Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sandro Tarzan

109ª Sessão Ordinária - 13/10/1999

O SR. DEPUTADO SANDRO TARZAN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, estou estarrecido, sem entender o que o Deputado Rogério Mendonça falou. S.Exa. fala como se não tivesse compromisso algum com o que aconteceu!

Por que essas três folhas estão atrasadas? Qual o motivo, Deputado Rogério Mendonça?

Todos sabemos das dificuldades do Governo, isso é público e notório, nobre Deputado.

Por isso, fico estarrecido com o que está acontecendo. Acho que alguma coisa está errada.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna para falar dos graves problemas que estão atravessando os nossos madeireiros, aqueles que têm extração de xaxim e os agricultores.

Sem dúvida nenhuma, o Governo Federal está levando a nossa agricultura cada vez mais à bancarrota. Se não quer ajudar os nossos agricultores, aqueles que produzem, que dão emprego à nossa gente, que não atrapalhe.

Há um decreto federal que faz com que Santa Catarina inteira seja considerada Mata Atlântica. Isso é um atraso para a comunidade catarinense.

Em Santa Catarina temos um sério problema de desemprego, assim como no restante Brasil, pois são mais de dez milhões de desempregados.

Por isso, considerar Santa Catarina inteira Mata Atlântica, diferentemente dos Estados vizinhos, Rio Grande do Sul e Paraná, é um absurdo.

Estão considerando os nossos madeireiros bandidos, coisa que não são. E existem algumas matérias sobre esse tema em alguns jornais. Os madeireiros não querem denegrir a nossa natureza. Eles até já se propuseram a fazer um plano de manejo sustentado, através de um acordo com o Ibama e com a Fatma aqui em Santa Catarina.

Não é justo o que está acontecendo. A nossa Constituição garante o nosso patrimônio. Hoje, aquilo que era nosso não é mais!

Está acontecendo um sério problema no nosso Estado. Muitas famílias estão passando fome por não terem o seu emprego garantido, que era na extração da madeira.

Isso tem que ser denunciado à sociedade catarinense. Não é possível um madeireiro ser considerado um bandido. No patrimônio que ele adquiriu com muito suor e muito sacrifício hoje não pode tocar um dedo, não pode melhorar a sua propriedade no interior.

Por isso, criamos essa Comissão Parlamentar Externa aqui, na Assembléia Legislativa. Temos que levar ao conhecimento da comunidade catarinense o problema social que está criando esse famigerado Decreto nº 750.

Precisamos nos mobilizar, e temos certeza absoluta de que podemos contar com este Parlamento para trazer o que é justo para a nossa sociedade: a geração de emprego e renda, pois o mais importante é o ser humano, é a família catarinense.

Não queremos denegrir a natureza, queremos, sim, garantir o emprego, a subsistência dessas famílias que vivem da extração de madeira.

Haveremos, juntamente com o Parlamento de Santa Catarina, através dessa Comissão Parlamentar Externa, de fazer com que esse quadro seja mudado. Precisamos ter direito àquilo que é nosso, que é patrimônio de Santa Catarina, que em alguns lugares está apodrecendo, como já vimos no nosso interior.

Na minha região, por exemplo, hoje existe mais pinheiro do que há cinqüenta anos. Por isso, é um falso moralismo o que está acontecendo no Estado de Santa Catarina. Temos que dar um basta nisso.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)