Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

47ª Sessão Ordinária - 28/06/2005

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente e Srs. Deputados. Saúdo também, respeitosamente, os que nos honram com sua presença nesta Casa e que nos acompanham pela TVAL.

O meu propósito, Sr. Presidente, nesta oportunidade, é discorrer, mesmo que en passant, sobre três assuntos. O primeiro deles é em torno do grande evento realizado na noite de ontem, em que os Srs. Deputados prestaram homenagens a empreendedores, a figuras que vêm realizando serviços de magna importância no campo empresarial, na geração de empregos e de riquezas.

Portanto, foi, sem sombra de dúvida, um grande evento, mas eu saí meio frustrado. Gostaria que tivessem falado um pouco sobre a importância do nosso homenageado, como de resto creio que todos os Srs. Deputados gostariam que tal fato ocorresse. A coisa foi telegráfica, mas, enfim, é a praxe. Não estamos aqui para, com esta crítica, propor alguma alteração porque se fôssemos ler currículos bastante extensos ficaria muito complicado.

Mas quero falar um pouco de Ivan Ivanov, que foi adotado por Lages e ele escolheu Lages para residir e lá se estabelecer como empreendedor.

Vou falar um pouco do seu pai, precursor de toda essa história. O Sr. Ivanov Hristo foi um búlgaro remanescente da Guerra Fria. Há toda uma história do Sr. Hristo: foi preso por longos anos, fugiu da prisão na Bulgária uma vez; fugiu a segunda vez, através da Iugoslávia; e depois sofreu muito. Enfrentou uma temperatura de 35º abaixo de zero, praticamente sem roupa e sem calçado, porque eram assim as atrocidades lá nas chamadas cortinas de ferro.

De lá fugiu, veio para o Brasil, estabelece-se em São Paulo e depois escolheu Lages para se estabelecer. A história do Sr. Hristo, pai do nosso homenageado, daria uma película cinematográfica, pois é uma história impressionante.

A empresa Sofia, que eles fundaram em Lages, em 1972, tem hoje 152 colaboradores trabalhando num moderno parque industrial equipado com refeitório, sala de treinamento, ambulatório médico e vestiário. É uma área construída de 14 mil metros quadrados, num terreno de 40 mil metros quadrados. Lá está a Sofia produzindo para exportação.

Isto é um pouco da história desta empresa para que os Colegas tomem conhecimento:

(Passa a ler)

"BALANÇO SOCIAL SOFIA 2004

A Sofia, desde sua criação, ao longo dos anos, vem buscando desenvolver formas de melhoria de qualidade de vida de seus colaboradores e dependentes, priorizando a geração e manutenção de empregos.

A empresa oferece a todos os seus colaboradores benefícios referentes à alimentação, assistência médica e odontológica, transporte e treinamento. Além disso, um plano de seguro de vida em grupo.

A empresa, visando a melhoria contínua, também prioriza programas voltados à valorização do ambiente de trabalho, com foco na organização, respeito às normas de segurança, limpeza e racionalização de tarefas, seleção e reciclagem do lixo industrial, investimento na capacitação de seus colaboradores proporcionando cursos diversos em parceria com o Sesi, bem como auxílio no custeamento de cursos de nível superior.

Mantemos também, em franca atividade, a Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), que, além da prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, preocupa-se também com a qualidade de vida de seus colaboradores, promovendo diversas palestras de orientação sobre os mais diversos temas como saúde, segurança, drogas, psicologia sobre tratamento para como instruir as crianças na sua educação, etc. Promovemos todos os anos a Sipat (Semana Interna de Prevenção ao Trabalho), não só por ser uma obrigação legal, mas como um momento onde integramos todos os colaboradores numa grande confraternização, efetuando vários trabalhos e palestras ilustrativas com o objetivo de melhorar qualidade de vida e o relacionamento interno.

Os profissionais, com isso, são reconhecidos e a empresa ganha o aumento da produtividade e qualidade de seus serviços e produtos.

Através da parceria com institutos prisionais do Estado de Santa Catarina, vem desenvolvendo um trabalho de auxílio na recuperação dos apenados, que desenvolvem serviços na montagem de produtos fabricados pela empresa, através do que recebem remuneração para o auxílio de suas famílias e têm a pena reduzida em um dia a cada três dias trabalhados."

