Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

92ª Sessão Ordinária - 25/11/2008

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente srs. deputados e sra. deputada, quero fazer um relato desse desastre causado pelas cheias que tomaram conta, nos últimos dias, do nosso estado.

(Passa a ler.)

"O número de mortes causadas pela chuva em Santa Catarina chegou a 68, segundo balanço divulgado pela Defesa Civil."

E há poucos segundos recebemos uma comunicação de que já estamos com 69 mortes.

(Continua lendo.)

"Mais de 52 mil pessoas estão desabrigadas (deixaram suas casas e foram para abrigos públicos) ou desalojadas (foram para a casa de parentes). Pelo menos 30 pessoas estão desaparecidas.

Os óbitos foram registrados em Brusque (1), Gaspar (10), Blumenau (3), Jaraguá do Sul (12), Pomerode (1), Bom Jardim da Serra (1), Luis Alves (4), Rancho Queimado (2), Ilhota (15), Benedito Novo (2), Rodeio (4), Itajaí (2) e São Pedro de Alcântara (1).

Oito municípios estão isolados (São Bonifácio, Luis Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo). Quatro decretaram estado de calamidade pública na segunda-feira, dia 24. São eles: Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento e Camboriú.

[...]

Muitas cidades estão sem água e mais de 137 mil pessoas permaneciam sem energia elétrica até a noite de segunda-feira. Na região de Florianópolis, estão sendo feitos rodízios para garantir água.[...]"[sic]

Então, estamos aqui fazendo um relato para podermos avaliar a situação que vive Santa Catarina neste momento. São praticamente 60 dias de chuvas, sem falar no prejuízo causado que também é grande. Em Jacinto Machado desabou a principal ponte da cidade, deixando 40% da população totalmente ilhada.

Nas estradas, a antiga BR-101, que ainda não está duplicada, não se sabe de qual buraco o motorista tem que se defender. Acho que há buraco do lado de fora esperando vaga para entrar, pois com a chuva os caminhões continuaram passando e os buracos foram aparecendo. Aqui no Morro dos Cavalos já há fila de caminhões parados desde sábado, pois não podem transitar. Não há segurança nem garantia de quando poderão continuar suas viagens, de quando poderão seguir para o seu destino, que, muitas vezes, é São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e outros lugares. Eu tenho certeza de que para vir da região norte para Porto Alegre e região também deve haver filas enormes.

Então, tudo isso causa prejuízos, pois precisa ser reconstruído, reparado. O pior são essas cidades nas quais, além do prejuízo incalculável, muitas pessoas perderam a vida. Isso não tem preço. E o número, como relatei aqui, é de aproximadamente 69 pessoas. Além disso, há, no mínimo, 30 pessoas ou mais desaparecidas. Vai passar de 100 o número de vítimas. Isso é chocante e marcante para as famílias que perderam seus parentes.

Sabemos perfeitamente que a cidade mais atingida é Blumenau. Outras também foram muito atingidas, mais em Blumenau foi além do limite. Nesses últimos dois dias a imprensa nacional divulgou bastante.

O governo do estado de Santa Catarina, na pessoa de Luiz Henrique da Silveira, entrou em contato, ainda no último domingo, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que imediatamente tomou medidas mandando o principal homem da Defesa Civil de Brasília. Hoje temos dois, três ou quatro ministros chegando ao estado. Então, isso é solidariedade, é parceria, é responsabilidade, é compromisso com Santa Catarina. Isso tem que ser reconhecido.

O governador Luiz Henrique desde domingo acho que dormiu muito pouco, pois está trabalhando e vivendo esse momento de angústia, colocando toda a sua equipe à disposição dessas cidades, assim como equipamentos e até mesmo aeronaves, tentando amenizar o sofrimento do povo catarinense que foi assolado por esses tantos dias de chuva, que acabou nessa tragédia desses últimos dias.

Então, por isso temos que registrar aquele que tem muito compromisso com o nosso estado, que se dedica de corpo e alma e vive o sofrimento do povo catarinense, que é o governador Luiz Henrique da Silveira.

Nós sabemos que não é fácil, num momento desses, reparar e recuperar tudo isso, pois há uma coisa que não se recupera, que é a vida. Não há dinheiro que pague, mas precisamos ser solidários nesse momento, precisamos recuperar a malha viária, que praticamente está toda interditada, pois para se deslocar para qualquer região está praticamente impossível.

Então, é preciso uma ação muito forte para que nós possamos recuperar e começar a reconstruir tudo o que a forte chuva e a correnteza foram carregando, para amenizar os problemas causados por essa catástrofe.

O deputado Dagomar Carneiro falou sobre a solidariedade também da Cohab. Nós temos, hoje, uma emenda de R$ 20 milhões em Brasília. Por isso é importante, nessa hora em que o estado está em situação de emergência, que essa emenda possa ser incluída no Orçamento a fim de que possamos amenizar o prejuízo dessas pessoas que não têm a mínima condição de reconstruir as suas casas.

Assim sendo, é necessário que nós todos tenhamos um ato de solidariedade, de grandeza, de trabalho participando um pouquinho de tudo isso. E nós temos tido a solidariedade dos nossos vizinhos irmãos gaúchos e paranaenses, e do Brasil inteiro.

Penso que sob o comando do governador Luiz Henrique e com o Brasil inteiro mobilizado para ajudar, iremos amenizar o sofrimento das pessoas. E, num segundo momento, faremos a reconstrução deste estado, das propriedades daqueles que as perderam, a recomposição dos seus bens e por aí afora.

Então, queremos registrar a nossa satisfação pelo fato de toda a sociedade catarinense estar ajudando as pessoas no sentido de terem coragem de enfrentar todos esses problemas, mostrando a nossa solidariedade, para amenizar um pouco o sofrimento delas. E este Parlamento continuará, com certeza, sendo parceiro neste momento tão triste.

Muito obrigado, sr. presidente!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)