65ª Sessão Ordinária - 11/09/2001
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, mais uma vez de forma incansável assomo à tribuna desta Casa para tentar sensibilizar as autoridades do Estado de Santa Catarina, como o Governador, o Secretário da Segurança e o Comandante da Polícia Militar.
Trago os jornais da minha cidade, Criciúma, que mostra que a insegurança que vive o nosso povo passou dos limites. A situação do cidadão criciumense é de viver a sensação da insegurança. A segurança pública é de responsabilidade do Estado, que não tem dado a segurança merecida e garantida constitucionalmente.
Estamos criando uma Comissão Parlamentar Externa que trata da segurança pública na cidade de Criciúma e região, composta pelos Deputados Júlio Garcia, Valmir Comin, José Paulo Serafim e este Deputado, tendo como Presidente da Comissão este Deputado e como Relator o Deputado José Paulo Serafim.
Temos constatado uma série de dificuldades e irregularidades, falta de atenção, falta de efetivo policial, problemas no presídio, no relacionamento do Ministério Público com a Polícia Civil, um adequado tratamento para a marginalidade juvenil, infantil e infanto-juvenil, problemas na Polícia Civil e desemprego, que não é só em Criciúma, mas é grave em nossa cidade. Não importa mais à sociedade de Criciúma de onde vêm as causas, porque está sofrendo os efeitos e não suporta mais viver com insegurança.
O jornal da Manhã, de segunda-feira, trouxe a seguinte manchete: "Final de semana violento volta a preocupar os criciumenses. Sete assaltos foram registrados na cidade desde o início do feriadão da Independência".
Não bastasse o que aconteceu no feriadão, novamente aconteceram assaltos aos postos de gasolina e ontem um casal ficou na mira dos ladrões. Um dono de posto de gasolina foi agredido na garagem de sua casa, no centro, em assalto praticado por dois homens armados e encapuzados.
Ontem, estivemos em Criciúma para participar de uma reunião com o Conselho Tutelar, com uma comissão no bairro Santa Luzia e a Escola João Franceto, com a finalidade de unidos combatermos a violência pedindo paz, além de participarmos de uma reunião com a Polícia Civil.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr. Governador, Sr. Secretário da Segurança e Sr. Comandante da Polícia Militar, o povo de Criciúma não suporta mais a situação que está vivendo. Pedimos urgência e já estivemos nesta tribuna para suplicar, mas agora queremos exigir a segurança que temos direito, para que possamos deixar as nossas famílias e os que trabalham fora em segurança.
Estivemos na Unesc e lá conversando ontem sobre a pesquisa da criminalidade em Criciúma, o vice-Reitor disse que não podia participar da reunião porque tinha que tratar sobre o assalto que sofreu no final de semana em sua casa.
À noite estávamos na quermesse e eu estive conversando com dois proprietários de empresas de vigilância, uma inclusive atende de Blumenau até Criciúma, que disseram que a cidade que mais tem problemas na segurança pública é a cidade de Criciúma. O outro proprietário disse que a empresa que ele cuida foi assaltada com o seu guarda armado e foi roubado o posto de gasolina onde guardava uma empresa.
O gerente do BIG, na nossa cidade, um dos patrocinadores da festa, da nossa quermesse, foi chamado pelos filhos pois o seu carro havia sido roubado naquele momento causando um estado de pânico.
Todas as pessoas que conversei no dia de ontem em Criciúma já tinham sofrido algum tipo de assalto, de furto, tinham sido violentadas em sua segurança, porque se sentem muito inseguras até chegarem em casa, que corre o risco também de ser arrombada. Vi, ontem, em Criciúma, escrito em um automóvel - olha ao cúmulo que nós chegamos, Deputado Manoel Mota -: já fui assaltado! Isso estava escrito num carro!
Pedimos a atenção do Sr. Secretário da Segurança, do Comandante da Polícia Militar e, principalmente, do Sr. Governador no sentido de mandar, urgentemente, para a cidade de Criciúma um reforço, uma equipe do Deic para investigar a criminalidade lá existente e mais homens do Comando da polícia para fazer segurança ostensiva à nossa cidade, colocando polícia nas ruas.
As pessoas estão sendo seqüestradas atrás da igreja, como aconteceu com uma senhora que denunciei desta tribuna na semana passada. E não falo os nomes das pessoas para não constrangê-las, porque estamos lidando com criminosos, pois, infelizmente, parece que eles dominam a cidade e sabem da fraqueza da nossa segurança pública. Os marginais, os criminosos parece que têm a sensação da impunidade.
Por isso nós vamos precisar de uma ação forte da segurança pública em nossa cidade, pois a sensação de insegurança que temos é comparável a que está vivendo o povo de Nova Iorque, nos Estados Unidos, porque de repente, os civis, o cidadão honesto, decente que não tem nada a ver com as brigas internacionais do Governo americano, recebe ataque de terroristas.
E quem está padecendo, quem está em insegurança, quem está aflito é o povo de Criciúma, o cidadão comum do mais pobre ao mais rico. Não existe estado de segurança, todos estão inseguros. Aliás, os mais pobres são os que mais sofrem, porque quando um cidadão compra uma televisão a prestação e vê sua casa roubada, assaltada, perdendo tudo, entra em desespero porque tem que continuar pagando a prestação dessa televisão que foi comprada com muito sacrifício e depois roubada, sofrendo muitas vezes mais do que um que tem seguro.
Mas a sensação de insegurança é igual tanto para o pobre como para o rico. Tanto para quem vive em melhores condições como para quem vive em piores condições.
Por isso precisamos com urgência de uma ação social na nossa cidade de emprego, de trabalho e, acima de tudo, de segurança. A emergência é no sentido de sentirmos que temos segurança na nossa cidade. E a segurança pública é uma responsabilidade do Governo Estadual.
Então, estamos cobrando do Sr. Governador do Estado, do Sr. Secretário da Segurança e do Comandante da Polícia uma atitude enérgica e imediata na cidade de Criciúma, porque o povo criciumense não suporta mais esse estado de insegurança.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)