(Cópia fiel)

Enfim, Sr. Presidente, se fosse ler tudo aqui, o meu tempo seria pequeno. Como quero tratar ainda de um outro assunto, pediria, com a devida vênia, que V.Exa. determinasse a transcrição nos Anais da Casa do inteiro teor do balanço social da Sofia, bem como do currículo do nosso homenageado, isto para dar mais ênfase àquele grande evento ocorrido na noite de ontem.

(Transcrição da continuação do discurso do Deputado Francisco Küster.)

"A empresa tem participado de programas de Incentivo à Qualidade e Produtividade desenvolvida pela Federação das Indústrias dos Estados, em parceria com a CNI - Confederação Nacional das Indústrias -, tendo sido premiada no ano de 1998, em primeiro lugar, em nível nacional pela CNI, e em 1999 foi a primeira colocada na etapa regional.

A Empresa foi agraciada nos últimos seis anos com o Prêmio Empreendedor José Paschoal Baggio, por estar entre as maiores geradoras de ICMS adicionado, contribuindo assim para o desenvolvimento socioeconômico da região, através de reinvestimento desse valor na região em que atuamos.

Na área do meio ambiente, tem-se destacado no plantio de pínus, conduzidas para indústria madeireira e moveleira, e tem disponibilizado essas áreas para futuras negociações de seqüestro de carbono. Estarão sendo inauguradas no próximo dia 1º de dezembro duas novas estações de tratamento de esgotos dentro das mais modernas tecnologias aplicadas, visando, com isso, a melhora das condições do meio ambiente, evitando a emissão de água contaminada nos emissários pluviais.

Outras parcerias a serem destacadas são as que mantemos com o Sesi, em que mantemos em nosso local de trabalho duas telesalas de aulas onde são ministradas aulas de 1º e 2º graus aos colaboradores da empresa e aos alunos da comunidade que residem próximos de sua sede.

Mantemos parceria com o Município de Lages, através do Fundo Municipal da Infância e da Adolescência, do projeto Adoci - Adote um Centro de Educação Infantil -, em que adotamos duas creches com cerca de 150 crianças assistidas de zero a dez anos.

Participamos do Programa Largada 2000, que é uma aliança entre Sesi e Instituto Ayrton Senna, vislumbrando um espaço mínimo necessário para nossa juventude e uma aproximação entre empresa e escola.

Assinamos, mais recentemente, uma parceria com a Empresa Tractebel Energia, na qual negociamos a troca do excesso de vapor por ela produzido pelo nosso resíduo industrial do processo de beneficiamento da madeira. Com isso estamos contribuindo sensivelmente para a redução da emissão de gás carbônico e o conseqüente aumento de mão-de-obra.

Mantemos parceria com o Sesi no Programa Inclusão Digital, com a instalação de salas de informática em nossa sede, sendo nossa empresa pioneira nesse processo para a implantação do projeto que visa beneficiar, além dos nossos próprios funcionários, os trabalhadores de outras indústrias locais.

A EMPRESA- HISTÓRICO

Fundada em junho de 1972, pelo búlgaro Ivanov Hristo com o objetivo de industrializar, exportar e importar produtos manufaturados de madeira e plásticos, a Sofia Industrial e Exportadora Ltda. é uma empresa familiar. Lages foi escolhida para instalação da indústria por ser uma região rica em madeira, principal matéria-prima da empresa.

A produção começou com prendedores de roupas, em um barracão de chão batido com 250m², localizado no bairro São Cristóvão, com máquinas criadas e desenvolvidas pelo próprio sócio-fundador, Sr. Ivanov Hristo. Desde então, a empresa superou as expectativas, crescendo e destacando-se entre as indústrias de Lages. Foi agraciada com vários prêmios, dentre eles, Empresa Industrial do Ano, em 1980, oferecido pela Acil - Associação Comercial e Industrial de Lages -; Empresário do Ano, em 1981, oferecido pelo Clube 14 de Junho; em 1985, o Troféu Dieter Schmidt, oferecido pela Fiesc, por ter inserido um novo produto na pauta catarinense de exportação - o prendedor de roupas -, e em 1998, o Troféu de primeiro colocado no Prêmio CNI de Incentivo à Qualidade e Produtividade pelo desenvolvimento de um projeto pioneiro para montagem de grampos de roupas.

