94ª Sessão Ordinária - 30/11/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. e srs. deputados, faço uma saudação muito respeitosa aos conterrâneos que nos acompanham pela nossa exitosa TVAL e pela Rádio Alesc.
Sr. presidente, quero tratar de um assunto um tanto quanto árido para o público interno desta Casa, mas que interessa de um modo geral à classe política.
Antes, porém, quero fazer o registro, uma vez mais, de um esclarecimento que as autoridades estão devendo a todos nós, catarinenses. É a respeito de um misterioso caso de uma bagatela, sr. presidente, de R$ 360 milhões que apareceu em uma conta bancária em Tubarão, ou seja, na conta de um ancião que mora no Rio de Janeiro, que não tem nada a ver com esse dinheiro.
Dizem até que alguns espertalhões tentaram habilitar-se para reaver este dinheiro, e isso acabou provocando um curto circuito interno, lá na agência de Tubarão. Isso até hoje não está suficientemente explicado. Como é muito dinheiro, seria bom que as autoridades, ou quem de direito explicasse melhor essa situação. Quem era o dono? Qual o destino deste dinheiro?
De vez em quando sai alguma coisa na imprensa sobre o assunto. Recentemente, saiu uma notícia, acho que no veículo de comunicação que levantou essa lebre. Lebre nada, isso é um mastodonte, um elefante daqueles pré-históricos, porque R$ 360 milhões é muita grana, deputado Reno Caramori, e ninguém sabe quem é o dono.
Como já disse, disseram que dois espertalhões tentaram se habilitar, mas parece que não ficou devidamente comprovado que seriam os donos mesmo. Então, é mais uma provocação, no bom sentido.
Sr. presidente, hoje não vamos criticar ninguém, deputado Paulo Eccel, em absoluto, vamos falar na reforma política. Se vamos criticar, vamos criticar os políticos como um todo; o Congresso Nacional que ameaça fazer um remendo, apelidado de reforma política, e não faz nem uma coisa e nem outra.
Quero externar meu ponto de vista pessoal: primeiro, não acredito que façam mais alguma coisa apelidada de reforma política, não existe mais tempo hábil, ou condições legais, constitucionais para que tal ocorra ou aconteça.
Portanto, é chegada a hora de parar com esta panacéia. Não fizeram nada e tiveram três, quase quatro anos para fazer e não fizeram a lição de casa. Agora, deixem de criar falsas expectativas. Parem de tentar enganar e ludibriar a opinião pública, dizendo que vão fazer uma reforma.
Deputado Reno Caramori, se resolverem fazer alguma coisa vão praticar um ato repudiável, um ato casuístico, apenas e tão-somente para atender interesses restritos destes que ousam dizer que representam o povo, mas que trabalham muito pouco pelo povo.
E faço uma justa ressalva à nossa representação catarinense, aos nossos deputados federais e senadores, pois os coloco acima da média nacional. Porque a média nacional está devendo ao Brasil e aos brasileiros.
É por isso que eu, na condição de parlamentarista, tenho minha opinião formada a este respeito, porque no parlamentarismo não existe tempo para desperdício de tempo. No parlamentarismo governa quem compõe, quem forma um gabinete a partir do Congresso Nacional, quem tem maioria para governar. E é um sistema de resultado, ao contrário do presidencialismo, que é um laboratório de crises que se multiplicam. O parlamentarismo será uma solução para a democracia brasileira. Talvez um dia isso ocorra, mas antes disso muita coisa ainda tem que acontecer.
Não vou falar do teatro do mensalinho, do mensalão ou de outras coisas. Mas vou falar apenas do processo político eleitoral que se avizinha e que, a meu ver, salvo melhor juízo, se dará por conta das regras existentes, dada a incapacidade de tempo e de cobertura legal e constitucional para que as alterações possam se dar.
Por isso, sr. presidente, srs. deputados, esperamos que os partidos políticos comecem as suas tratativas.
Hoje eu vi pela imprensa uma notícia atribuída ao PSDB, alguns desentendimentos, o que não é verdade. O Partido da Social Democracia Brasileira segue a orientação nacional, esta é a verdade nua e crua, esta é a verdade verdadeira.
Eu conheço esse partido, eu sou fundador, aliás, sou o filiado número um, alguns novatos do PSDB nem sabem disso, mas sou filiado número um e fui seu presidente por cinco anos, e conheço bem este partido. As determinações vêm de cima, em duas oportunidades ousei insurgir-me contra as determinações e custou-me muito caro.
Eles agem como deve agir um partido político. Eles determinam que as coisas sejam de uma determinada forma, e terão que ser. Por isso não adianta dizer que existe desentendimento, porque não existe. Temos uma liderança maior, que é o senador Leonel Pavan, e seguimos essa liderança. E quero crer que os nossos prefeitos, deputados, secretários, vereadores, de igual forma vão seguir.
Não existe desunião, não existe desentendimento no PSDB. O que existe, não raras vezes, é o que é salutar à sua existência, que é o debate democrático, através dos quais os companheiros externam posicionamentos. Mas na hora da decisão haveremos de marchar, unidos, para uma única direção.
Vamos externar, aqui, desta tribuna, oportunamente, o nosso desejo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)