Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

67ª Sessão Ordinária - 18/08/2009

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Quero saudar os srs. deputados, o deputado Moacir Sopelsa e convidar todos os funcionários desta Assembleia Legislativa para amanhã ouvirem o meu pronunciamento nesta tribuna. Quero convidar todos os funcionários, a quem inúmeras vezes desta tribuna elogiei pelo trabalho que fazem.

Os srs. deputados devem ter acompanhado a nota assinada pelo Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e pela Afalesc, distribuída neste plenário, no refeitório, que está no site e colada nos murais. Ela diz o seguinte:

(Passa a ler.)

"Deputado Jailson Lima - PT. Mente e é antiético e promove sensacionalismo nos meios de comunicação de Santa Catarina."

Então, eu quero carinhosamente pedir a todos os funcionários que ouçam o meu depoimento amanhã. Inclusive, recebi uma nota de José S. Filho, que é um assistente legislativo da Casa. E a nota assinada pela Afalesc diz que eu chamei os servidores desta Casa de vadios. Então, quero pedir a todos que entrem no meu site e leiam o meu pronunciamento, feito após o deputado Antônio Aguiar falar sobre a aposentadoria do presidente Lula e após a manifestação do deputado Padre Pedro Baldissera. Entrem no site e escutem o meu pronunciamento, verifiquem se eu chamei os servidores de vadios. No meu gabinete trabalham o Veríssimo e o Paulinho, que são dois servidores desta Casa, a quem eu respeito pela qualificação do trabalho.

Ao mesmo tempo quero pedir a todos os servidores desta Casa que, no mesmo site, olhem os 111 funcionários que recebem insalubridade e os valores diferenciados. E perguntem por que outros também não recebem.

O contexto em que usei a palavra vadio - e o deputado Moacir Sopelsa estava na mesa - foi quando disse que o valor que o presidente Lula recebe de aposentadoria, incluindo a insalubridade, pois trabalhou com graxa, óleo, ruído e tem aposentadoria especial, alguns vadios recebem sem aparecer aqui. Não são todos! Ora, se serviu para alguns, sinto muito!

Ao mesmo tempo, a carta assinada pelo José Espíndola, a quem quero me dirigir respeitosamente, diz o seguinte:

"Prezado deputado, eu não sou vadio, trabalho mais de oito horas nesta Casa e estou aqui há mais de 20 anos prestando o meu serviço.

Acho que v.exa. deve se desculpar perante todos os servidores desta Casa para não ser classificado de persona non grata, perante os seus pares nesta Assembleia.

Denunciar, sim, mas ofender a todos é imoral e irresponsável. Ofenda os seus funcionários, aqueles que não aparecem, estes, sim, são vadios.

Queria que v.exa. explicasse para os meus filhos, uma de nove anos e outra de 21 anos, a sua razão de generalizar todos os funcionários da Assembleia legislativa chamando-os de vadios.

A minha filha menor olhou no dicionário para saber o significado da palavra vadio, o qual diz: 'que não tem ocupação ou que não faz nada, que vagueia, vagabundo, próprio de gente ociosa'. 'Então, pai, quer dizer que o senhor não faz nada, mas mesmo assim vai trabalhar o dia todo'

Explica isso para uma criança e explica para a sociedade, deputado."

Então, eu leio esta carta dizendo ao José que escute o meu depoimento desta tribuna na última sessão e haverá, companheiro, de ver que você não está enquadrado. Agora, só verifique se você recebe insalubridade pela sua atividade. Não haverá cristão que me obrigue a acreditar que um auxiliar de odontólogo receba R$ 3,2 mil de insalubridade, o que os terceirizados desta Casa não recebem de salário pelo mês inteiro.

Então, amanhã vou-me pronunciar especificamente sobre a nota escrita pelo sindicato e pela associação. Eu defendo o sindicato e a associação como entidades corretas em defesa dos seus direitos e deveres. Agora, é meu direito e meu dever, como parlamentar, não fiscalizar apenas o governo, o Executivo, mas também o Legislativo. Além disso, em nenhum momento eu me opus aos companheiros da Mesa, a quem sempre respeitei, em nenhum momento fui contra a realização de uma perícia, deputado Moacir Sopelsa, porque eu fui o primeiro a solicitar. Solicitei, sim, uma auditoria externa porque as perícias realizadas aqui são feitas pelas mesmas equipes que já fizeram as demais.

Tenho grande carinho pelos servidores desta Casa e aqui inúmeras vezes os elogiei. Peguem o histórico dos meus pronunciamentos e verão que eu os elogiei e continuo elogiando a grande maioria dos que aqui trabalham. Agora, não é justo que um funcionário que trabalha no computador receba insalubridade e os outros não; não é justo que 111 funcionários recebam e o restante que compõe os 744 ativos, não receba. São diferenças gritantes e vocês jamais me verão assumir uma postura discriminatória como esta.

Por isso, companheiros, hoje é dia de falar Woodstock, 40 anos de uma geração, 40 anos de um festival que mostrou nitidamente que neste mundo a luta não devia ser pelo poder, mas pelas flores; 40 anos de um festival que teve Joan Baez, Joe Cocker, Bob Dylan e muitos outros.

Quero ler a letra da música Soprando no Vento, Blowing In The Wind, que Bob Dylan, então um garoto de 21 anos, escreveu e que diz o seguinte:

(Passa a ler.)

"Quantas estradas precisará um homem andar

Antes que possam chamá-lo de um homem?

Sim e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar

Antes que ela possa dormir na areia?

Sim e quantas vezes precisarão balas de canhão voar

Até serem para sempre abandonadas?

A resposta, meu amigo, está soprando no vento

A resposta está soprando no vento.

Quantas vezes precisará um homem olhar para cima

Até poder ver o céu?

Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter

Até que ele possa ouvir o povo chorar?

Sim e quantas mortes custará até que ele saiba

Que gente demais já morreu?

A resposta, meu amigo, está soprando no vento

A resposta está soprando no vento.

Quantos anos pode existir uma montanha

Antes que ela seja lavada pelo mar?

Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir

Até que sejam permitida a ser livres?

Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça

E fingir que ele simplesmente não vê?

A resposta, meu amigo, está soprando no vento

A resposta está soprando no vento."

Parafraseando Bob Dylan, quero perguntar: quantos anos levará para que o povo brasileiro se orgulhe dos seus políticos? A resposta, meus amigos, está soprando no vento. A resposta está soprando no vento.

Aqui eu procuro fazer o meu papel como legislador.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)