Atualmente, a empresa conta com 152 colaboradores trabalhando num moderno parque industrial equipado com refeitório, sala de treinamentos, ambulatório médico e vestiário.

Localizada em Lages há mais de 32 anos, a empresa dispõe de uma área de 40 mil metros quadrados, possui 14 mil metros quadrados de área construída, conta com extensas áreas reflorestadas e com outras áreas já sendo preparadas para reflorestamento, que dentro de cinco anos irão proporcionar à empresa auto-suficiência em madeira.

Prendedores de madeira e plástico, madeiras pré-cortadas para móveis e construção civil são produtos oferecidos para o mercado interno, além de painéis de pínus, boards, cercas, decks, balaústres e jambs para exportação.

A Sofia vem desenvolvendo seus processos e produtos com a cultura da qualidade total, que por meio do seu Programa TQS 2000 vem, há mais de três anos, criando mudanças comportamentais e de estrutura, adequando a empresa e seus colaboradores à melhoria contínua, em busca da satisfação total.

A HISTÓRIA DO FUNDADOR

(Jornalista Valquíria Guimarães)

‘UM SOBREVIVENTE DA CORTINA DE FERRO

Ele tem uma história de vida que poderia servir de enredo para um filme da II Grande Guerra. Por trás da aparência fragilizada pelo passar dos anos, o brilho dos olhos azuis de Hristo Ivanov ainda resiste ao tempo. Olhos de quem foi testemunha, vítima e protagonista. Olhos de quem escreveu, à mão armada, impulsionado por pensamentos idealistas e coragem de jovem, um pedaço da história da humanidade. Numa época triste marcada por tantas transformações, manchada por fatos assustadores, pela divisão do mundo, pela disputa de poder e que até hoje evoca sentimentos que envergonham o presente do homem.

A Cortina de Ferro se levantou e fechou-se para o jovem Hristo Ivanov em 1946. Então com 19 anos, o jovem, que estudou durante 15 anos para ser maquinista e que foi obrigado a pegar nas armas e a defender o seu sonho idealista, foi parar numa prisão de segurança máxima em seu país, a Bulgária. Antes de ser preso político, Hristo nunca se tinha rebelado contra a sua pátria. Ele foi soldado na II Grande Guerra defendendo as cores da sua bandeira ao lado dos países do Eixo - Itália, Alemanha e Japão. Por se considerar fascista, não jurou fidelidade à bandeira búlgara, já então dominada pelo regime comunista. Durante cinco anos da sua juventude viu o tempo passar numa cela de dimensões absurdas, cinco por oito metros, dividida com outros 90 presos políticos. Ali, a liberdade tão sonhada por Hristo foi podada a ferro pelos comunistas que o condenaram à prisão perpétua. Num novo julgamento, uma esperança: a pena ficou reduzida a 15 anos. Mesmo assim, jamais se conformou. Num diário escrito a carvão, o jovem desabafava o seu drama, revelava o seu inferno, escrevia os seus planos de fuga. Sabia que era uma missão impossível. Mas, em seu íntimo rebelde e aventureiro, não parava de arquitetar a sua volta ao mundo, o seu encontro com a liberdade!

Aos 76 anos, ele lembra de tudo como se os fatos não tivessem se passado há mais de 40 anos. Em sua memória, as cenas estão ainda bem vivas. Tudo está ali, como desde a hora exata em que conseguiu atravessar o país que faz limite com a Bulgária, a Iugoslávia. Porém, até chegar nessa data, foram cinco anos vivendo seus piores momentos. Nos intermináveis 1.825 dias em que ficou preso, Ivanov sentiu na pele todo o tipo de tortura física e mental, viveu situações de horror, de tensão e sobreviveu em condições subumanas. ‘Apanhei que nem cachorro’ murmura, sem esconder a emoção da lembrança. Recorda de uma data especial, o dia de Natal.

