88ª Sessão Ordinária - 14/10/2010
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, deputado Moacir Sopelsa, que passa a presidir esta sessão, também saúdo os funcionários desta Casa, os telespectadores da TVAL e os ouvintes da Rádio Alesc Digital.
Deputado Sargento Amauri Soares, estamos presenciando uma das disputas eleitorais mais aguerridas da história do Brasil. Digo isso como membro do Partido dos Trabalhadores, que vê uma verdadeira guerra santa na medida em que se estigmatizam determinados temas, deputado Moacir Sopelsa, colocando-os como programa de governo de Dilma Rousseff, nossa candidata à Presidência da República.
Temas como o aborto - e digo isso sendo médico -, viraram tônica nos últimos dez dias do primeiro turno, quando, através da televisão e da internet, principalmente, passaram a criar uma determinada posição da nossa candidata que não existia e disseminaram essa posição através das igrejas evangélicas, principalmente, e também da igreja católica. Na igreja de Rio do Sul, um padre em dois atos religiosos disse que não se deveria votar na nossa candidata a presidente porque ela defenderia o aborto, o casamento homossexual etc. Ora, essas são políticas públicas que existem no mundo inteiro, mas que em nenhum momento foram levantadas e defendidas pela nossa candidata à Presidência.
Dilma Rousseff, no ano passado, quando questionada sobre o aborto, disse simplesmente que esse era um problema de saúde pública, tendo em vista que, segundo pesquisas, morre uma mulher a cada dois dias em função de abortos clandestinos. Pegamos as estatísticas de saúde pública e constatamos que morre mais de uma mulher por dia em consequência de abortos mal feitos, com agulhas de crochê, com agulhas de tricô, sem o atendimento devido. Mulheres que quando procuram o atendimento no SUS, na rede pública, já chegam com quadro de septicemia, de infecção disseminada.
Então, a ministra Dilma Rousseff disse apenas que esse é um tema que tem que ser debatido, ela não disse que o defendia, até porque antes de criminalizar uma pessoa temos que atendê-la, temos que salvar a sua vida. Mas disseminaram via internet e através de meios conservadores que a nossa ministra defende o aborto.
Ao mesmo tempo, também se divulgou que ela teria dito que nem Cristo tiraria a sua vitória para a Presidência da República na disputa eleitoral. Imaginem o tamanho do absurdo! E mais, o absurdo maior é que há pessoas que acreditam nisso. Isso é o mais absurdo!
Fala-se que temos que investir em educação, na questão da cultura do povo, no desenvolvimento, que estamos numa fase de desenvolvimento do Brasil como nunca houve antes, mas dizer que a ex-ministra disse que nem Cristo tiraria sua vitória? Em primeiro lugar, ela não disse isso; em segundo, ela é católica; e em terceiro, ela não ousaria dizer algo tão ardiloso.
O deputado Antônio Ceron fez questionamentos em relação ao catolicismo da Dilma Rousseff, que não é diferente do catolicismo de José Serra. Os dois estão no mesmo patamar em relação à disponibilidade, à visão de religião.
Não sou daqueles que vai para a missa em época de eleição, mas sou um católico que, eventualmente, compareço a atos religiosos. Não sou um católico praticante, fervoroso, e não acho que rezar todos os dias vá resolver os problemas da minha vida.
Então, quando dizem que a nossa candidata falou algo do gênero ligado à religião e reproduz-se isso, só podemos inferir que se trata de uma guerra santa, que foi deflagrada nesta eleição.
Nós, do PT, passamos a valorizar mais esse tipo de ato, principalmente nesse segundo turno, e vamos colocar o pé na estrada, pois não adianta ficar em casa. O PT em Santa Catarina tomou o seu caminho, ou parte dele, e vai continuar tocando a campanha com resignação, determinação e perseverança, porque vamos ganhar as eleições, para que a ex-ministra Dilma dê continuidade ao governo do presidente Lula.
A idéia que se tenta passar de que o presidente Lula simplesmente continuou o que Fernando Henrique estava fazendo é não enxergar o que o nosso governo fez e o que estava sendo feito anteriormente, como as privatizações, como as vendas do estado para empresas internacionais com financiamento do BNDES. No nosso governo o BNDES financiou empresas brasileiras, inclusive para comprar empresas lá fora, para ter mais competitividade, para crescer no mercado internacional e gerar dividendos para este país.
Agora, quanto a esse cenário que nos foi colocado, cabe uma reflexão. Neste segundo turno temos que estar firmes em determinados momentos da campanha, por isso estamos aí com uma série de plenárias pelo estado. No dia de hoje estaremos em Rio do Sul e em Blumenau ajudando nas diretrizes do segundo turno, porque temos claro que o Brasil não pode retroceder e que a nossa candidata é a figura mais preparada para continuar o governo do presidente Lula.
Achamos que a internet seria uma ferramenta importante nessa eleição para alavancar os candidatos, para mostrar propostas e debates políticos, mas ela foi importante nessas eleições como uma ferramenta de discriminação, ferramenta esta que não foi valorizada suficientemente por nós, que foi subestimada pelo PT, porque achávamos que ela não seria capaz de apregoar tamanhas mentiras.
Por isso, nós, do Partido dos Trabalhadores, estamos firmes e convictos da vitória de Dilma Rousseff no segundo turno, principalmente no momento em que ampliamos nossa bancada nesta Casa e que contaremos com mais uma deputada: Luciane Carminatti, de Chapecó, que ontem aqui esteve para se ambientar e visitou-nos em nossos gabinetes. Trata-se de uma figura muito combativa, que vai ajudar na qualificação deste Parlamento, deputado Sargento Amauri Soares.
Eu, que estou retornando, quero, carinhosamente, mais uma vez, agradecer a cada eleitor, a cada cidadão catarinense e ao meu querido alto vale, uma vez que em Rio do Sul fiz quase 11 mil votos que me permitiram retornar a esta Casa por mais quatro anos, para continuar fazendo a defesa daquilo que acho de direito, justo, ético e moral para o povo catarinense. E espero que aquilo que entendo que é a luz dos olhos dos catarinenses seja o mais importante para este estado.
Vamos continuar fazendo uma Oposição propositiva, sem radicalismo e sectarismo. É importante, no primeiro passo, o diálogo; em segundo, termos aqui o melhor dos relacionamentos para que esta Casa continue, de forma madura, a ser conduzida no mesmo eixo desses últimos quatro anos.
Por isso, quero desejar a cada catarinense, e, principalmente, a cada companheiro do meu partido um bom final de semana.
Gostaria de dizer àqueles que estão imbuídos na vitória de Dilma Rousseff que não há mais tempo para ficarmos em casa, pois já houve um descanso nesses últimos dias. Devemos engraxar as botas e colocar o pé na estrada rumo a esse segundo turno!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)