11ª Sessão Ordinária - 06/03/2007
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Boa- tarde, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores da TVAL e ouvintes da Rádio Digital Alesc.
Quero cumprimentar os companheiros praças da Polícia Militar, os subtenentes que estão aqui por uma demanda da categoria e as demais pessoas que estão assistindo esta sessão. Quero falar a todos os praças da Polícia militar e do Corpo de Bombeiros que estão nos ouvindo no estado inteiro que temos trabalhado, sim, e temos mantido a preocupação e o empenho no sentido de conquistarmos as nossas demandas, as demandas justas da categoria, pelo cumprimento integral da Lei nº 254, da realização dos cursos de cabo, de terceiro sargento, do curso de aperfeiçoamento de sargento e do curso do QOA - Quadro de Oficiais Auxiliares.
Estivemos hoje, pela manhã, nós, do gabinete, juntamente com o presidente da Aprasc, o Sargento Manoel João da Costa, em audiência com o secretário da Segurança Pública Ronaldo Benedet, para justamente tratar da volta a esse trabalho que com certeza vai ser encaminhado como sempre foi até aqui.
Mas eu queria aproveitar estes três minutos e meio que me restam para falar da visita que tivemos em nosso gabinete do haitiano Didier Dominique, que hoje está no Paraná, a convite da campanha Jubileu Sul, para falar da situação do seu país. Eu penso que nós temos, sim, que discutir os problemas mais imediatos, mais próximos, ou seja, os problemas estaduais, dos nossos municípios, do nosso país, mas temos também que discutir o assunto de interesse do nosso continente e dos outros países, até porque o nosso país está implicado.
A economia do Haiti foi desmontada nos últimos 15 anos. Como grande exportador de açúcar, o Haiti, hoje, passou a importar todo o açúcar que consome. Isso vale para a produção de arroz. A economia haitiana foi desmontada por causa da abertura para os mercados externos, na lógica que se instituiu em todo o mundo nesse período, ou seja, no período compreendido entre o final da década de 80 até hoje.
O mais grave é que neste momento no Haiti, srs. deputados, nós temos a presença do nosso Exército nacional, do Exército brasileiro comandando uma tropa internacional formada por dezenas de homens de outros países, supostamente para manter e garantir a paz no Haiti. Lamentavelmente, pela denúncia dos haitianos, está acontecendo o contrário. Eles continuam sendo oprimidos pelos paramilitares, pela polícia haitiana, com a cobertura das forças da Minustah. E aí eles estão pedindo, sim, a Minustah para que leve para lá professores, médicos, agrônomos, engenheiros e a nós que nos solidarizemos com ele, no sentido de que o Haiti tenha a sua dívida externa perdoada. Eles aceitam a Minustah, desde que não seja mais uma tropa de ocupação internacional.
Então, eu reitero aqui, como praça da Polícia Militar, como militar brasileiro, para que não reivindiquemos e aceitemos o uso de praças e militares para reprimir e oprimir qualquer povo do mundo ou o povo brasileiro. Essa é uma política definida pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Bird, a vítima é o povo haitiano e o nosso Exército está sendo usado como massa de manobra.
Por isso que estamos fazendo um apelo ao governo federal, no sentido de que reveja a posição de manter o Exército brasileiro comandando essa tropa internacional, porque uma das coisas que o Dominique disse, deputado Pedro Baldissera, é que eles lamentam muito o que está acontecendo lá. Ele disse também, com grande emoção, que os haitianos se sentem brasileiros nas Copas do Mundo, chegando a enfeitar as suas casas com a bandeira do Brasil. Sempre que o Brasil joga, especialmente na Copa do Mundo, eles enfeitam as suas casas e as ruas com as cores brasileiras. Mas não doeria tanto ao povo haitiano se essa tropa da Minustah Internacional não estivesse sendo comandada pelo nosso Exército.
Então, é preciso que façamos esta reflexão. E nós estamos aqui para defender o não-pagamento da dívida dos haitianos e a retirada das tropas militares daquele país.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)