CASTIGO - Conta que o prisioneiro político não tinha licença para tomar sol no pátio da cadeia. ‘Ao contrário dos demais presos, ficávamos dia e noite trancados na cela’. Naquele dia eles conseguiram driblar os soldados e misturaram-se aos demais detentos. ‘Passamos o dia ao ar livre, tomando sol. Foi uma maravilha’. Quatro dias depois, a indisciplina foi descoberta pela direção da cadeia. Eles foram colocados de castigo numa cela sem janela; os presos foram obrigados a tirar toda a roupa. Nus, com a temperatura de 35 graus negativos lá fora, eles deitaram sobre a laje fria da cela, que mais parecia uma solitária. Estirados, um ao lado do outro, nem assim conseguiam afugentar o frio. Para piorar a situação, os soldados colocavam água na cela. ‘Não conseguíamos encostar o pé no chão’. Por sorte, fala ele, um criminoso o salvou. ‘Antônio, nunca vou esquecer o nome dele, ficava na cela em cima da nossa. Ele fez um furo no teto e por ali jogou palito de fósforo e papel. Fizemos um foguinho que nos aqueceu um pouco’. Ficamos ali cinco dias e cinco noites. ‘Não quero mais passar isso’, confessa, sem esconder a emoção.

Até hoje, em seus sonhos estão ainda bem vivas as imagens de seu desespero na prisão e de seu drama na Cortina de Ferro. Mas com uma força interior evidente expressada em cada gesto, Hristo fala que realmente é uma pessoa forte. ‘Se eu não fosse, teria desistido de viver há muito tempo’, justifica. E foi justamente por essa determinação, por essa força que lutou até o fim.

A INEXPLICÁVEL FUGA DA PRISÃO

Nem ele sabe como conseguiu vencer o medo, enfrentar o horror e fugir da prisão de segurança máxima da Bulgária, sua pátria. ‘Só Deus sabe como foi’. Era, 14h15min, do dia 29 de setembro de 1951, horário do trem cruzar os trilhos que passavam perto da cadeia. Naquele momento, Hristo sabia que os soldados sempre desviavam a sua atenção para o apito da máquina. Ele e um companheiro estavam no pátio, num dos poucos intervalos de 15 minutos concedidos aos prisioneiros políticos fora da cela. ‘Pedi para o soldado me levar ao banheiro. Fui eu e o outro preso, que na última hora resolveu não escapar’. Num momento de distração do soldado, Hristo fugiu. Pulou o arame farpado e correu. Correu muito sem olhar para trás, não acreditando que estava escapando da prisão sem ao menos levar uma rajada de metralhadora. ‘Fugi debaixo de umas 12 metralhadoras’. Nem ele acreditou em seu destino. Com o coração palpitando, o corpo tremendo, o jovem correu 50 metros sem parar em direção a um matagal. Quando pisou no mato, parou por um instante e começou a chorar. Ele não sabia para onde iria. ‘Deu vontade de voltar’. Sentia-se como um animal acuado, que seria perseguido sempre por defender suas idéias, um foragido político.

Até hoje ele não sabe como conseguiu escapar. ‘Foi Deus quem quis’, desabafa. Uma hora depois de muito correr chegou à estação ferroviária. Tinha que pegar um trem e fugir porque às 18h ele estaria sendo caçado por todo o país. Foi então que tomou outro rumo: o das montanhas. Durante seis dias e seis noites enfrentou frio, fome e cansaço para cruzar a divisa e chegar ao seu destino: a Iugoslávia. Orientava-se pelas estrelas. Alimentava-se com o açúcar roubado na prisão, de algumas frutas e só a água era encontrada à revelia. Sem hesitar, conta que não queria ver seres humanos. ‘Se visse alguém era possível que eu matasse para viver’. Foi assim, com os nervos à flor da pele, num clima de muita tensão que Ivanov chegou em seu destino num bonito dia de outono. Precavido, o jovem preferiu observar bem o terreno antes de arriscar qualquer manobra. Foi sua sorte. Ao longe, os olhos azuis de Hristo Ivanov avistaram dois soldados búlgaros, que tomavam conta da divisa. Ainda viu que os homens estavam acompanhados de um cachorro. Como sabia que não tinha escapatória, decidiu enfrentar o seu carma. Como quem não quer nada, foi caminhando em direção à fronteira da Iugoslávia. Descendo o morro tranqüilamente, Ivanov sentia o coração disparar. Quase chegando perto de seu destino, ouviu os soldados gritarem ‘pare’. ‘Eles gritaram três vezes e depois começaram a atirar’. Outra vez escapou da morte. Às 15h12min atravessou a fronteira e, por sorte ou destino, escondeu-se das balas no meio de um rebanho de ovelhas. ‘Parece que elas até queriam me ajudar’.

