Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Herneus de Nadal

52ª Sessão Ordinária - 06/08/2003

O SR. DEPUTADO HERNEUS DE NADAL - Sr. Presidente e Srs. Deputados, neste Parlamento por muitas e muitas vezes, por conta dos temas que aqui são discutidos, são debatidos, a veemência toma conta do Plenário e dos Srs. Parlamentares.

No entanto, é sempre bom ter presente em mente que por mais importantes que sejam os assuntos aqui discutidos nós precisamos manter a serenidade, o equilíbrio e por que não, Srs. Deputados, a compostura.

Toda vez, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que o Parlamentar faz uso de expressões inadequadas, de termos hostis, é porque com certeza, Deputado Manoel Mota, os argumentos e a razão são extremamente frágeis, não resistem a um debate mais qualificado, que deve ser de idéias, de posições, de programas e discussão, de ações que visem a melhoria social do nosso Estado, dos Municípios e do nosso País.

Portanto, o termo utilizado adestramento não qualifica o debate. Pelo contrário, de forma que não condiz, inclusive, com o educador, Padre Pedro. O termo significa treinamento. E quando se refere a um cidadão e não a um integrante da espécie animal, se usa o termo educar e não treinar.

E nós, Deputado Manoel Mota, não vamos, mesmo de forma metafórica, não vamos utilizar este termo para qualificar nenhum Parlamentar e nenhum Partido Político, nem sequer, Deputado Joares Ponticelli, para qualificar pupilos de ex-governantes.

Nós temos uma relação sadia, madura, equilibrada, independente e harmoniosa, como manda a nossa Constituição com relação ao Poder Executivo.

E este Deputado, há mais de 20 dias, fazia afirmação nos jornais de que se a Bancada do Partido Progressista Brasileiro não fizesse a solicitação da CPI, nós o faríamos.

Reiterei a afirmação que circulou em todos os jornais, em todos os meios de comunicação durante o final de semana, e que também constava na imprensa no dia de ontem, Deputado Manoel Mota, não para manifestar a oportunidade política do evento e o seu efeito mas, sim, para que pudéssemos de fato mostrar à sociedade do nosso Estado que Santa Catarina não foi retirada do cartório, que a dívida é de 15 bilhões.

O Governador Luiz Henrique da Silveira não é Luís XV, porque tem tido postura, tem sido de fato um governante e precisa ser respeitado como tal. Ele venceu as eleições. Mesmo contrário à opinião de muitos, é o Governador do Estado, portanto, deve e precisa ser respeitado como tal.

Mesmo assim, Srs. Deputados, nós mantemos aqui a serenidade, o equilíbrio que deve nortear o nosso procedimento e os nossos passos.

Termos utilizados aqui não correspondem à maturidade da esmagadora maioria dos Srs. Parlamentares. São termos mentirosos, referindo-se a Partido Político, como foi feito aqui na tarde de hoje à minha agremiação partidária, que prestou relevantes serviços a este País e que ocupa ainda, nos dias de hoje, uma posição de grande destaque, mas que ainda tem graves e vários desafios a superar.

Referir-se a esta sigla responsável pela democracia no nosso País - e não só pela democracia política -, a uma sigla que tem como desafio também contribuir com o atual Governo, para que se faça justiça social e justiça econômica na nossa Pátria, referir-se a este Partido de forma equivocada, mostrando a pequenez de espírito de idéias, com certeza confronta com os princípios não só deste Parlamentar como de todo o povo catarinense.

O Governador Luiz Henrique da Silveira deve, merece e precisa ser respeitado não só pelo Deputado Joares Ponticelli como também pela sociedade catarinense. É um homem que está no exercício do mandato e se não pertence à cor partidária daquele que se manifestou agora há pouco da tribuna, de forma desrespeitosa, é porque optou por seguir um outro caminho, que é o caminho da luta pela anistia, da luta pelas diretas já no nosso País, contrariamente àqueles que o denominam de pupilo.

Nós temos uma posição e temos compromissos a cumprir e a seguir. Vamos fazê-lo, Deputado Manoel Mota, sem atingir, sem ofender, sem desrespeitar e sem machucar. Vamos fazê-lo dentro dessa nova ordem política vigente no nosso País, vamos fazê-lo de forma civilizada, responsável, sem agressões que venham a denegrir, a diminuir a imagem de quem quer que seja.

Vamos continuar mostrando que cumprimos com nossos compromissos de campanha, que descentralizamos o Poder em Santa Catarina e que redistribuímos os cargos que estavam concentrados na Capital do Estado, porque temos uma meta, ou seja, inverter a marca negativa que envergonha o nosso Estado de ser o primeiro da nossa Federação em êxodo rural.

Nós queremos fazer com que as pessoas possam manter-se em seu meio e que a migração não cause as seqüelas que originam o crime, a marginalidade, a delinqüência e tantos outros efeitos nefastos que ocorrem, que acontecem e que são registrados por conta desse fenômeno tão negativo.

Esse é o nosso desafio: construir uma sociedade mais justa, mais fraterna, sem agressões, sem ataques. Mesmo, Deputado Manoel Mota, quando se tem possíveis vitórias como tivemos ontem, não tripudiamos, não humilhamos, não dizemos que ninguém foi para a lona, porque dentro da democracia e do espírito público que deve nortear os nossos destinos precisamos ter em mente que em um determinado dia poderemos também não alcançar o nosso objetivo, mas sempre que o fizermos vamos fazê-lo com respeito e consideração a todos os Parlamentares e às autoridades constituídas, para não demonstrar a dor de cotovelo, o azedume ou a raiva por não aceitar os resultados eleitorais.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)