Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

114ª Sessão Ordinária - 21/10/1999

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente, Srs. Deputados e demais pessoas que se encontram neste recinto, ocupo a tribuna no dia de hoje para abordar um assunto de muita importância, eu diria até de urgência, para o Município de Joinville, relacionado com a segurança daquela cidade.

Joinville está vivendo um verdadeiro caos, as pessoas que lá vivem estão sujeitas a assaltos, seqüestros, como vêm acontecendo. Não se tem mais segurança nem dentro das nossas próprias casas!

Trabalhar hoje numa empresa em Joinville significa risco de vida, risco de assalto, e isso nos deixa muito preocupados.

Dias atrás, uma senhora foi assassinada em plena via pública. Tomaram de assalto o seu carro e ela tirou o pé da embreagem com o susto, o carro deu um solavanco e o cidadão imediatamente atirou nela, matando-a numa via pública em pleno centro da cidade à luz do dia.

Na semana passada, foi assaltada uma das panificadoras mais movimentadas da nossa cidade, a panificadora Maikon, perto do Hospital São José. Três elementos ficaram do lado de fora e dois entraram mascarados, colocaram todos os clientes deitados no chão, chutaram, humilharam essas pessoas e levaram tudo, até as alianças dos dedos das vítimas.

Também na semana passada ocorreu um assalto à conhecida imobiliária Zibell, de propriedade de um grande dileto meu, o Sr. Rui. Aconteceu a mesma coisa: entraram em plena luz do dia, mandaram todo mundo deitar no chão, chutaram as vítimas, cuspiram em algumas delas e levaram tudo o que tinha dentro da imobiliária. Fizeram um saque, até o cofre foi arrebentado com pé-de-cabra!

Temos residências em Joinville sendo assaltadas diariamente, nobre Deputado. Entram, atacam a empregada, trancam-na no banheiro, levam o que querem e, em muitas ocasiões, até estupram as vítimas.

Anteontem, um cidadão ia para a sua casa por volta das 18h com a Kombi carregada de cigarros e doces, e ao passar por um pontilhão no bairro Jardim Paraíso, depara-se com um veículo atravessado na sua frente. Pois bem, levaram esse cidadão para o mato, enfiaram a sua cara no chão, no barro, e ali ele ficou por duas horas e pouco, enquanto os elementos desapareciam com a sua Kombi, utilizando-a para outros fins. Por fim, voltaram para buscar o elemento que havia ficado cuidando da vítima, que tinha sido ameaçada de morrer se levantasse a cabeça. "Você tem que contar até 100", disseram, mas ele deve ter contado até mais de 200, porque o terror que as pessoas sentem quando sofrem esse tipo de violência é qualquer coisa de espetacular.

Um outro assalto em Joinville que ocorreu em plena luz do dia foi ao posto do Besc na Casan, no centro da cidade.

Os roubos de carros em Joinville estão se tornando um verdadeiro abuso! Todo santo dia ocorre furto de automóveis! Estão gozando, tirando sarro da nossa polícia, essa que é a grande verdade.

As pessoas que são assaltadas, Sr. Presidente, imediatamente ligam para a polícia, e a resposta da Polícia Militar até que é interessante, ela vai até o local, mas a Polícia Civil, lamentavelmente, pergunta para a vítima se morreu alguém, se alguém teve algum problema e, em caso negativo, manda fazer um levantamento do que aconteceu e voltar depois, no outro dia, para fazer o boletim de ocorrência. Não existe investigação; pede-se para fazer um boletim de ocorrência apenas pro forma e mais nada!

Falo isso não em nome dos outros, mas em meu próprio nome, porque já tive o meu estabelecimento comercial em Joinville assaltado duas vezes e a minha casa uma vez. E em todas às vezes que eu precisei falar com a polícia, disseram a mesma coisa: "Passa aqui para fazer o boletim de ocorrência."

Agora, culpar a polícia, dizer que a polícia não quer trabalhar é um equívoco, Sr. Presidente; a polícia não vai ao local porque se for tem de fechar a delegacia, uma vez que o número de policiais que temos em relação ao número de habitantes de Joinville é uma verdadeira piada!

Por isso, Sr. Presidente, além de registrar a minha indignação sobre o que acontece no nosso Município, quero fazer um apelo a V.Exa., aos Deputados de Joinville e aos demais Companheiros nesta Casa no sentido de realizarmos uma reunião com os Deputados representantes da região Norte para tomar uma decisão com relação à segurança em Joinville e deliberar algumas coisas que precisam ser tratadas de forma urgente.

Haveremos de fazer esta reunião o mais rápido possível, Srs. Deputados, para que possamos chamar, e se não der com o Secretário da Segurança Pública, que seja com o Sr. Governador.

Estamos precisando urgentemente um número maior de policiais em Joinville. Quando temos alguns eventos, como o Festival de Dança, por incrível que pareça há uma preocupação maior, desloca-se um número maior de policiais, existe um esquema especial, uma operação de não sei o quê! Quando essas operações estão sendo postas em prática, o número de automóveis furtados baixa, o número de assaltos baixa. Passou a operação, volta tudo ao caos diário!

Então, por que não manter esse policiais em Joinville? Por que não termos uma operação permanente em Joinville na questão da segurança? Acho que merecemos respeito! O povo daquela região é trabalhador, ordeiro, e hoje não sabe mais a quem apelar para ter segurança. Não tem mais segurança dentro da sua própria casa, nem no seu trabalho.

Assim sendo, nós, que nesta Casa representamos essa gente, temos que erguer a nossa voz e fazer alguma para solucionar esse problema.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)