UMA DIFICULDADE ATRÁS DA OUTRA

A aventura de Hristo Ivanov em solo estrangeiro estava apenas começando. Depois de fugir de sua pátria, o rapaz de espírito rebelde, que nasceu em Gabrovo, continuava a perseguir a liberdade. Depois de escapar das metralhadoras, ele preferiu continuar escondido no mato. Sua intuição lhe ordenou que se mantivesse escondido.

Ele conta que não tinha certeza se conseguira atravessar a fronteira. ‘Como me guiava pelas estrelas, numa noite de céu nublado quase voltei em direção à Bulgária’. Por isso, só se sentiu seguro quando, ainda no mato, avistou duas crianças. ‘Fui falar com elas, que não entenderam nada do que eu disse’. Completamente desfigurado, barbudo, todo sujo, Hristo conta que as crianças se assustaram quando o viram. Continuou seu caminho até encontrar uma aldeia. Foi, então, que viu soldados do Exército iugoslavo e sentiu que estava salvo. ‘Antes mesmo de eles me avistarem, eu atravessei a distância que nos separava com as mãos para cima’, lembrou. E foi rendido que Hristo pisou de fato em território iugoslavo. Mas seus temores não tinham terminado. Depois de ser interrogado, Hristo passou por outros apertos. Foi levado, à noite, para um campo de concentração, onde estavam outros refugiados de guerra.

Antes de ser trancado num campo de concentração, foram seis dias e seis noites de caminhada por estradas empoeiradas e enlameadas. Seguido de perto por uma metralhadora do soldado iugoslavo. ‘Achei que iriam me matar’, confessou. A primeira refeição decente nesses dias foi um prato de feijão compartilhado com a tropa. Depois de ser novamente interrogado pelo Exército, Hristo foi considerado espião. ‘Eles cismaram que eu era espião porque prontamente eu respondia fatos da minha vida’. Ter uma boa memória foi o seu azar. Nesse período, passou de campo de concentração em campo de concentração. Chegou perto de perder a sua vida. A fixação do Exército pela figura de Hristo só terminou com a chegada de outro personagem nessa história. Ele conta que foi essa pessoa que lhe salvou a vida. ‘Esse rapaz disse que eu iria morrer, caso não afirmasse que ele era um espião’. Mais uma vez, Hristo viu a morte passar bem perto. A surpresa maior foi que esse companheiro não foi morto, revelou.

Até que numa dessas transferências, o sangue aventureiro começou a pulsar novamente. Por determinação do Exército, Hristo foi transferido do campo para trabalhar em uma mina em Belgrado, capital da Iugoslávia. Foi dali que ele fugiu pela segunda vez. Porém, não saiu do país. Foi trabalhar numa cooperativa. ‘E caí nas graças do chefão’. Corria o ano de 1952, quando o fugitivo virou chefe de restaurante da cooperativa e engraçou-se pela cozinheira, Jana, que viria a ser sua mulher e mãe de seus sete filhos. Nos seis meses que ficou trabalhando ali, Hristo não se conformava com o regime estabelecido. Seu espírito rebelde nunca aceitou a ditadura da Cortina de Ferro. Por isso, decidiu fugir outra vez e deixar para trás a opressão comunista. Só que desta vez, apaixonado, levaria a mulher Jana. Por quatro vezes eles tentaram escapar. No entanto, Jana, então com 25 anos, não conseguia chegar ao fim da fuga. Nervosa, a moça começava a chorar e pedia para voltar. ‘Ela desistia e eu não conseguia ir adiante’. Na terceira vez, o casal chegou a percorrer 600 quilômetros a pé. ‘Só que ela não quis ir até o fim’. Foi somente na quarta tentativa que a fuga se concretizou.

