109ª Sessão Ordinária - 07/12/2010
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO AGUIAR - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, gostaríamos neste momento de fazer uma homenagem aos voluntários.
(Passa a ler.)
"Sr. presidente, prezados colegas, você que assiste à TVAL e que escuta a Rádio Alesc Digital, neste domingo, dia 5, comemora-se o Dia Internacional do Voluntário, que consagra com justiça a atuação de pessoas ou grupos que, sem remuneração, ajudam a melhorar a qualidade de vida do planeta.
Voluntários dedicam parte de sua vida para ajudar a resolver os problemas de sua região, de sua comunidade, são indivíduos que se sensibilizam com causas sociais.
É importante dizer que ninguém precisa ser um especialista no assunto para ser um voluntário, apenas basta vontade e criatividade para desenvolver um trabalho solidário.
Faço essa introdução para parabenizar todos que se dedicam a alguma causa ligada ao voluntariado, que são pessoas de bem, que doam parte de seu tempo, de suas vidas, para ajudar o próximo. Os exemplos vêm das mais variadas formas. Tem quem cuida da formação de crianças, e posso citar aqui em Florianópolis um projeto exitoso que é o Gente Amiga, desenvolvido na comunidade do Morro do Horácio. Ou pessoas que auxiliam em instituições hospitalares, como é o caso da Associação de Voluntárias do Hospital Infantil, ainda para citar um trabalho que é realizado aqui na capital. Os exemplos estão por todo o Estado, e aí estão as Apaes e a Rede Feminina de Combate ao Câncer.
Sempre que posso, destaco o importante trabalho realizado pelos voluntários do Centro de Valorização da Vida, o CVV, que surgiu em 1962, na cidade de São Paulo, e atualmente conta com 40 postos nas grandes cidades brasileiras, dentre elas Florianópolis. Conta com mais de dois mil voluntários em todo o Brasil e presta serviço de forma ininterrupta, 24 horas todos os dias, inclusive domingos e feriados. Em Florianópolis o CVV atua há 18 anos e atende indistintamente a todas as pessoas que o procuram, oferecendo apoio emocional em momentos difíceis, facilitando o desabafo e aliviando o sofrimento, com a finalidade de neutralizar ideias autodestrutivas e prevenir o suicídio.
O apoio é gratuito e sigiloso. O atendimento é prestado por telefone, pelo número especial 141 ou pelo telefone 32224111, que não registra chamadas na conta telefônica, ou pessoalmente, no posto que funciona na avenida Hercílio Luz, na sala 408 do edifício Alfha Centauri, neste caso desde as 8h até as 20h.
O CVV não tem vínculo religioso, político ou de qualquer outra espécie e seus voluntários atuam em função de dificuldades que as pessoas enfrentam, treinados para escutá-las em momento de crise, pois muitas vezes as pessoas se calam e o sofrimento permanece intenso por falta de disponibilidade de amigos ou medo de julgamento, dificultando a busca por uma solução ou alívio, e não são raras até situações de muita alegria em que as pessoas encontrem dificuldade para compartilhar seus sentimentos.
Quem procura esse serviço voluntário não precisa identificar-se nem sequer dizer o nome. É livre para falar, ou não, pelo tempo que necessitar e lhe é oferecido sigilo, compreensão e aceitação. Essa acolhida, num clima de amizade, mesmo que temporária, ajuda a pessoa a perceber melhor seus sentimentos, falar sobre eles, expor seus receios, aliviar sua dor e, muitas vezes, encontrar caminhos novos por si mesma.
Desabafar num clima de confiança e aceitação funciona como um processo de retroagir na nossa escala de autodestruição. Ao desabafar, podemos extravasar o que nos incomoda, compreender melhor o que está nos acontecendo e ordenar nossos pensamentos. E é importante sempre lembrar que a solidão pode atingir qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo, classe social ou profissão e, muitas vezes, independe de ter outras pessoas por perto, caracterizando-se pela dificuldade de um diálogo sincero consigo mesmo e a busca de alguém que o compreenda.
Pelo compromisso com o sigilo, o CVV não faz estatística, apenas registra a quantidade de chamados. Desde 1992, já foram mais de 81 mil apoios realizados. Os voluntários são pessoas da comunidade que têm em comum a vontade de auxiliar, dando apoio ao próximo, dialogando com respeito, aceitação e compreensão.
Este trabalho é muito importante na prevenção de suicídios, e é importante destacarmos que segundo a Unesco, na sua publicação intitulada Mapa da Violência - Os Jovens do Brasil, a taxa média nacional de suicídios é de 4,4 suicídios para cada 100 mil habitantes/ano.
Estamos em sexto lugar nas estatísticas de suicídios entre jovens na faixa de 15 a 24 anos, e Santa Catarina e Mato Grosso do Sul ocupam o segundo lugar nas estatísticas de estados brasileiros com maiores índices de suicídios se considerada a população total, com a taxa de 7,8 suicídios a cada 100 mil habitantes/ano, atrás apenas do Rio Grande do Sul.
A mesma publicação também coloca o suicídio entre as três principais causas de morte entre jovens do país e se tornou um problema de saúde pública.
Por todo o trabalho que presta à comunidade, sempre procuro valorizar o CVV, bem como tantas outras entidades que envolvem o trabalho de voluntários.
Já disse e repito, voluntários são pessoas que se doam, daí serem merecedores de nossa admiração e respeito. Por isso, é justa e meritória a comemoração do Dia Internacional do Voluntário e sempre válida a lembrança de que todas as entidades que trabalham na linha do voluntariado sempre contam com novas adesões.
Se você tem espírito altruísta, quer ajudar o seu semelhante, procure uma instituição cujo projeto se enquadre com os seus interesses e disponibilidade de tempo. Seja um voluntário.
Parabéns a todos os que já fizeram essa opção!"
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)