Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Pedro Uczai

58ª Sessão Ordinária - 09/08/2007

O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Deputado Sargento Amauri Soares, presidente da Casa, deputado Julio Garcia, e demais deputados, eu vou fazer uma reflexão aqui provocada pelo deputado Elizeu Mattos, mas numa outra dimensão. Farei um debate sobre os países, sobre o futuro da América Latina, sobre as experiências políticas que nós estamos vivendo neste momento e o aprendizado que nós deveremos ter nesse processo democrático de construção de diferentes governos.

Nós queremos fazer, inclusive, uma viagem para conhecer vários países no mês de janeiro, dos nossos amigos aqui de Santa Catarina, para visitar países aqui da América do Sul, da América Latina, que vivenciaram experiências neoliberais de desmonte de suas políticas públicas, de desmonte de direitos públicos, como a Bolívia, a Venezuela, a Argentina, o Paraguai, o Uruguai e outros países.

E, ao mesmo tempo, perceber o significado desses governos da América Latina, que se estão construindo em reação à experiência neoliberal, em reação às políticas de desmonte dos estados nacionais, em favor dos direitos públicos coletivos como saúde, educação, segurança, reforma agrária, direito à terra, direito à dignidade.

Acho que estamos vivendo, na América Latina, uma experiência extraordinária, convivendo com governos neoliberais; continuando e aprofundando as políticas de privatização, políticas de casamento e subordinação ao FMI, políticas de casamento e subordinação às políticas imperialistas e militares dos Estados Unidos, como o que acontece no próprio Paraguai, que permitiu a instalação de uma área militar.

Quando nós aqui abortamos essa questão na Base de Alcântara, foram buscar um outro país para fincar o pé através de uma base militar. Assim é a experiência imperialista dos Estados Unidos, que fala tanto em democracia, mas elege um presidente com menos votos do que o outro; que fala tanto em democracia e está fechando um paredão diante do México, impedindo o povo de visitar o seu território. Pode entrar o dinheiro, mas não o povo; pode entrar o dinheiro, o lucro para as multinacionais e transnacionais da globalização, mas o povo não pode usufruir daquele espaço geográfico e nacional.

Por isso quem tem percebido e acompanhado as produções dos bilhões de dólares que estão sendo investidos na fronteira do México sabe que são para construir as políticas subordinando nossos governos latino-americanos, fazendo com que os nossos governos ajoelhem-se diante da política norte-americana. Mas, por outro lado, ele vai fechando e condenando. E em nome da democracia condenavam sempre o leste europeu, as Alemanhas, as divisões, os muros construídos nos países do leste. E agora o capitalismo imperialista, o capitalismo neoliberal do imperialista Bush, vai montando um paredão para as pessoas não usufruírem dos benefícios construídos, fruto da exploração desses países que agora querem buscar um pouco de volta o que foi levado para esse país como os Estados Unidos.

Por isso é lamentável e dá uma tristeza enorme, deputado Sargento Amauri Soares, ouvir um deputado de tradição peemedebista criticar Cuba e elogiar Bush; criticar Cuba e criticar o governo brasileiro porque, de forma diplomática, vai resolvendo as relações de forma soberana e autônoma; criticar Cuba que luta com todo o seu esforço diante do boicote econômico de um país imperialista que fala tanto em democracia e boicota empresas de comercializar com Cuba; que fala tanto em democracia e implanta uma Rádio e uma TV Marti para divulgar a ideologia neoliberal, capitalista, sobre o povo cubano e sobre aquela sociedade - e fala em soberania e o inverso não pode fazer sobre o seu próprio país... Um país que destrói o Afeganistão e deixa o povo pobre lá - como dizem os gaúchos, "esgualepados" -, entra em guerra contra o Iraque, divide as culturas e os grupos tribais, e agora deixa eles lá para se matarem.

Quem deveria ser enforcado na guerra do Iraque deveria ser Bush. Ele é quem deveria ser enforcado porque matou muita gente, destruiu um país e agora está roubando o petróleo e a água do povo iraquiano.

