Ainda hoje ou em outra oportunidade iremos trazer o restante desta discussão sobre a investigação e sobre a compra desse dossiê, em que está quase comprovado pela Polícia Federal que foi abafado por um empresário ligado ao PSDB, entre outras questões.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)