Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

57ª Sessão Ordinária - 14/06/2000

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente, Srs. Deputados e visitantes que nos dão a honra da sua presença ao Parlamento catarinense prestigiar os nossos trabalhos, desejo discutir, hoje, um tema que está preocupando não só este Parlamentar, como todos, de um modo geral, porque não acredito que temos outra forma de salvar a economia do Brasil a não ser através da agricultura.

O povo brasileiro é um povo trabalhador e o agricultor, principalmente, é o que mais trabalha, Deputada Odete de Jesus, é o que mais luta, e é a esperança de uma chama acesa para a salvação da nossa economia.

O Ministro da Agricultura anunciou que houve um crescimento da produção, mas percebemos um desânimo muito grande por parte dos agricultores catarinenses e brasileiros.

O arroz foi vendido há dois anos a R$18,00 a saca, há três anos a R$18,00 a saca, há dois anos a R$15,00 a saca, há um ano a R$13,00 a saca e hoje a R$11,00 a saca, só que o agricultor está morrendo e lá fora o consumidor paga o mesmo preço que pagava antes quando o arroz estava alto, porque não houve queda nenhuma para o consumidor. Tudo isso faz com que o nosso agricultor entre em desespero total, Deputado Ronaldo Benedet!

Fui convocado, como Parlamentar, para ir à Vila São João, no Rio Grande do Sul, divisa com Santa Catarina, onde os agricultores, desesperados, trouxeram os seus equipamentos para a BR-101, fechando-a. Falei que não podia participar, porque já tinha participado, há menos de um mês, do movimento dos caminhoneiros. E se eu tivesse participando, agora, de um outro movimento bloqueando a estrada, poderia acabar dizendo que o Deputado Manoel Mota é um baderneiro, é isso ou aquilo. Mas o movimento deles, Deputado Ronaldo Benedet, é legítimo.

O Governo Federal, que investe nos bancos falidos, quebrados e nos que roubaram, como o banco da Bahia e outros, mais de R$16.000.000.000,00, vai acabar comprometendo a economia brasileira. Os bancos podem roubar, não tem problema, porque o Brasil cobre! Agora, o agricultor que trabalha, que luta, que sofre com chuva de granizo, com vendaval e que perde o que produz, que não tem como sobreviver, não é ajudado.

Por isso nós temos a convicção de que o Governo Federal precisa de um estoque regulador. E ele teria condições, mas o preço mínimo do arroz é R$15,00 a saca. E isso acontece com o feijão, com o milho! Não se tem um equilíbrio, uma segurança para quem produz, para quem trabalha!

Então, se o Governo fizesse um estoque regulador iria diminuir o tamanho da produção e, evidentemente, haveria um equilíbrio entre a venda e a procura e o preço ia voltar para aquele patamar ideal, garantindo a sobrevivência da nossa agricultura catarinense e brasileira.

Nós temos que levantar estas questões, para que nós possamos acordar o Governo Federal, a fim de que invista neste momento em na nossa agricultura. E agora fiquei sabendo que o Vale do Araranguá tem a maior produção de arroz irrigado de Santa Catarina e do Brasil, porque é o maior em produção por hectares.

Então, estarei participando, brevemente, de passeatas! Mas já devo estar marcado pela polícia. Porque a Polícia Federal tomou as placas, registrou não só por foto, mas também por câmeras, todos esses movimentos em que os Deputados estavam ajudando os caminhoneiros num pleito legítimo. Mas, infelizmente, não poderei estar presente nessa passeata em defesa dos agricultores que são, legitimamente, aqueles que são o esteio da nossa economia brasileira.

Então, os agricultores estão desesperados com esta situação!

Este é o País que estamos vivendo. E o BNDES, que deveria investir nas empresas, nas indústrias, no nosso comércio, na nossa agricultura, está investindo em privatização. E grupos multinacionais vêm lá de fora, grandes banqueiros, grandes empresários, por a mão nas nossas empresas públicas sem tirar dinheiro do bolso. E depois o povo, o brasileiro vai pagar a conta como o negócio da Telesc, essa vergonheira da Telesc em Santa Catarina. Venderam a Telesc e não tem mais posto em lugar algum, ficando nós a ver navios.

E nós vamos pagar a conta. Quer dizer, não tem dinheiro para investir na agricultura, para comprar a safra, mas tem dinheiro para emprestar para comprar empresa pública, porque há aí outros interesses internacionais.

São essas coisas que machucam e nos doem por dentro. E nós, como Parlamentares, não podemos aceitar de braços cruzados do Governo Federal, que não tem sensibilidade de olhar para a agricultura, que marginaliza aquele que produz...

Este é o País no qual estamos vivendo. Não adianta negar que esta é a nossa realidade crua e nua! Aceite quem quiser, mas esta é a realidade!

E por isso nós, como Parlamentares, não podemos ficar aqui de braços cruzados vendo tudo isso acontecer! Vejo o sindicato dos trabalhadores, a federação dos trabalhadores de Santa Catarina, enfim, toda a área que representa a nossa agricultura, desesperada, buscando alternativas.

Nós vivemos em um País que se está desenvolvendo e que tem, hoje, para mim, no meu ponto de vista, a maior quantidade de terras férteis do mundo, mas não estamos sabendo valorizá-las, pois elas são o principal esteio da nossa economia.

É por esta razão que quero registrar que o Vale do Araranguá, nos próximos dias, Deputado Neodi Saretta, vai novamente tomar medidas radicais - evidentemente que convidaremos os Deputados da Assembléia Legislativa para ajudar -, levando os seus agricultores à BR, com os seus tratores, pois todos estão desesperados!

A conta do Banco do Brasil tem que ser paga! E o Superintendente do Banco do Brasil diz que a inadimplência do Sul é zero, porque são pessoas sérias, trabalhadoras, mas que não tem como nos pagar.

Então, daqui a pouco vamos fazer uma campanha para que os nossos agricultores só plantem para sobreviver durante um ano, obrigando o Governo Federal a importar! Quero ver de onde ele vai tirar dinheiro para importar, porque para comprar a nossa safra não tem dinheiro! Então, quero ver se ele vai ter dinheiro para importar!

Então, temos que tomar algumas medidas! E eu sou filho de agricultor e tenho a responsabilidade de vir aqui registrar este momento difícil da agricultura catarinense e brasileira, que é o alicerce da economia brasileira.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)