Mas como eu sou contra a pena de morte em qualquer situação e, portanto, sou contra a pena de morte de Bush - é uma força de expressão -, quem deveria responder pelos crimes contra a humanidade é o Bush. É ele que tem que responder pelos crimes contra a humanidade, contra os povos e pela destruição. E a grande mentira é que havia armas de destruição em massa. Não havia e, portanto, mentiu e deveria ser condenado. Mentiu, fez guerra, matou gente, matou povos!

Agora vai investir bilhões e bilhões em armamento nos países de Oriente Médio, principalmente Israel, para impedir que a Palestina tenha o seu próprio território, que tenha a sua própria nação, que tenha o seu próprio povo constituído, que tenha a sua própria terra. Vai investir bilhões de dólares nos próximos anos para militarizar o Oriente Médio, para produzir novas guerras no futuro e para ainda controlar o petróleo.

E agora está na ofensiva e, sabendo que vai terminar o petróleo ou que o preço do petróleo vai estar num valor de US$ 100 o barril nos próximos anos, vai tentar comprar as terras do Brasil, com os seus empresários. Com sede, vai comprar as nossas terras, montar as usinas deles aqui, levar a nossa energia embora, levar o nosso sol embora, através de energia. Esta é a estratégia do Bush para a América Latina; esta é a estratégia do Bush para o Brasil.

E sinto uma tristeza enorme ao ver um deputado aqui do PMDB querer questionar o povo cubano. Eles têm os seus problemas, sim. Mas quando nós resolvermos o problema da terra e a reforma agrária aqui, nós poderemos criticar Cuba; quando nós resolvermos o problema da educação no Brasil, nós poderemos criticar Cuba; quando nós resolvermos o problema do machismo no Brasil, nós poderemos criticar Cuba; quando nós resolvermos o problema de saúde no Brasil, das filas de pessoas que v.exa. denunciava aqui em Santa Catarina, da "ambulancioterapia" que continua neste estado, daí nós teremos possibilidade de condenar e criticar Cuba.

Enquanto nós não tivermos um país decente e digno, não temos nem o direito de fazer crítica àquele povo lutador, guerreiro, que resiste bravamente há 40 anos contra o imperialismo a 60 quilômetros, contra a opressão das empresas multinacionais que não negociam, e está resistindo a duras penas, tentando construir um país minimamente digno para todos.

O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Concedo um aparte ao deputado Sargento Amauri Soares neste momento deste pronunciamento mais ideológico, hoje. Mas é bom discutir ideologia, projeto político, projeto de sociedade, porque se não tiver uma sociedade com justiça, com igualdade social, com democracia... E falar em democracia, no Brasil, quando não se tem democracia para ter terras para milhões; quando não se tem casas para milhões; quando não se tem luz para milhões; quando não se tem educação e saúde para milhões, não dá para falar em democracia. Democracia é direito de ser cidadão! Aqui se tira o direito. E o governo Lula está fazendo muito, mas vai ter que fazer muito mais - levarão muitos anos, com muito trabalho e muita ação -, diante do que a elite brasileira fez nesses 500 anos.

É nesse contexto que temos que estar discutindo aqui neste Parlamento, com serenidade, com ética e com democracia.

O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Deputado, quero registrar uma idéia e uma observação de um cidadão, sociólogo, não brasileiro, não cubano, não venezuelano, mas dos Estados Unidos, Noam Chomsky, que dizia que o que eles - o governo, os monopólios, o governo dos Estados Unidos - chamam de democracia é esse regime que permite aos monopólios, ao latifúndio no mundo inteiro, aos banqueiros explorar, explorar e explorar. O que eles chamam de liberdade é a liberdade de continuar explorando-nos e roubando-nos cada vez mais. Isso disse Noam Chomsky. E essa é a democracia que se propõe defender. E viva a República Democrática e Socialista de Cuba!

Muito obrigado!

O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Concluo o meu pronunciamento dizendo que esse tem que ser o espaço da pluraridade, das diferenças e dos projetos alternativos de sociedade. E acredito que esse é o sonho de todos!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)