41ª Sessão Extraordinária - 30/10/2007
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, é com alegria que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa em 2014. O presidente estava presente, como também mais de dez governadores, ministros e isso nos remete à responsabilidade para que daqui a sete anos possamos fazer a melhor e a maior disputa do campeonato mundial do futebol.
Para atrair os turistas, temos que ter este país sem endemias, dizer que aqui a dengue não existe mais. Nós temos que começar a trabalhar agora, porque o nosso ministro já está dizendo que a dengue vai virar endemia. Por quê? Porque, segundo a Emenda n. 29, o governo federal deverá aplicar 10% por ano na saúde, aumentando conforme o crescimento do PIB. Essa é uma política pública de saúde, porque as endemias, seja a malária, a dengue ou a cólera, enfim, aquilo que já estava superado, estão voltando! Temos aí as hepatites, o tifo, as doenças decorrentes de falta de saneamento. A saúde é muito mais ampla, é, inclusive, um problema de saúde a questão da Vigilância Sanitária, para que os fiscais possam trabalhar ordenadamente!
Srs. deputados, colocar no leite um percentual de soda cáustica para conservá-lo é crime! Que barbaridade! O que é isso? Os fiscais que lá estavam não estavam vendo?! Mas não é só o leite, são os derivados do leite também.
Então, vejam v.exas. como a questão da saúde pública é ampla. E eu espero e tenho certeza de que o Brasil vai recepcionar bem todos aqueles cidadãos do mundo que virão assistir à disputa de futebol dessa grande Copa em nosso país com uma saúde pública boa. Quem sabe agora vamos cuidar da saúde, já que o governo federal vai aplicar 10% na saúde, porque ele também tem que estar submetido à Lei de Responsabilidade Fiscal, e não está! Mas os estados e os municípios estão! Então, 10% têm de ser do governo federal, crescendo a cada ano, conforme cresce o PIB, é um critério justo e correto, 12% dos estados e 15% dos municípios!
Ora, com isso nós vamos ter realmente recursos para atender bem a quem necessita, a qualquer ora e quando precisar, basta nos organizarmos. Mas para isso foi dito aqui, na quinta-feira passada, num pedido do deputado Décio Góes, que Deus deveria iluminar os deputados federais para que votassem a Emenda 29. Contudo, mas mais uma vez a base aliada se retirou do plenário do Congresso. Vamos pedir a Deus que ilumine essas pessoas para aí, sim, termos uma política pública de saúde, que é de responsabilidade federal, estadual e municipal.
Então, é desta forma que queremos chamar a atenção de todos.
O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!
O Sr. Deputado José Natal - O Brasil, a partir das 12h30min de hoje, está vivendo a euforia da Copa do Mundo em 2014. Lamentavelmente, um país que tem problemas graves na saúde, na educação e na segurança vai gastar, parece-me, US$ 4 milhões - se for mais, até me corrijam, srs. deputados - para a recuperação de estádios de futebol para patrocinar a Copa do Mundo. E nós vivemos num mar de desgraça na saúde, numa guerra civil no Rio de Janeiro, na questão da segurança pública.
Eu sou totalmente contra. Aprecio e gosto de futebol, mas sou, neste momento, totalmente contra o país se credenciar para financiar uma Copa do Mundo, já que os cidadãos brasileiros não têm acesso à resolução dos problemas mais simples de saúde. Lamentavelmente, este é o país que é coordenado pelo presidente Lula, que dizia que iria governar para o povo. Não é isso o que ele está fazendo, no meu entendimento, nessa questão e em algumas outras.
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Permita-me descordar de seu ponto de vista, de forma educada, pois sou favorável à Copa do Mundo, porque isso vai trazer investimentos, nós vamos melhorar muito. Por exemplo, Florianópolis, a capital do estado de Santa Catarina, está disputando uma das etapas da Copa do Mundo. Obviamente que para poder classificar-se para isso, os poderes públicos terão que investir num transporte melhor, do aeroporto até o continente; terão que investir em saneamento, senão as pessoas não virão com receio de terem doenças endêmicas; teremos que ter transportes, não só aquele que podemos dizer de metrô superficial, mas também, quem sabe, agora, tenhamos um bom transporte marítimo. É por isso que nós lutamos e temos que trabalhar.
Serão investimentos públicos em parceria com a iniciativa privada que irão desenvolver a nossa capital. E quero dizer mais: haverá um retorno desse investimento. Sendo bem organizado, esse evento vai permitir um retorno.
Nós vamos saber, cada vez mais, com o mundo globalizado, sobre a importância desse esporte que nos traz solidariedade, congraçamento, e vai permitir, através dele, desenvolvermos o nosso país com responsabilidade, desde já, para os futuros administradores.Não será neste governo, mas isso nos dá a idéia de que governo é uma continuidade, é um compromisso muito grande.
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Ouço v.exa., deputado Nilson Gonçalves.
O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - Ainda dentro deste tema que v.exa. está abordando, quero discordar também, de maneira muito educada, do deputado José Natal, nosso colega de bancada, até porque entendo que nós respiramos futebol, quase que 24 horas por dia neste país. É difícil um homem não comentar, não torcer por um time de futebol. É impressionante o amor e a paixão que temos por futebol neste país. E termos uma Copa do Mundo sediada aqui é um prêmio a toda essa paixão.
E esses investimentos não são de R$ 4 milhões, pelo contrário, o deputado José Natal está equivocado, são de alguns bilhões, mas certamente faremos uma parceria com a iniciativa privada.
E nós teremos aqui, como v.exa. disse, uma melhora na infra-estrutura. Sou contra a construção de novos estádios, mas parece-me que isso não será feito, irão reestruturar os que já existem. E é essa a finalidade.
Penso que estamos longe de 2014, vamos com calma, muita calma neste momento, como dizem. Vamos construir uma Copa do Mundo, se Deus quiser, muito bonita, valorizando o que nós temos de principal neste país, que é a alegria e também o nosso futebol.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Muito obrigado pelo aparte, deputado Nilson Gonçalves.
Mas eu quero dizer que o futebol é inerente ao povo, já faz parte da cultura brasileira como forma de expressão, como forma de mudanças relacionadas principalmente a essa prática desportiva. Seja na legislação municipal, estadual ou federal, todos os municípios têm a sua fundação de esportes, envolvendo outras modalidades. Nós, recentemente, no Rio de Janeiro, tivemos jogos com participantes de todos os países da América e foi um sucesso. Lá ficaram aqueles prédios, aquelas vilas, enfim, houve um retorno.
E muito melhor será a questão da Copa do Mundo, que será bem organizada. Mas teremos que melhorar, sim, nossas condições de vida, para receber bem todas as pessoas que virão ao Brasil para essa bela disputa.
Como diz o Nenén Prancha: "O coração bate no bico da chuteira, realmente, neste momento". Temos tempo. Vamos com calma, com tranqüilidade fazer o melhor possível.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)