Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

100ª Sessão Ordinária - 05/11/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados.

Quero fazer uma saudação ao povo de Joinville pela conquista da vaga na primeira divisão pelo Joinville Esporte Clube, o JEC.

Estará entre os 20 melhores times do Brasil, no ano de 2015.

Portanto, merece os nossos parabéns toda a equipe, todo o povo, toda a torcida, toda a diretoria e, evidentemente, todos os atletas do clube. É importante, é bonito vermos o futebol catarinense. Há os que não gostam e criticam àqueles que ficam gastando tempo para falar de futebol nesta tribuna, mas acho que é também um assunto importante até porque é um dos hábitos, um dos modos de viver do povo brasileiro, confraternizar, compartilhar experiências de vida e até misturar relações sociais e de classe através do esporte, especificamente, do futebol.

E ver os times catarinenses em alta é importante. Neste momento estamos com três times na Série A, entre os 20 melhores e, talvez, ano que vem, podendo ter três times novamente ou mais que três, se nenhum time cair.

Aliás, o Avaí, meu time, que está aí buscando a vaga. Estou há tempo para desabafar desta tribuna que, em virtude dessa situação, como avaiano, tenho penado barbaridade, porque o time vai e vai, mas na reta final a ter dificuldades. No ano passado já foi assim, este ano está sendo assim, e esperamos que isso reverta, porque esperança de torcedor é bem maior que a esperança de pobre. A esperança do pobre é que o próximo ano seja melhor, que a próxima safra será melhor; e a esperança do torcedor não acaba nunca, acha-se que o próximo minuto vai ser melhor, que no último minutinho sairá o gol necessário e o gol que não acontece.

Aliás, faz alguns anos ou vários anos que o Avaí não consegue marcar o gol necessário ou os gols necessários. E chega a ser agonizante para o torcedor. E olha que sou mero torcedor, raramente vou ao estádio, acompanho os jogos, quando posso, pela televisão ou então pelo rádio, mas gosto de futebol e sempre que posso vejo os jogos do Avaí, independentemente qual seja o time, desde que o time esteja jogando bem se torce, porque é bonito ver o futebol bem jogado.

Agora, o Avaí precisa de uma arrumação bem profunda que seria renovar quase tudo no elenco. O time está entre o G4, mas é terrível se ver o time que é o quarto colocado de uma série B e que não consegue ganhar em casa do time que está na zona de rebaixamento dessa mesma série. Não consegue marcar um gol, já perdeu seis dos oito jogos. É preciso, de fato, muita coragem e perseverança para torcer pelo Avaí, mas ainda esperamos ganhar, já que não ganhamos ontem do oeste, que está na zona de rebaixamento, que se possa ganhar da Ponte Preta, que é vice-líder, e que possa se ganhar do Vasco da Gama, aliás, contra o Vasco da Gama no primeiro turno já ganhamos de 5 x 0, lá em São Januário. Então, não é impossível para o Avaí essas vitórias e conquistar a vaga na série A do Campeonato Brasileiro no ano que vem.

E como dizem: Este Avaí faz coisas. Mas como disseram anteontem: Mas faz tempo que não faz. Há mais de mês ou mais que o Avaí não faz o que sabe fazer. Mas ainda dá tempo, faltam quatro rodadas e tem como se recuperar ganhando do Vasco, da Ponte Preta e de mais dois times. Evidentemente, que não estará classificado para a série A o ano que vem, mas era praticamente o líder dessa competição há um mês.

Então, as quedas, os altos e baixos acontecem também e para concluir a parte desportiva deste meu pronunciamento, quero reiterar a congratulação com todos os joivillenses que torcem pelo Avaí, todo o time, a toda torcida, dizer que isto é muito bom. E eu lembro a última vez que o Joinville esteve na Série A, foi em 1987, eu estava lá, já era policial militar, faz tempo, e o Avaí nesse ano fez uma bela competição, mas foi desclassificado nas quartas de finais, na modalidade anterior, jogando contra um dos grandes times do Brasil, que não lembro qual era, mas era do grupo dos 13, e o Joinville foi até quase a final naquele último ano participando da elite do futebol brasileiro. Parabéns ao Joinville que no ano que vem estará de volta à Série A.

Enfim, esse não era assunto principal de hoje, mas futebol sempre envolve mais tempo do que deveríamos gastar com ele. Quero ler uma nota, uma notinha do Visor, do Jornal Diário Catarinense, do dia 4 de novembro, na coluna Rafael Martini, página 2.

(Passa a ler.)

"Portas Abertas

Prefeito Castelo Deschamps aderiu à onda da gratidão inaugurada pelo governado Colombo. É que esta semana o Estado assina convênio com a entidade filantrópica Camilianos do Sul para gerir o hospital regional de Biguaçu. As portas da instituição, que vai atender 70% do SUS e 30% particular, abrem em dezembro." [sic]

Para quem não tem acompanhado alguns discursos oficiais de que o estado não gasta dinheiro para favorecer a iniciativa privada, inclusive nos serviços essenciais e na saúde, esse hospital de Biguaçu foi construído com dinheiro público ou também com dinheiro do município de Biguaçu e do governo do estado de Santa Catarina. Aliás, quem foi lá e garantiu que o hospital fosse concluído foi o governo do estado. E agora está todo mundo feliz porque ele vai abrir e porque a organização social Camilianos do Sul vai gerir o hospital de Biguaçu que vai atender 70% pelo SUS e 30% particular.

E aí cai a primeira verdade absoluta, dita inclusive, nesta tribuna, nos últimos anos, de que não existia e não existiria fila dupla ou dupla fila ou duas filas nos serviços de saúde, onde o estado estivesse injetando recursos. E o governo do estado estará injetando, como já injetou para construir hospital, recursos para gerir o hospital de Biguaçu que atenderá 30% particular. Estão aí duas filas, senhores defensores do serviço público, somente no discurso, porque a prática é essa. As duas filas estão oficializadas com dinheiro público, inclusive no hospital de Biguaçu. Isso está no Diário Catarinense. A não ser que alguém jogue novamente a responsabilidade ao jornalista. Como é que vai fazer para separar a fila do SUS da outra fila, da particular, no hospital de Biguaçu? Quais serão os critérios? Há a fila dos pobres e a fila dos outros.

Eu teria, evidentemente, muito mais para levantar, e pretendo fazer isso, quanto de recurso público foi utilizado para aquele hospital. Será que o serviço básico de saúde elementar nas cidades de Biguaçu, São José e de Palhoça está funcionando minimamente? Será que o município está fazendo o elementar, apenas o que a Constituição obriga fazer? E vamos trazer aqui os dados de quanto de dinheiro público foi investido para um hospital privado, para um hospital que vai cobrar, pelo menos, para 30% da demanda.

E quando se fala e se diz que este país não é um país igualitário, não é um país que respeita a própria Constituição, há fundamento nisso, porque o mesmo estabelecimento vai ter uma fila para pobres e uma fila para ricos ou para os remediados, que têm um plano de saúde. Setenta e cinco por cento dos catarinenses, não estou falando dos brasileiros, estou falando dos catarinenses, não têm plano de saúde. Vão para lá ficar esperando a hora que não tiver ninguém com plano de saúde ou ninguém com dinheiro para ser atendido antes. "Ah, mas não é isso que vai acontecer!" É isso, sim, duas filas oficializadas na saúde, no estado de Santa Catarina, financiadas, inclusive, com dinheiro público do governo do estado. Esta é a lamentável realidade.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)