Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

78ª Sessão Ordinária - 03/10/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, gostaria de tocar num assunto que considero de extrema gravidade.

Deputado Nilson Gonçalves, v.exa. tem relativo conhecimento no meio das investigações, no meio policial, porque é um homem de comunicação e sabe da necessidade de que a Polícia - seja ela militar, civil, estadual ou federal -, trabalhe com lisura e transparência.

Hoje pela manhã, assistindo à televisão, ouvi o depoimento do delegado da Polícia Federal que foi afastado do cargo por ter divulgado as fotos com aquela montanha de dinheiro do chamado caso dossiê da eleição de 2006.

Ele foi afastado como uma represália, uma punição, com relação ao fato de ter divulgado. Ele se defendeu, dizendo que é dever da Polícia agir com transparência, mas que não queriam, mesmo que ele tenha resolvido divulgar somente um dia após terminar o horário eleitoral gratuito.

Eu me pergunto o seguinte: se essa é a penalidade para todo o policial, para todo o delegado que estiver à frente de uma investigação, por que o delegado da mesma Polícia Federal, que divulgou e permitiu que a imprensa divulgasse os recursos financeiros encontrados no apartamento em Jurerê Internacional, não foi tratado com o afastamento? Vejam, não quero assumir a defesa política do lado "a", nem do lado "b", quero dizer que a conduta tem que ser igual. Se ela é uma conduta do ponto de vista da instituição, aquele delegado, que eu não sei quem é, também deveria ter sofrido a mesma punição, e não sofreu.

A Assembléia Legislativa de Santa Catarina abriu uma CPI para investigar também como é que esses recursos financeiros chegaram num apartamento. Precisamos encontrar a origem desses recursos e saber se foram somente esses. Será que já não se tratava de uma sangria que vinha acontecendo? Tudo o que foi desviado estava guardado ali ou havia um volume maior?

Então, a Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, por necessidade de ser transparente, tem que iniciar imediatamente os seus trabalhos. Eu, sinceramente, até compreendo, mas fico envergonhado por dizer assim: a CPI não começou - e pedimo-la há mais de um mês - porque os deputados estavam em campanha. Tudo bem, mas agora não estamos mais em campanha, pelo menos esta Casa Legislativa. Haverá o segundo turno em nível nacional e estadual, mas já podemos iniciá-la porque esse é de um dever que esta Casa tem e do qual ela não se pode furtar. Portanto, precisamos iniciar essas investigações.

Por isso, deixo aqui essa preocupação, deputado Lício Silveira, tanto com o caso das fotografias, das montanhas de cédulas que apareceram no âmbito federal, como também com a mesma situação que aconteceu em âmbito estadual. Pena que não vi a Polícia Federal uniformizar o tratamento, ela teve dois pesos e duas medidas.

Então, era esta a minha manifestação e eu agradeço pela oportunidade!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)