Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Simone Schramm

35ª Sessão Ordinária - 19/05/2005

A SRA. DEPUTADA SIMONE SCHRAMM - Bom-dia a todos!

Gostaria de registrar que na noite de ontem tivemos a posse da nova diretoria da Câmara de Dirigentes Lojistas do Município de Joinville, onde tive a oportunidade de representar o Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Julio Garcia.

Foi uma festa muito bonita, Sr. Presidente, onde todos os lojistas estavam prestigiando a despedida do nosso amigo Gilson Bohn, que foi reconduzido por dois mandatos e que agora se despediu da sua atividade como Presidente. Na oportunidade, assumiu o Sr. José Manoel Ramos, lojista, conhecido empresário de nossa cidade, que certamente irá conduzir com o mesmo entusiasmo, com o mesmo comprometimento, a CDL de Joinville.

O Governador Luiz Henrique da Silveira estava presente. Ele chegou às 22h, em função de uma inauguração em outro Município, mas deu sua mensagem e foi agraciado pelo ex-Presidente Gilson Bohn, como também pelo Presidente que assumiu. Na oportunidade, tivemos também a presença de muitas lideranças.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, os jornais de hoje trazem com muita tristeza a questão do resultado do desaparecimento da menina Andressa, de Criciúma. E por muitas vezes já coloquei, nesta Casa, para ser discutido o nosso projeto, que solicita à Secretaria da Segurança que sejam tomadas medidas no Estado de Santa Catarina com relação à necessidade de uma delegacia específica de investigação para pessoas desaparecidas.

Srs. Deputados, é necessário que exista essa delegacia porque a mãe dessa menina desaparecida, algumas semanas atrás, fez um apelo aos vizinhos, aos amigos, no sentido de conseguir recursos, porque é uma pessoa carente, para pagar um investigador, a fim de que ele encontrasse algum vestígio da filha. Após essa semana, constatou-se que o desaparecimento da menina Andressa culminou com o assassinato, com a sua morte e o suspeito é um senhor de 71 anos.

Então, imaginem V.Exas. a angústia dessa mãe ao saber que a sua filha saiu de casa para ir à escola e não voltou mais. Quando a Andressa chegou na escola, ela foi dar, depois de alguns minutos, um telefonema num orelhão, e ao voltar, segundo o que disse uma colega sua, certamente foi indagada por esse senhor de 71 anos. O que poderia ela imaginar? Que ela estaria correndo perigo naquele momento? E hoje os jornais confirmam que realmente ela foi assassinada, existe até suspeita de que ela tenha sido enterrada viva.

Então, imaginem a angústia, o sofrimento dessa mãe que está internada por abalo emocional, por uma coisa tão terrível que aconteceu com a sua filha!

Nenhum de nós está livre disso. Nós temos inúmeras situações acontecendo em nosso Estado, a exemplo do menino Felisberto, de Barra do Sul, que há mais de um ano desapareceu e ninguém sabe do seu paradeiro. Mas no site da Secretaria da Segurança Pública não está inserido o seu desaparecimento.

Então, já nos próximos dias teremos uma audiência com o Secretário Ronaldo Benedet para tratar desse assunto, pois o Besc, o Banco do Estado de Santa Catarina, Deputado Dionei Walter da Silva - eu estive lá com o Presidente Mescolotto -, será nosso parceiro, no sentido de serem colocados cartazes que estarão afixados em todas as agências bancárias do nosso Estado, divulgando as imagens das crianças desaparecidas de Santa Catarina.

Visitamos o Supermercado Angeloni, a rede Sesi, a fim de conseguirmos tíquetes para angariar fundos em prol das pessoas carentes, a exemplo da menina Andressa. Porque eu não gostaria de ver mais fatos como esses serem abordados pelos jornais do nosso Estado. Então, temos que tomar medidas com relação a isso.

