72ª Sessão Ordinária - 28/09/2005
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. presidente, gostaria de esclarecer ao deputado Francisco Küster que o pagamento da dívida pública interna é a coisa mais fácil do mundo. A Alemanha resolveu esse problema logo após a Segunda Guerra Mundial: emitiu bastante papel-moeda e pagou todos os credores internos. Até hoje existem muitas paredes forradas com papéis-moeda porque perderam o valor. Então, pagar dívida é fácil; o difícil é o sacrifício do povo.
Ainda dentro do horário reservado aos partidos políticos, os próximos minutos são destinados ao PT.
Com a palavra o deputado Vânio dos Santos, por até dez minutos.
O SR. DEPUTADO VÂNIO DOS SANTOS - Sr. presidente, senhoras e senhores parlamentares, aqueles que nos acompanham das galerias, telespectadores da TVAL, meu caro ex-deputado Pedro Uczai, cuja presença já foi registrada pelo deputado Paulo Eccel, líder do nosso partido, quero também registrar a presença do sr. Luiz Carlos Vieira, vereador de Itapema e de dirigente do Sinte - Sindicato dos Trabalhadores da Educação.
Sr. presidente, assomo à tribuna no horário reservado ao meu partido para falar, mais uma vez, a respeito do processo de eleições internas que o PT viveu e que agora caminha para o segundo turno.
Queria ilustrar a minha fala mostrando a todos os senhores e senhoras a manchete do jornal Folha de S.Paulo, do dia 19 de setembro: "Falência do governo Lula pode trazer uma onda reacionária". É uma entrevista com o professor de história do Brasil, Luís Felipe de Alencastro, que coloca duas questões muito interessantes. A primeira delas é que a tentativa de desgaste do governo Lula e do PT tem como objetivo principal não a defesa da ética na política, não a defesa dos bons costumes, não a defesa da moralidade pública, não a defesa da justiça social, mas, sim, a idéia da volta das raposas.
Diz o professor que tal atitude, tal estratégia de desgaste do PT e de tentativa de desmoralização do governo Lula, abre espaço para o que classifica de "recalque bossal". E ele diz que esse "recalque bossal" está simbolizado, por exemplo, na frase do senador Jorge Bornhausen, quando afirma: "É preciso eliminar a raça petista".
O subtítulo do jornal diz: "Historiador teme o retorno do recalque udenista com seus preconceitos contra os pobres e os negros".
Continuando, ao responder a uma pergunta sobre o processo de eleição interna no PT, o mesmo historiador, Luiz Felipe de Alencastro, diz que o interessante é que pela primeira vez na história do Brasil há um acompanhamento pela imprensa e pela opinião pública de uma discussão interna de um partido e que isso é bom para a democracia, para a transparência e para a política do nosso país.
Sr. presidente, ontem, às 17h, foi anunciado o resultado final desse processo de eleição direta no nosso partido, ocorrido domingo, dia 18 de setembro, quando compareceram para votar 314.926 filiados e filiadas em todo o país. Aqui em Santa Catarina próximo de 10 mil filiados compareceram. Fui um dos que disputei a eleição interna do PT, entre cinco candidatos. E um deles, o vencedor do processo, está aqui neste momento nos acompanhando, o ex-deputado e ex-prefeito da cidade de Chapecó, Pedro Uczai, que terá, de nossa parte, todo o apoio, participação, colaboração e esforço para que dirija o nosso partido com aquilo que discutíamos nos debates - com democracia.
O perfil de Pedro Uczai é de democrata e por isso sabemos que vai interagir com o conjunto das forças do partido e que vai reconduzir o PT para, cada vez mais, afirmar o seu compromisso com a justiça social, com os trabalhadores; em defesa da reforma agrária, do pequeno agricultor, do microempresário; pela distribuição de renda e melhores salários e na busca e luta para que cada um possa realizar seu sonho, sua utopia, porque tem direito à vida, ao acesso a políticas públicas, à saúde, à educação, enfim, à felicidade.
Quero registrar que só um partido como o PT é capaz de passar por um processo de disputa como essa, onde a diferença entre alguns candidatos, na apuração da eleição em nível nacional, foi de 0,1%. Essa foi a diferença entre o candidato Raul Pont, que foi o segundo colocado, com 43.190 votos, e o candidato Valter Pomar, por exemplo, com 42.911 votos. A diferença foi de 0,1% entre o segundo e o terceiro colocados.
