6ª Sessão Ordinária - 17/02/2010
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente e srs. deputados, faço uso da tribuna, na tarde desta quarta-feira de cinzas, para dizer da satisfação de ter participado do grande Carnaval no sul do estado, no município de Laguna. De acordo com uma estimativa feita pela Polícia Militar, aproximadamente 200 mil pessoas, deputado Joares Ponticelli - e v.exa também lá esteve como folião e como jurado -, passaram por aquela cidade.
Mas aproveitando o ensejo e a oportunidade, sr. presidente e sr. vice-presidente, deputado Jorginho Mello, gostaria de relatar um fato que ocorreu comigo.
Na sexta-feira à tarde tive uma indigestão por volta das 16h, mas, como um bom "pelo duro" do interior, resisti em ir à farmácia ou procurar um médico. Lá pelas 21h30 senti uma situação muito desconfortável, tonturas, enjôos e resolvi procurar o farmacêutico. Chegando lá, no centro da cidade de Laguna, o farmacêutico disse-me que eu deveria procurar a emergência do hospital porque minha pressão arterial estava 11/10, quase nivelando. A cidade estava infestada de foliões, lotada, com um trânsito absurdo, mas assim mesmo me desloquei até o Hospital de Caridade Nosso Senhor dos Passos, em Laguna.
Deputado Genésio Goulart e deputado Joares Ponticelli, v.exas. que representam e muito bem aquela região, fui prontamente atendido pelo quadro clínico do hospital. Fizeram a coleta de sangue no dedo para ver como estava a taxa de açúcar, um exame do tórax, um eletrocardiograma, uma injeção na nádega para ficar sedado, muito doida por sinal. Depois de duas horas veio o diagnóstico. O médico disse-me assim: "Meu amigo, você está com infarto no ventrículo esquerdo inferior do seu coração". A minha esposa quase desmaiou, enquanto eu já estava deitado, sedado mesmo.
Então, eu imagino o que se passa na cabeça de uma pessoa. E olha que eu sou um cidadão que se cuida. Eu faço esteira três vezes por semana, a cada seis meses faço exame de sangue e anualmente faço o teste de esforço, o que ocorreu há três meses, na Clínica Sbissa, em Florianópolis.
Pois bem, fiquei apavorado! Não sabia como agir diante da colocação feita pelo médico que estava de plantão. Liguei para um amigo, o dr. Lúcio Stopazzolli, que estava aqui em Florianópolis, e os dois médicos puderam conversar, pois eles falam a mesma linguagem, não é, deputado Antônio Aguiar? O dr. Lúcio disse que eu deveria procurar um centro maior, mas não recomendava que viesse a Florianópolis em função do trânsito, mas fosse para Criciúma, onde deixaria uma equipe pronta, porque de acordo com o diagnóstico eu teria que fazer um cateterismo. E se no decorrer do trajeto houvesse muito congestionamento, deveria entrar em Tubarão, pois lá ao menos tem UTI e todo o aparato necessário.
E assim eu fiz! O médico disse que eu deveria chegar em três horas num centro maior. E riu! E o pau pegou na estrada! Cheguei às 2h18 no Hospital São José, em Criciúma, onde fui muito bem atendido, por sinal. Aí começou uma bateria de exames e às 11h então veio o diagnóstico preciso. Foi totalmente descartada a possibilidade de eu ter tido um infarto. Evidentemente, foi só alegria. Voltei para Laguna e engajei-me no Carnaval. Aí foi aquela bebedeira que todo mundo sabe.
Mas trago esse assunto porque imagino quantas pessoas procuram esse tipo de atendimento, deputado Lício Mauro da Silveira, numa cidade na qual passam o Carnaval mais de 200 mil pessoas. É um hospital sem as mínimas condições. Não há uma UTI, deputado Genésio Goulart!
Então, faço aqui um apelo ao Parlamento de Santa Catarina, ao governo do estado, à secretaria do estado de Saúde para que possamos unir-nos em torno do objetivo de garantir a instalação de uma UTI naquele hospital. É humanamente impossível aceitar que uma cidade que possui uma população fixa de mais de 40 mil pessoas e que na temporada, num só dia, recebe mais de 200 mil foliões do interior do estado e até mesmo de outros estados do Brasil, não conte com um atendimento adequado e seguro para socorrer vidas humanas.
O que mais me deixou estarrecido foi o que o médico disse, ou seja, que no início do ano atendeu um médico de São Paulo com os mesmos sintomas que eu apresentei naquele momento, só que ele, sendo médico, não acatou a recomendação dada. O médico havia pedido a ele que nem se levantasse da maca. E ele saiu andando! Em seguida tiveram a notícia de que ele acabou falecendo. Graças a Deus isso não ocorreu comigo.
Vejam bem! O médico adotou todos os procedimentos, fui muito bem atendido, só que ao primeiro diagnóstico o susto foi tão grande que eu quase tive um infarto de verdade!
O Sr. Deputado Jailson Lima - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Pois não, deputado Jailson Lima, atuante na área de medicina.
O Sr. Deputado Jailson Lima - Deputado Valmir Comin, fico feliz que tenha participado dos festejos carnavalescos e com certeza a euforia de Momo fez com que v.exa. tivesse sintomas cardíacos. Felizmente, tudo não passou de um susto.
No ano passado estivemos visitando aquele hospital, deputado Valmir Comin, e dessa tribuna já fizemos pronunciamentos sobre o que ele representa não apenas para a cidade, mas no contexto da BR-101. Apresentamos, inclusive, uma moção solicitando à secretaria de Saúde uma atenção maior àquele hospital.
Portanto, a sua intervenção aqui, não pelos sintomas que apresentou, mas pelo que viu, ajuda a fazer com que aquele hospital seja olhado com mais carinho, porque se v.exa., num segundo momento, precisar ir até lá - e torcemos que não ocorra -, é necessário que esteja aparelhado para socorrê-lo.
Parabéns pelo seu pronunciamento.
O Sr. Deputado Serafim Venzon - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Pois não!
O Sr. Deputado Serafim Venzon - Eu fico muito feliz que o primeiro diagnóstico tenha sido equivocado. Que bom que foi assim.
Mas, com relação ao Hospital de Caridade Senhor dos Passos, de Laguna, queremos dizer da sua importância para aquela região, que é grande, somada a sua necessidade pela questão da BR-101.
Nós, do PSDB, em várias ocasiões defendemos esse pedido. E há mais um detalhe: por todo o estado de Santa Catarina faltam leitos de UTI. Então, ao invés de colocar mais dez leitos em Criciúma ou mais dez em Tubarão, que se coloque dez em Laguna, assim vai ficar mais espalhado e atender as necessidades regionais.
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Era o que tínhamos a dizer, sr. presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)