8ª Sessão Ordinária - 26/02/2008
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente, sras. e srs. deputados, na verdade estava inscrito para falar o deputado Joares Ponticelli, mas aproveito o tempo do nosso Partido Progressista para tecer aqui alguns comentários.
Sr. presidente, há pouco v.exa. fez uma manifestação com relação ao episódio ocorrido em Criciúma, quando da partida do nosso glorioso Tigre contra o Avaí, time pelo qual também temos o maior apreço e admiração até pela sua trajetória no futebol. Mas foi lamentável, deputado Manoel Mota, o que tivemos oportunidade de presenciar no domingo à noite, próximo passado, no município de Criciúma.
Sou freqüentador assíduo dos jogos do Criciúma, sempre com meus filhos, meus sobrinhos e é muito triste ao mesmo tempo em que se vê uma empolgação contagiante, que é a manifestação do nosso torcedor, ver um torcedor adversário, alguém com o espírito maligno predeterminado, preparado para trazer o sofrimento não só àquele cidadão de 62 anos de idade, mas a toda a família criciumense, a toda a família futebolística do estado de Santa Catarina.
O futebol é um esporte que congrega sem distinção de raça, cor, religião e traz todos para o estádio num momento de lazer, No entanto, deparamo-nos com uma situação lamentável como a de domingo à noite. Na mesma ocasião, um sobrinho meu, o Marcelo, que é farmacêutico, foi atingido por uma bala de borracha na barriga, artefato que é muito perigoso porque se a bala atingir os olhos pode até causar cegueira.
Fico muito triste com essa situação e espero que as autoridades competentes ajam com eficácia, sendo práticas e objetivas, dando um esclarecimento sobre a situação, para que o exemplo não se propague por mais nenhum estádio de futebol por este estado e por este Brasil afora.
É lamentável ter que usar a tribuna do Parlamento catarinense, agora já no terceiro mandato, com muito orgulho representando a nossa região, para citar um exemplo maligno dessa natureza, levado a efeito por um cidadão sem caráter e sem escrúpulo.
Deputados Moacir Sopelsa, Ada De Luca, Odete de Jesus, Ana Paula Lima, uma pessoa que tem a capacidade de ficar dois dias pensando, usando o seu conhecimento para construir uma bomba, não poderia tirar duas horas para confeccionar várias bandeiras para proporcionar alegria à manifestação clara e simples que é poder estar no estádio à vontade dentro do regime democrático? Mas vimos um cidadão se colocar na condição de até poder ter tirado vidas de algumas pessoas com essa bomba que decepou a mão desse cidadão de 62 anos, um freqüentador assíduo do Estádio Heriberto Hülse, um apaixonado pelo Tigre, um torcedor fanático, como tantos outros dos vários times de futebol em nível do Brasil ou do estado de Santa Catarina. Ter essa capacidade é realmente lamentável!
O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Concedo um aparte ao nobre deputado.
O Sr. Deputado Manoel Mota - Quero cumprimentar v.exa., eminente deputado Valmir Comin. Realmente foi um fato lamentável! Quanto ao sentimento da torcida do Avaí, do Figueirense, do Criciúma, cada time tem a sua e isso é importante, é fundamental, pois os times precisam disso. E o clima do jogo estava bom, o Criciúma ganhava por 1x0, até que aconteceu esse episódio da bomba. Isso fica mal não apenas para os dois times ou para aquele indivíduo que ficou machucado com a bomba, mas para o futebol de Santa Catarina, para o Brasileirão. Agora vão dizer que em Santa Catarina se joga bomba em campo.
Então, é lamentável o ocorrido. Esse cidadão, Ivo Costa, mesmo com a mão decepada ficou pedindo a Deus para proteger a pessoa que fez isso com ele, para, talvez, não fazer mal a outra pessoa também.
Precisa ser tomada uma providência urgente, a polícia precisa trabalhar para esclarecer tudo isso, para que tenhamos tranqüilidade tanto lá na torcida do Criciúma quanto na de qualquer time de Santa Catarina.
Quero cumprimentar v.exa. e dizer que o tema é importante e tem que ser respeitado. É importante que sejamos solidários neste momento com as pessoas de bem, que querem ir ao campo apenas para apoiar o seu time e não para levar um instrumento desses para destruir a vida das pessoas.
O Sr. Deputado Cesar Souza Júnior - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Concedo um aparte ao deputado Cesar Souza Júnior.
O Sr. Deputado Cesar Souza Júnior - Deputado, parabéns pela iniciativa de abordar de maneira tão equilibrada esse tema que chocou toda a sociedade catarinense.
Um cidadão que passa o tempo fazendo uma bomba para ferir ou até para matar um semelhante dentro de um estádio de futebol, não pode ser chamado de torcedor, pois é um bandido, um marginal infiltrado numa torcida e que vai para o estádio aproveitando-se da situação para cometer crimes. Foi uma situação de terror pela qual passou o município de Criciúma. E esperamos que, realmente, a polícia prenda, e parece que já identificou os dois marginais envolvidos no caso, e que não se confunda um marginal dessa espécie com um torcedor. Agora, nós precisamos, neste estado, fazer uma limpeza nas torcidas para que essas pessoas não se aproveitem de um ambiente de família, de esporte, de diversão e de rivalidade saudável para a prática de crimes.
Minhas condolências a todos aqueles que viveram essa situação tão ruim, especialmente o aposentado, sr. Ivo. E esperamos que se coloque logo na cadeia com pena severa os marginais responsáveis por esses atos lamentáveis.
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Muito obrigado, deputado Cesar Souza Júnior.
Realmente, é lamentável essa situação e esperamos que uma posição enérgica por parte dos órgãos competentes seja tomada, porque exemplos como esses só vêm desestimular muitos outros que gostariam de participar dos jogos nos estádios de toda Santa Catarina.
Esperamos também que os dirigentes esportivos possam fazer uma seleção com critérios mais rigorosos para que essas torcidas organizadas possam, sim, continuar a freqüentar os estádios, mas de uma forma passiva, trazendo realmente um resultado positivo a todos os torcedores catarinenses.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)