25ª Sessão Ordinária - 10/04/2002
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e companheiros Deputados, venho à tribuna neste horário do Pequeno Expediente para fazer alguns comentários sobre esse importante dia. Hoje os nossos pensamentos, atitudes, preocupações e ações estão ligados à paz, neste momento tão importante para o nosso Estado, para a nossa vida, para o nosso País e o para o mundo.
Nunca, em nenhuma época, a palavra paz foi tão importante como agora, e nunca nos trouxe tanta preocupação e inquietação o que estamos vivendo no mundo.
Temos dois tipos de preocupações. Uma delas é com o aumento da pobreza e da marginalidade - que automaticamente vai acontecendo. O aumento da pobreza leva as pessoas a viverem na verdadeira miséria, como está acontecendo neste País, onde praticamente temos 50 milhões de miseráveis. E isso automaticamente conduz as pessoas a enveredarem para a marginalidade como a única alternativa de vida.
Essa é uma das grandes preocupações que nos atormenta dia-a-dia, que ameaça a nossa família, a nossa vida e a vida da sociedade, de um modo geral.
E outra preocupação é a ameaça vinda de Governos radicais e destruidores, de Governos sem o senso de humanidade, de Governos que, para imperar suas vontades, acabam levando um povo a guerrear, a se matar.
Surpreende o mundo quando vemos a guerra realizada hoje em Beirute, no Líbano, comandada principalmente por Israel. Isso nos assusta, intimida-nos e entristece-nos.
É triste para nós vermos Israel, uma potência, reconhecida no mundo, na cultura, no trabalho, na economia e na riqueza, comandar uma violenta e sangrenta guerra que assusta e revolta a humanidade!
É claro que sempre se busca a justificativa para uma ação de revide. Mas, sem dúvida, nenhuma delas teria o efeito maior e o resultado melhor do que aquela que buscamos no campo da democracia, do diálogo, da discussão, do debate, do respeito e, acima de tudo, do direito à vida do cidadão.
Estamos destruindo a humanidade através da miséria e do radicalismo de alguns governantes ou de algumas religiões, que levam as pessoas ao extremo e a praticar essas ações muitas vezes munidas de maldade, de radicalismo, de ódio, sem medir as conseqüências.
Então, de uma certa forma vivemos num País que nos dá tranqüilidade e também tristeza. Tranqüilidade porque não somos um País que conduz o povo à guerra. Mas, em contrapartida, somos um País que não consegue vencer o desafio de criar oportunidades para que todo brasileiro possa, através do suor do trabalho, sustentar a sua família.
Portanto, essa é uma preocupação, uma aflição que cada homem público neste País vive. Cada um de nós tem um dever, uma obrigação, e pensamos que podemos estender isso a toda uma sociedade.
Acredito que, de todos os pecados, o maior é o crime da omissão. E é pela omissão que temos visto a inoperância, a incompetência e o covardismo também. E a covardia do homem público não o deixa tomar decisões que poderiam fazer com que as pessoas tivessem oportunidades e se sentissem respeitadas e de fato patriotas.
Não é possível, num País com essa extensão territorial e com essa riqueza natural - e Deus foi bondoso com este território -, vermos tanta gente sem oportunidade de sequer ter um teto para morar, de ter onde trabalhar, de ter comida na mesa para seu filho, de ter direito a um entendimento digno à saúde, e de ter acesso à educação ou ao trabalho.
Como homens públicos, não podemos nos conformar com isso! Por isso, vale a pena a luta e o trabalho incansável na busca de soluções e de alternativas de fato para que todos nós, brasileiros, os 180 milhões de pessoas neste nosso imenso território, possamos encontrar o caminho da felicidade e da paz.
Não acredito em paz, quando não se tem a oportunidade do trabalho; não acredito em paz, quando não se tem acesso a uma saúde digna; não acredito em paz, quando não se tem a comida na mesa para o filho; não acredito em paz, quando não se tem o mínimo necessário para oferecer a sua família; não acredito em paz, quando não se tem um teto e uma casinha para morar.
Não dá para imaginar vivermos em paz e conquistarmos a paz, enquanto estivermos vendo o aumento das periferias e da miséria nas grandes cidades. Mas também não conseguimos imaginar a paz, enquanto não conseguirmos dar a oportunidade para que um pai de família agricultor possa, ali na terra, continuar lutando, trabalhando e criando oportunidades para os seus filhos.
Que ali na terra, onde temos tanta riqueza e tanta extensão, possamos segurar grande parte da família brasileira! E é do solo, que é onde encontramos o maior potencial e o de retorno mais fácil, que estamos mais qualificados para tirar a riqueza. E sem um programa forte de recuperação econômica do nosso homem do campo, de recuperação técnica, e sem um investimento de parceria para que ali se possa gerar emprego no campo e trazer o alimento para melhorar a condição de vida das famílias, não acredito na paz.
Mas vale a pena. E é preciso continuar sempre acreditando neste País, nos homens, no trabalho e que nós, através da nossa dedicação, da nossa fé e da nossa esperança podemos levar ao brasileiro a esperança de poder conquistar a oportunidade de viver mais em paz.
Nada é mais importante para uma família, para um cidadão, para um Estado e um País do que ter a tranqüilidade de viver em paz. E paz tem a ver, acima de tudo, com oportunidade e com respeito. Paz também é respeitar! Para viver em paz é preciso doar; para viver em paz, é preciso oportunizar e, acima de tudo, acreditar. Temos poder e precisamos acreditar que é possível viver em paz!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)