Terminada a apuração, lá estava Valter Pomar participando, ontem, da coletiva ao lado de Raul Pont, declarando seu apoio, embora com esse percentual ínfimo de diferença; assim como foi a diferença entre Plínio de Arruda Sampaio e Maria do Rosário: um com 13,4% e a outra com 13,3%. Novamente 0,1% de diferença.
O PT, ao se expor à sociedade brasileira, criou um processo que ganhou as ruas. E eu tenho sentido isso porque, por exemplo, ao abastecer o carro num posto de gasolina, o frentista me perguntou se eu era do Campo Majoritário; ao jantar em algum lugar, o garçom disse que me viu na televisão com o candidato Raul Pont e perguntou-me se era o meu candidato.
O PT se expôs e a sua militância e seus filiados responderam o que querem do partido, pois compareceram em massa para participar desse processo. Tenho certeza de que com isso o PT se rejuvenesce, reoxigena-se. O PT muda, porque a eleição do dia 18 de setembro renovou quase todos os 5.000 diretórios municipais do país; todos os 26 diretórios estaduais e o do distrito federal. Já está composto, proporcionalmente, o novo diretório nacional do partido e foi remetida para um segundo turno a decisão sobre quem será o presidente nacional do PT - Ricardo Berzoini ou Raul Pont.
O Sr. Deputado Francisco Küster - V. Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO VÂNIO DOS SANTOS - Pois não!
O Sr. Deputado Francisco Küster - Deputado, gostaria de cumprimentá-lo e o seu partido também, que no plano nacional não vive um dos seus melhores momentos, mas busca, obstinadamente, uma reoxigenação interna; isso é bom, é salutar para a democracia. O meu aparte é nessa direção.
Quero cumprimentar v.exa., que é um guerreiro, pois o conheço de longa data de Gravatal, e desejar sucesso nessa caminhada. Com certeza no ano que vem estaremos em trincheiras opostas - o PSDB de um lado e o PT de outro -, mas o PT tem dado grande contribuição para a democracia brasileira, apesar da crise, mas v.exa. e o seu partido estão tentando encontrar uma saída.
Meus cumprimentos.
O Sr. Deputado Paulo Eccel - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO VÂNIO DOS SANTOS - Pois não!
O Sr. Deputado Paulo Eccel - Sr. Deputado Vânio dos Santos, parabenizo v.exa. pela brilhante participação no pleito; debateu sobre o partido e a crise em todos os municípios catarinenses. Dessa forma, receba os nossos agradecimentos também.
Quero deixar claro, deputado Vânio dos Santos, que a força do nosso partido foi demonstrada pela maciça participação dos nossos filiados. Na realidade, quando tantos por aí estavam torcendo para que não houvesse quórum, que houvesse uma baixa participação, os filiados do PT mostraram que, apesar de tudo que vem sendo feito contra o partido nos últimos quatro meses, estamos presentes e vigilantes; que queremos, sim, continuar empunhando todas as bandeiras que sempre carregamos e vamos continuar desfraldando-a por este estado, pelos municípios, por todo o Brasil.
Parabéns ao PT!
O Sr. Deputado Wilson Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO VÂNIO DOS SANTOS - Pois não!
O Sr. Deputado Wilson Vieira - Gostaria, primeiramente, de parabenizar v.exa. pelo pronunciamento e dizer que o PT é um partido resistente. Temos quase cem dias de mídia batendo fortemente e ele continua resistindo. Nem a Igreja Católica suportaria uma pressão tão grande. O PT está mostrando que pode superar toda essa crise e ressurgir das cinzas. Iremos reconstruir o nosso partido, com certeza.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO VÂNIO DOS SANTOS - Muito obrigado deputados Dentinho, Paulo Eccel e Francisco Küster.
Gostaria, então, mais uma vez, de convidar todas as lideranças, todos os filiados para dois eventos: a posse do companheiro Pedro Uczai, na próxima sexta-feira, às 17h, aqui na Assembléia; e no dia 9 de outubro, quando cada filiado em Santa Catarina está novamente convocado para decidir sobre quem será o próximo presidente nacional de um partido que nos orgulha muito.
Muito obrigado.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)