UMA PASSAGEM PELA ITÁLIA ANTES DE CHEGAR AO BRASIL

Decidido a encontrar a liberdade, Hristo deixou claro à mulher que desta vez iria fugir nem que fosse sozinho. Depois de seis dias e seis noites dormindo ao relento, passando fome e frio, o casal chega ao destino: a Itália. Lá, num pequeno lugarejo chamado Trieste, Hristo lembra que queria entregar-se, só que não tinha para quem. ‘Eu não estava acostumado com a democracia’. Sem saber direito o que fazer, parou a primeira pessoa que encontrou na rua e perguntou onde ficava o posto policial.

De Trieste, o casal foi parar em Gênova. Dali partiam navios carregados de imigrantes das mais diversas partes da Europa com destino ao Novo Mundo. ‘O Brasil era um dos mais procurados pelos imigrantes’, recorda. Ele e a mulher, foragidos da Cortina de Ferro, não tinham opção. Ele conta que na véspera de Natal de 1951 só estava a delegação brasileira no porto de Gênova. Sem hesitar, ele e a mulher entraram no navio rumo ao Brasil. Atravessaram o Atlântico em dois meses de viagem e aportaram em terras brasileiras no dia 13 de fevereiro de 1952. Foram recebidos, no Rio de Janeiro, pelo Presidente Getúlio Vargas que entregou a cada imigrante Cr$ 183,00. Um mês e meio depois, nascia a primeira filha do casal, Maria.

Na Terra Brasilis, novas aventuras aguardavam o casal. Mal pisou o solo brasileiro, Hristo conheceu um imigrante búlgaro que tinha uma fazenda no Mato Grosso. E lá foram colher algodão na fazenda do ‘patrício’. Só ficou sabendo da enrascada em que se meteu quando, um mês depois, não viu nem sinal do dinheiro. Na realidade, ele servia, a exemplo de tantos outros imigrantes que na época desembarcavam no Brasil, de mão-de-obra escrava. Tarimbado em fugas, Hristo não se fez de rogado e procurou outro caminho. Fugiu para São Paulo.

Quando saltou do trem às 10h da manhã, já em São Paulo, foi em busca de emprego. Às 18h já estava trabalhando numa fábrica. Ele lembra que se entendeu bem com o patrão, um italiano com tendências fascistas. ‘Ele me empregou e depois me ajudou a buscar a mulher e a filha’. Em São Paulo, a aventura de Hristo Ivanov parecia ter finalmente terminado. Durante 20 anos que ali ficou, ele fez de tudo um pouco até virar empresário. Não sem antes se revelar um inventor de máquinas. Hristo criou a sua própria máquina de fabricação de prendedores de roupas.

FIXAÇÃO PARA LAGES VEIO APÓS ACIDENTE DE CARRO

‘Era um aventureiro’. Por ser assim, engajou-se em vários projetos, nem todos bem sucedidos. Porém nunca desistiu de lutar. ‘E se fosse preciso, começava tudo de novo’. Teve um momento que ficou sem nada. Só se definiu quando recomeçou com a fábrica de grampos. ‘Daí me endireitei’. E foi por intermédio dessa fábrica que veio parar em Santa Catarina. Há 27 anos, ele chegou em Jaraguá do Sul para fazer uma entrega. De Kombi, cruzou o Planalto Serrano. Quis o destino que o Hristo capotasse a sua Kombi e tivesse que passar a noite em Lages. Enquanto o filho e um amigo passeavam pela cidade, ele ficou na oficina, de olho no conserto do carro. Por acaso, observou uma serraria de grande porte que era de José Araldi. ‘Veio na minha cabeça a idéia de montar a fábrica de prendedores de roupas em Lages’, confessou. Na volta a São Paulo, a idéia virou obsessão. Foi assim que dois anos depois a família Ivanov desembarcava em Lages e montava a Sofia, empresa de madeira. O nome da empresa é uma homenagem à Capital da Bulgária, Sófia, terra nunca mais visitada por Hristo que, do alto de seus 76 anos, não traz no corpo nenhuma marca de guerra. ‘Não tenho um arranhão’, conta sem esconder o orgulho.

