Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

57ª Sessão Ordinária - 18/08/2005

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, srs. Deputados, conterrâneos que nos assistem pela TVAL e aqueles que nos honram com a sua presença, nesta Casa, aos quais saúdo respeitosamente.

Como o tempo é muito pequeno, é quase que para um discurso de Enéias, o que não é o meu caso, às vezes sou meio prolixo, quero ater-me a algumas manchetes da imprensa do dia de hoje.

"Banco Central mantém juros altos: 19,75%". É evidente que os bancos precisam bater novos recordes de lucro neste país. O sistema financeiro precisa bater novos recordes de lucro neste país, por isso precisam manter os juros altos.

"Falências crescem 30% em julho". É evidente que o setor produtivo não está conseguindo arcar com o custo do dinheiro e também com esse descompasso porque apostou muito no mercado externo, nas exportações.

"Crescem as falências, cresce também o desemprego". Mais uma manchete triste, mas é verdade.

"Cheques pré-datados para 90 dias aumentam em 90%". É o aperto, é o endividamento das pessoas, que recorrem ao instituto dos cheques pré-datados. Ah, meu Brasil, brasileiro!

"Greve de 77 dias do INSS termina". "Segurados do INSS passam a noite na fila". Pobre povo, operário, trabalhador, velhinho aposentado. Ah, meu Brasil, que judia tanto desses brasileiros sofridos que construíram a sua história!

"Justiça e Ministério Público fazem ato contra a corrupção". Esta é uma notícia boa. Estou solidário a esse ato. É hora de o Ministério Público e de a Justiça, que têm credibilidade, sim, movimentarem-se contra essa podridão que assola o nosso país, que é a corrupção!

"Brasília vive dia de - Fora, Lula". É uma pena. Fizeram ontem contra Fernando Henrique Cardoso, têm que engolir isso hoje. Eu não ouso dizer: Fora, Lula. Lula vai ter que enfrentar o embate eleitoral do ano que vem também. Acho que ele deve disputar a eleição, até para explicar no debate o que aconteceu, o que ocorreu.

"O PT pede desculpas, mas não pune". Eu não sei o que é que ocorre nas internas. Aqui, Luiz Henrique, a Polícia Civil, através do seu comandante, ousou fazer uma bobagem e foi punido sumária e imediatamente. Lá em cima convivem porque eu acho que é um balaio de siri. Se punirem, daqui a pouco podem ter que ampliar e universalizar a punição.

"PT pede desculpas, mas não pune". "Preso ex-assessor do Ministro Palocci". Eu quero dizer o seguinte: gostaria que o Palocci continuasse blindado, porque o Palocci está, bem ou mal, segurando a economia do país.

Eu acho que se ele conviveu com uma pessoa que depois se revelou um delinqüente, essa pessoa tem que ser presa. Mas por conta da prisão do seu ex-assessor, não lhe imputo culpas. Não estou fazendo isso.

"Rejeitado o aumento do salário mínimo". Salário mínimo tão anunciado, cantado em verso e prosa. Salário mínimo, a grande meta, o grande projeto, a grande proposta, a grande promessa do Partido dos Trabalhadores!

"Rejeitado o aumento do salário mínimo". São essas as manchetes.

E aí partem com toda a ira, com toda a indignação para cima do Governador de Santa Catarina. Eu acho que se nós tivéssemos um espaço maior para travar um debate... Eu escoro o debate. O debate pode ser encurralado, embretado na cancha reta das coxilhas. Eu escoro o debate. Argumento nós temos de sobra, porque eu não sofro de amnésia, eu não esqueço do que ocorreu!

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Pois não!

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Deputado Francisco Küster, ao prestar atenção no pronunciamento de V.Exa., eu me lembrei de uma historinha de Curitibanos. Havia dois agricultores: um descobriu que o seu vizinho estava roubando cargueiro de milho. Aí ele chegou e disse: "Você está roubando o meu cargueiro de milho". O outro negou. "Não, não é verdade". "Está roubando porque eu vi". Aí ele se virou e disse: "É verdade, só que o cargueiro só tinha a metade de milho. Não estava cheio".

Assim está a história de hoje. Fizeram essa lambança toda e chegam para a nação brasileira e dizem assim: perdoem-me, eu errei. Não, isso não está certo.

O Deputado Afrânio Boppré tem tido uma postura nesta Casa que eu elogio. Elogio muito a postura do Deputado, com toda a clareza. E conversando com ele ontem, sei que está tão chateado quanto nós com este episódio.

Mas só pedir perdão, desculpa, não resolve o problema, não! Eu acho que tem que pedir perdão e desculpa e devolver o que meteram a mão no jarro, porque senão fica a história do cargueiro de milho. Não roubei o cargueiro inteiro, só a metade.

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KUSTER - Deputado Onofre Santo Agostini, o povo brasileiro é bom. Ele até perdoa, mas não esquece. Espero que não esqueça.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)