Gostaria, também, de aproveitar a oportunidade, com muita tristeza, para falar de uma matéria que saiu na Folha de S.Paulo, durante esta semana, que envergonha muito o nosso País.

(Passa a ler)

"O Brasil ocupa o 51° lugar em um ranking de 58 países sobre a diferença de direitos entre os sexos."

Acho que foi por isso que ontem, Presidente Julio Garcia, eu me alterei, nesta Casa. Até peço desculpas ao Deputado Valmir Comin, que presidia esta sessão. Mas nós não conseguimos suportar mais a questão da mulher ser ultrajada, afrontada e foi o que eu senti no dia de ontem.

(Continua lendo)

"Esses dados foram divulgados pelo Fórum Econômico Mundial e avalia a diferença de remuneração entre homens e mulheres, representatividade política, acesso à educação, saúde e bem-estar. Ficamos para trás de Zimbábue, que ocupa o 42° lugar, da Indonésia, que ocupa o 46° lugar, da Venezuela, que ocupa o 49° lugar.

Diz a matéria que o campo onde o Brasil se saiu melhor foi o das oportunidades econômicas no qual figura em 21° lugar. O texto que aponta o documento faz uma análise e diz que o problema do Brasil não parece ser a falta de oportunidade econômica, mas, sim, uma vez que as mulheres estão no mercado de trabalho, dar-lhes acesso à educação e à capacitação, além de direitos básicos, como a representatividade política e a assistência social.

As brasileiras, segundo o relatório, ficam também na primeira metade do ranking no que diz respeito à educação, em 25° lugar. Mas estão mal colocadas em participação econômica, no 46° lugar, e em saúde e bem-estar, pasmem, Deputados, em 53° lugar."

É uma vergonha! E eu, como mulher, sinto-me ultrajada. Nós temos que nos unir e trabalhar pela condição de igualdade de direito entre homens e mulheres neste País!

"No ranking geral, o Brasil perde para todos os seus vizinhos da América Latina, ficando na frente apenas do México, que está em 52° lugar."

É lamentável o resultado da pesquisa divulgada esta semana. No meu entendimento, o Brasil ainda é um País machista, que ainda não deu a importância e o devido valor à mulher, e um dos exemplos é a questão salarial. E Santa Catarina é pioneira nisso, pois é onde há a maior diferença salarial entre e homens e mulheres que exercem a mesma atividade laboral. Perdemos até para o Estado da Paraíba!

(Continua lendo)

"É lamentável o resultado da pesquisa divulgada ontem. No meu entendimento, o Brasil é um País machista, que ainda não deu a importância devida à mulher. Um dos exemplos vem na questão salarial; o rendimento da mulher com 11 anos de estudo alcança apenas 58,6% do que um homem, nas mesmas condições, ganharia. Comungo das mesmas idéias dos pesquisadores, cientistas sociais, que o fim das discriminações entre homens e mulheres é um objeto longínquo no País. É, sem dúvida, como diz o editorial da Folha de S. Paulo, uma dura realidade econômica e cultural, com raízes históricas e que por isso mesmo deve ser enfrentada com mais determinação pelas instâncias governamentais e sociais capazes de induzir às mudanças. Nós, mulheres, ocupamos um papel importante na sociedade, basta sermos reconhecidas e termos as mesmas igualdades de condições."

Nós, mulheres, temos que nos unir nessa batalha! E a bancada feminina já tem data marcada, no mês de junho, para percorrer toda a região de Santa Catarina, a fim de conclamar todas as mulheres que têm representação no Legislativo, no Executivo, Deputado Djalma Berger, que trabalhem no sentido de acabar com essa diferença considerável entre homens e mulheres com relação à questão laboral de nosso Estado. É inconcebível que mulheres e homens, que exercem a mesma atividade laboral, tenham diferença salarial de até 70%. Isso é vergonhoso e eu, como catarinense e mulher, vou trabalhar por isso.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)