O corpo, que caminha hoje a passos lentos e apoiado por uma bengala, também não cedeu a mais de nove paradas cardíacas. A saúde de ferro do aventureiro Hristo balança a cada bombeada forte de seu coração. Mesmo assim, ele não abandona o hábito de fumar. Enquanto falava e contava a sua história, fumou um atrás do outro. As recordações da esposa, Jana, e do filho Gilmar também mexem com o coração aventureiro de Hristo. Gilmar, engenheiro, faleceu em 1989, vítima de um acidente de trabalho na empresa. Dois anos depois, Jana deixou o companheiro e os filhos. ‘Ela não agüentou a morte do filho’, confessou Carlos Ivanov. Os seis filhos, Maria, Ivan, Jorge, Carlos, Lucas e Cristo, tratam o pai com cuidado e carinho total. Bem como os dez netos, que sempre que podem imploram ao vô que conte a sua história na guerra. ‘Eles querem que ele escreva um livro’, contou Carlos. Reunidos em casa, os Ivanov se sentam ao redor do patriarca da família e de ouvidos atentos viajam em suas aventuras. ‘Cada vez que repete sua história, três dias depois ele sonha com tudo’, contam os filhos.’ (Publicação do Diário Catarinense de 6 de julho de 1997, quando do aniversário de 25 anos da empresa)

CURRICULUM VITAE

Dados Pessoais

Nome: Ivan Ivanov

Filiação: Ivanov Hristo e Jana Ivanov

Nascimento: 17 de junho de 1953

Nacionalidade: Brasileira

Naturalidade: São Paulo/SP

Estado Civil: Casado

Profissão: Industrial

Empresa: Sofia Industrial Exportadora Ltda.

Cargo: Diretor-Presidente (desde 15/06/1972)

Formação Escolar

1º Grau: Grupo Escolar Pandiá Calógeras

São Paulo/SP

Período: 1960 a 1964

2º Grau: Escola Técnica Antarctica

São Paulo/SP

Período: 1965 a 1968

2º Grau: Colégio Diocesano

Lages/SC

Período: 1981 a 1983

Graduação: Tecnologia em Automação Industrial

Centro de Tecnologia em Automação e

Informática - CTAI

Florianópolis/SC

Período: 2000 a 2003

Estágio

Profissional: Sofia Industrial Exportadora Ltda. -

Lages/SC

Trabalho: Automação de Aplicador de

Cola

Período: março a agosto de 2003

Pós-Graduação: Especialização em Automação e

Computação Industrial

Centro de Tecnologia em Automação e

Informática - CTAI

Florianópolis/SC

Período: fevereiro de 2004 a abril

de 2005

Atividades Extra-curriculares

Atividade: Tecnologia Aplicada

Entidade: Fundação Certi

Local: Lages/SC

Duração: 08 horas

Período: 1996

Atividade: Tecnologia Aplicada - Gestão de

Qualidade Total

Entidade: Fundação Certi

Local: Lages/SC

Duração: 16 horas

Período: 1996

Atividade: Qualidade Total para Microempresas

Entidade: Sebrae

Local: Lages/SC

Duração: 13 horas

Período: 1996

Atividade: Planejamento Estratégico

Entidade: Fundação Certi

Local: Lages/SC

Duração: 08 horas

Período: 1998

Atividade: Gestão de Qualidade Total

Entidade: Fundação Certi

Local: Lages/SC

Duração: 16 horas

Período: 1998

Atividade: Sistema de Qualidade ISO 9000

Entidade: Fundação Certi

Local: Lages/SC

Duração: 05 horas

Período: 1998

Atividade: Curso de Oratória - Comunicação

Estratégica e Relações Humanas

Entidade: Sesc

Local: Lages/SC

Duração: 14 horas

Período: 2004

Atividades Profissionais

Local: Sofia Industrial Exportadora Ltda.

Atividade: Diretor-Presidente

Endereço: Av. Dr. João Pedro Arruda, nº 2340

Lages/SC

Período: Desde julho de 1972

Local: Rotary Clube Lages

Atividade: Presidente, vice-Presidente e outras

Endereço: Rua Emiliano Ramos, nº 544

Lages/SC

Período: Desde 1993

Projetos

Desenvolvimento e melhoramento de vários equipamentos para a indústria madeireira.

