72ª Sessão Ordinária - 01/08/2000
O SR. DEPUTADO JAIME DUARTE - Sr. Presidente e Srs. Deputados, faço uso da palavra neste espaço reservado ao meu Partido PPS, para fazer, a meu juízo, importante registro.
A Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembléia, lançou um panfleto, um manifesto a favor da paz, contra a violência, como já fez a ONU, que considerou o ano 2000 o ano da cultura da paz.
Estamos vendo no mundo inteiro e também no Brasil, uma série de atos violentos, de crimes bárbaros. E na verdade não adianta querermos operacionalizar o poder do Estado, o aparelho do Estado, com mais segurança, com mais polícia, com mais equipamento, se não houver um repensar das atitudes humanas.
Por isso a Comissão de Direitos Humanos está também se incorporando neste manifesto mundial pela paz, contra a violência, lançando um panfleto, no nosso entendimento, muito bem elaborado que passaremos, a partir de agora, a divulgar em todo o Estado de Santa Catarina.
Este manifesto trata e alguns pontos gostaria de destacar. Primeiro o respeito a todas as formas de vida. Respeitar a vida e a dignidade de cada ser humano, sem discriminação e nem preconceito.
Rejeitar a violência. Praticar a não violência ativa, rejeitando a violência em todas as suas formas, física, sexual, psicológica, econômica e social. E particularmente em relação aos mais pobres, às crianças e aos adolescentes.
O ponto três deste manifesto trata da generosidade. Hoje o que verificamos é as pessoas sem nenhuma ou muito pouca generosidade, agindo muito na linha dura e na intolerância. É preciso que as pessoas compartilhem do tempo, dos recursos cultivando a generosidade, visando o fim da exclusão, da injustiça e da opressão política econômica.
O ponto quatro deste manifesto é que trata da ouvida para compreender, a defesa da liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre a escuta e ao diálogo, sem ceder ao fanatismo e a rejeição. Penso que este ponto é fundamental no mundo de hoje em que poucos querem ouvir, muitos querem falar, de maneira que há até um certo autoritarismo nesse comportamento que dificulta a comunicação.
O ponto cinco desse manifesto, que estamos divulgando através da Comissão de Direitos Humanos, é sobre a preservação do Planeta. Devemos promover um consumo responsável, um modo de desenvolvimento que respeite todas as formas de vida, que preserve o equilíbrio dos recursos culturais do Planeta. Sem dúvida se não planejarmos hoje os recursos ambientais, adiante não vamos ter o que preservar. De maneira que a preservação do Planeta é um compromisso não conosco, mas acima de tudo com as futuras gerações.
O ponto seis, ultimo deste manifesto, trata do redescobrimento e da solidariedade. Contribuir para o desenvolvimento da comunidade com a plena participação das mulheres e o respeito dos princípios democráticos de modo a criarmos juntos novas formas de solidariedade.
Então, Srs. Deputados, este manifesto que não é nosso, mas da ONU sob a responsabilidade da Unesco que considerou este ano 2000, torno a repetir, o ano internacional da cultura da paz, penso que tem uma profundidade muito grande, na medida em que, se todos cultivarmos novos valores, tenho certeza que no conjunto, no contexto geral, teremos uma sociedade muito melhor de se viver.
De nada adianta querer aparelhar os instrumentos de segurança se ao mesmo tempo não tratarmos também do comportamento individual, de uma tolerância maior, de generosidade maior, de compreensão maior, de respeito ao planeta e a vida e rejeitar todas as formas de violência, de agressão. Sejam elas coletivas ou individuais.
Então queremos fazer com que esse manifesto, Deputada Odete de Jesus, que também faz parte da Comissão, chegue a todos os recantos da nossa Santa Catarina, trabalhando especialmente a auto cobrança, a auto crítica. Que as pessoas repensem os seus atos e cultivem novos valores rechaçando a violência, caminhando pelo caminho da paz.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)