79ª Sessão Ordinária - 04/10/2006
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. presidente, srs. deputados, quero inicialmente cumprimentar todos os colegas que foram reeleitos ou eleitos para deputado federal. Sr. presidente, pensei muito nesse período sobre o que falar, o que interpretar das urnas, da voz, digamos assim, da democracia, porque há algumas questões que não entendemos e muitas delas estão relacionadas à posição de pessoas sobre determinados fatos, determinados assuntos, que mudam conforme o local onde acontecem ou estão ligados a quem acontece, e infelizmente, parte da nossa imprensa catarinense também vai pelo mesmo caminho.
Em Santa Catarina tivemos um fato no qual o recurso envolvido era maior do que o federal, o que dá uma dimensão de como são tratadas de maneiras diferentes questões que deveriam ser tratadas com a mesma veemência e com a mesma exigência.
Observamos, no governo federal, a prisão de cidadãos de posse de R$ 1,7 milhão. Isso saiu na capa dos principais jornais de Santa Catarina e acho correto, é uma notícia relevante! Mas por que não sai na capa de jornal a prisão do assessor da Fazenda com R$ 2 milhões na sua casa? Porque se formos comparar, proporcionalmente, a dimensão de um governo federal com a de um estado, será muito mais, mas aí não dá capa! Só dá capa num jornal de Joinville. Aliás, temos que elogiar a postura desse jornal e condenar a atuação dos outros, porque não são imparciais. Tratam conforme quem cometeu ou conforme o aliado de quem cometeu, o tamanho, a dimensão da matéria, da cobertura e da notícia.
E a mesma coisa, srs. deputados, temos que dizer dos algozes do governo federal, que são tão ávidos em denunciar, em exigir explicações, em querer saber de onde veio o recurso, quando é do governo federal e quando é dos seus aliados, mas aqui no estado eles são mudos, surdos, não querem saber. Aliás, fogem do assunto.
Então, que ética é essa pregada por essas pessoas? Que democracia eles pregam para querer investigar quando é de um adversário e querer acobertar quando é de um aliado?
E neste aspecto temos que tirar o chapéu para o governo Lula, porque muitos dos seus companheiros foram denunciados, foram investigados e foram condenados sob o seu governo, com a polícia de estado podendo agir livremente e podendo investigar quem quer que fosse, sem usar o poder da arbitrariedade para abafar quando é dos seus aliados, coisa que por aqui é prática comum.
Então, acho que nós precisamos repensar, na nossa história, na nossa luta, essas situações. Por que os aliados podem e os adversários não podem? Se nós defendemos algumas questões que os nossos aliados podem fazer, todos podem. Se os adversários não podem, é lógico que os aliados também não podem. Acho que é importante essa reflexão nesse segundo turno que aí está.
E eu até faço questão de ler, nesse mesmo jornal Gazeta de Joinville do dia 29 de setembro a 1o de outubro, o trecho de uma carta que não é anônima, está aqui assinada pelo sr. Francisco José Hansen, cujo RG está aqui estampado. Na carta do leitor ele fala seguinte:
(Passa a ler)
"Acompanhando o horário eleitoral gratuito, e ainda leio todos os folhetos de candidatos deixados na caixa de correspondência do meu edifício, fiquei com algumas dúvidas que gostaria de poder esclarecer.
Por que o senador Jorge Bornhausen se mostra tão indignado, exigindo saber a origem e o destino do dinheiro do dossiê em Brasília, e tão silencioso sobre o escândalo da Operação Dilúvio, que envolveu a Secretaria da Fazenda do Estado e que até agora ninguém explicou a origem do dinheiro e a sua finalidade.
Os dois escândalos deveriam merecer a indignação de todos. Afinal, aqui não faltaram imagens contundentes do principal assessor, Aldo Hey Neto, e dos mais de R$ 2 milhões em notas pequenas guardados em suas casas, parte aqui e parte no Paraná.
Do candidato a vice, Leonel Pavan, que também está sob suspeita da Polícia Federal, no caso da montagem da televisão de sua família, ninguém fala nada. Por quê? Alguns escândalos são menos escandalosos que outros? Tem até foto de Pavan com Ernesto Plascência San Vicente, traficante do cartel Juarez. E os aliados não falam nada.
Acho que a população precisa estar atenta, porque quando aliados se unem e entre a sua prática está o acobertamento de ações, cuidado! Cuidado, porque sabe-se lá o que podem acobertar no futuro".
Vamos estar atentos porque quando o dedo é muito duro em direção ao adversário, e muito silencioso em relação aos aliados, vamos ficar de olhos abertos, porque o verdadeiro parlamentar, o verdadeiro político, o verdadeiro ser humano, com decência, ele denuncia a ilegalidade, a irregularidade, onde ela estiver.
Não existe crime que é crime só para adversário e não é para o aliado. Acho que esta questão nós temos que ter presente e analisar, inclusive, volto a insistir, alguns dos famosos meios de comunicação de Santa Catarina, que quando é contra o PT são algozes, são violentos, são mancheteiros, e quando é do governo do estado passa nas entrelinhas, e nós ficamos passando a impressão de que ali pode. Alguns podem outros não podem.
Então, acho que são importantes estas reflexões e agradeço a todos aqueles que acreditaram no nosso trabalho. Não conseguimos a reeleição, mas a minha luta, que é a luta que sempre fiz durante os 22 anos que estou em Jaraguá do Sul vai continuar, com certeza, onde quer que eu esteja.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)