Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

81ª Sessão Ordinária - 22/10/2008

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital e funcionários desta Casa, ontem o Brasil teve a oportunidade de presenciar, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, um debate ímpar referente à crise econômica mundial, que também afeta o Brasil neste momento. Esse debate, protagonizado pelo ministro Guido Mantega e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e conduzido pelo presidente Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia, do Partido dos Trabalhadores, foi solicitado pela Oposição. E ontem mesmo o deputado federal de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, disse que estava na hora de o governo federal fazer um pacote fiscal para contornar a crise e, ao mesmo tempo, conter os gastos.

Neste momento, nós temos que fazer uma reflexão entre o que diz o programa de governo deles, sob o ponto de vista da plataforma política desses partidos neoliberais, e o que acontece hoje nos Estados Unidos, o grande gerador dessa crise econômica mundial, ao pregar uma peça fenomenal no crédito imobiliário americano.

O que nós vemos lá hoje é o inverso do que sempre pregaram, é a estatização de bancos falidos, com o poder público investindo na recuperação de bancos que sempre lucraram, deputado Kennedy Nunes. Mas aqui eles vêm falar em pacote fiscal, dizendo que o nosso governo não tem tomado as medidas necessárias! Temos que admitir que o presidente que antecedeu o presidente Lula teve o seu papel - e é reconhecido pelo nosso governo. Porém o nosso governo tem políticas diferenciadas e não está salvando bancos falidos como aconteceu no governo passado.

Ao mesmo tempo em que os deputados da Oposição, do DEM e do PSDB, questionaram a política econômica do nosso governo, cabe lembrar bem, deputado Pedro Uczai, que em 1998, com a crise da Rússia, os R$ 90 bilhões de superávit primário do Brasil evaporaram em três semanas, sem conter absolutamente nada dos efeitos colaterais da crise. E aquela era uma crise muito mais tênue do que a de hoje, na qual o governo brasileiro investiu R$ 23 bilhões para segurar a economia brasileira e manter um patamar de estabilidade.

Sabemos que é preciso haver medidas de contenção, porém o nosso governo tem adotado posturas contingenciais, importantes neste momento da crise econômica. Quem diria alguns anos atrás, por exemplo, que o ministro brasileiro, Guido Mantega, poderia estar coordenando a mesa do G-20 ao lado do presidente Bush, discutindo as questões do cenário econômico.

Eu faço essas observações porque durante a crise anterior mais da metade da exportação do Brasil era para a Europa e para os Estados Unidos. Já nesta é diferente, pois mais da metade da exportação brasileira está relacionada ao mercado árabe, africano e latino-americano, através de atitudes do nosso presidente Lula, do qual costumavam dizer: "Viajando Lula lá". Está aí o resultado da sua política econômica: a ampliação do berço da exportação brasileira para uma série de países, tirando a nossa dependência da economia européia e norte-americana; menos de 30% das nossas exportações são para esses dois eixos.

Ao mesmo tempo, quero relatar aqui uma coisa importante: Paul Krugman, que recebeu o Prêmio Nobel da Economia agora, fala que uma das medidas importantes para conter a crise econômica é defender o aumento de gastos públicos. Ontem vimos bem que a Oposição bateu nos gastos públicos brasileiros. Temos que diferenciar gastos públicos de investimentos públicos, que é o que acontece no cenário público brasileiro, já que grande parte do crescimento se dá pela demanda interna como resposta às obras do PAC, que são investimentos da União e que geram emprego, principalmente no setor imobiliário e na recuperação do setor naval.

Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, diz o seguinte:

(Passa a ler.)

"Para enfrentar a ameaça de degradação social, desemprego e recessão, em função da crise financeira, o Prêmio Nobel de Economia propõe fortes investimentos em políticas públicas nas áreas de saúde e seguridade social, aumento dos impostos para os mais ricos e fortalecimento do poder de negociação dos sindicatos. Para Krugman, o aumento do poder dos sindicatos permitiria aumentar o número de empregos e a renda destinada à classe média."

O que vimos do governo Bush foi exatamente o contrário: a falta de investimento no setor público, a redução da tributação dos mais ricos, onerando aqueles que necessitam mais das obras do poder público.

Então, com certeza, essa postura ontem adotada na exposição pelo presidente do Banco Central e pelo ministro Guido Mantega - foram seis horas de debate extenuante - mostra claramente que estamos sabendo enfrentar essa crise com maturidade, serenidade e, principalmente, com muita responsabilidade, porque essa tem sido a marca do governo do Partido dos Trabalhadores no Brasil.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)