Primeiro colocado da região Sul no Prêmio CNI de Incentivo à Qualidade e Produtividade em 1998.

Primeiro colocado nacional no Prêmio CNI de Incentivo à Qualidade e Produtividade em 1998 com o projeto ‘Aparelho Automático para Montagem de Prendedores de Roupa de Plástico’.

Primeiro colocado no Prêmio Serrano de Incentivo à Qualidade e Produtividade em 1999 com o projeto ‘Alimentador Automático para Serra Circular Múltipla’."

Ato contínuo, Sr. Presidente, quero, mesmo en passant e rapidamente, falar da audiência pública que realizamos ontem, aqui nesta Casa, para tratar do transporte coletivo urbano da Capital. Tivemos uma presença forte, o Prefeito, lamentavelmente, não pôde permanecer, pois tinha outros compromissos. Um Prefeito não pode ficar preso durante todo um expediente, e aqui ficou o seu colaborador, Sr. Norberto Stroisch, para atender aos questionamentos, e naquela oportunidade não houve nenhum questionamento a ele.

Mas o Prefeito está atento, sabe da grave responsabilidade que paira sobre os seus ombros, mas também sabe que está encarando uma grave crise. O transporte de massa, o transporte coletivo urbano, enfrenta, sem exceção, uma crise sem precedente: a violenta carga tributária que paira sobre esse serviço, à ordem de 30% mais ou menos, além do que as gratuidades, as generosidades ocorridas, em alguns casos até excessivamente, outras de inteira justiça. Portanto, o sistema não está mais remunerando.

Além do que, Sr. Presidente, sabemos muito bem que, cedo ou tarde, o Governo Federal terá que adotar uma política de subsídios ao transporte coletivo de massas nas zonas urbanas, principalmente nas regiões conturbadas, de maior concentração populacional. Isto é só uma questão de tempo. As passagens estão ficando muito caras. Os operários, os trabalhadores é que estão remunerando, inclusive, as generosidades praticadas nas Câmaras de Vereadores, e outros procedimentos. Algumas de inteira justiça, outras nem tanto.

Por isso, Sr. Presidente, como o Poder é representativo, cabe a nós outros nos envolvermos neste debate e buscarmos uma solução, mas não é fácil! No discurso, ela é fácil. Na falácia, é só dizer o seguinte: "O Prefeito não está fazendo nada, o Governador não faz nada". O Governador é responsável porque quebraram uma lâmpada numa escola. É assim, é tudo fácil! Agora, o importante é encarar de frente como está encarando o Presidente Lula uma crise que se abateu sobre o seu Governo. E eu continuo fazendo ressalvas à figura do Presidente. Neste mar de lama, eu não o incluo em momento nenhum. Não o fiz até agora e não vou fazê-lo porque estou convencido de que ele não faz parte deste lamaçal. Mas este lamaçal o cerca. Esta é uma triste e trágica realidade neste País, Sr. Presidente.

Portanto, no discurso é fácil apontarmos os defeitos, acusarmos e atribuirmos responsabilidades. Mas, como somos representantes do povo, temos também a grave responsabilidade de buscar soluções.

Eu quero crer que estão tentando buscar uma solução para a crise que ronda o Presidente Lula. E, de igual forma, o Prefeito da Capital faz aqui em Florianópolis; de igual forma faz o Governador Luiz Henrique, que administra um Estado que não recebe o mínimo de atenção do Governo Federal que abocanha a fatia do leão, do bolo tributário, e que não dispensa o mínimo de atenção aos Estados. Nós vamos travar o debate. Eu estou me preparando para um grande debate nos próximos dias, enfocando o aspecto do desprezo do Governo Federal com relação aos Governos Estaduais.

Concluirei, Sr. Presidente, mas voltarei a abordar este assunto na semana que vem e daí vamos debatê-lo. E vale aqui o registro: separo desses procedimentos o Presidente Lula. Com relação à falta de atenção aos Estados, eu já não faço essa... Não estou excepcionalizando porque depende dele. Está aí a arrecadação generosa da Cide e vamos atender aos Estados e aos Municípios! Penso que este é o debate que temos que travar nesta Casa!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)