36ª Sessão Ordinária - 24/05/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, senhores que nos acompanham através da TVAL, neste espaço de tempo quero tratar de dois assuntos e, se possível, de um terceiro.
Mas, antes de adentrar aos temas aos quais me propus, quero dizer ao Deputado Afrânio Boppré que conheço a cozinha comunitária, pois tive a oportunidade de visitá-la e penso que é um trabalho que comove. Era só este o depoimento que gostaria de dar!
Ato contínuo quero tratar do evento que aconteceu em Lages, simultaneamente à abertura da Festa do Pinhão. Lá compareceu o Sr. Governador, Dr. Luiz Henrique da Silveira, na nossa querida Lages, uma cidade pólo da Região Serrana, um dos Municípios que já foi berço político por algumas décadas, sendo que de lá emanaram cinco Governadores de Estado. Com o passar dos anos, no entanto, foi ficando para trás, em função do deslanche da prosperidade de outros Municípios em outras regiões.
O Governador, ao lado do Prefeito de Lages, João Raimundo Colombo - um Prefeito que, através da sua equipe, elaborou um projeto muito bem construído para angariar um financiamento para melhorar a malha viária urbana da cidade de Lages, apresentando-o ao Badesc -, num gesto de extrema grandeza e reconhecendo a importância do projeto e o que Lages e a região representam, sem pestanejar, usando uma expressão serrana, autorizou este financiamento da ordem de R$ 5 milhões.
E lado a lado lá estavam o Prefeito, que é postulante a uma candidatura ao Governo do Estado, em oposição ao Governador Luiz Henrique da Silveira, e o Governador, que também postula a sua reeleição, numa demonstração de grandeza política. E esses são os atos do Governador transformados em realidade, na retórica realidade, sem retalhar, sem discriminar quem quer que seja.
Deputado João Henrique Blasi, foram assinados convênios e lá estavam presentes os Deputados Antônio Ceron, Sérgio Godinho, este Deputado, o Deputado Federal Ivan Ranzolin e outros que serviram como testemunhas daquele grande acontecimento. Foi, portanto, autorizado o financiamento de R$ 5 milhões para a cidade de Lages.
Para ajudar no evento festivo de repercussão nacional, porque se trata da Festa Nacional do Pinhão, e para ajudar o Município de Lages nas tratativas, o Sr. Governador autorizou, fruto do Fundo Social, repito, a importância de R$ 150 mil, Deputada Odete de Jesus. Esses recursos foram liberados para ajudar os serranos a realizarem a sua maior festa, o seu maior evento.
E para o Banco do Microcrédito, o Banco da Mulher, foram autorizadas três parcelas de R$ 167 mil, perfazendo um total de mais de R$ 500 mil, para alavancar a micro e pequena atividade laboral na cidade de Lages. Ao Banco do Microcrédito, o Banco da Mulher, que tem ajudado muito na geração de emprego, que tem incentivado, animado e estimulado os pequenos empreendedores, as mulheres e os homens empreendedores também, foi autorizado esse aporte de recursos que se dará em três etapas de R$ 167 mil.
Isto é digno de registro, sim, porque o Governador - e, lamentavelmente, é muito useiro na política brasileira, nos Estados e até em Santa Catarina já aconteceu muitas vezes, quando alguém se arvora em opositor a quem governa, só chegam alguns recursos naquele Município se não for possível evitar, com raras exceções - lá compareceu lado a lado, mesmo sabendo que estaria ajudando a azeitar a máquina de um Prefeito que é competente, e esta é uma realidade que há de se reconhecer, de um Prefeito que vai ser seu opositor.
Mas do discurso à prática, sem discriminar, não importando de que Partido fosse, se era ou não postulante a concorrer com ele, a lhe fazer oposição - e, aliás, o Prefeito é o Presidente de um Partido de Oposição, o PFL -, aconteceu isso tudo, de uma forma muito civilizada, até porque o nosso povo serrano é hospitaleiro e o Governador sabe disso. O Governador se sentiu muito à vontade!
Portanto, faço, com muita satisfação, esse registro de que foi uma visita altamente proveitosa.
O que acabei de falar foi sobre a parte boa. A outra parte não é tão boa e não vou falar sobre as manchetes e as capas das revistas IstoÉ, Época e Veja, que ostenta um ratão engravatado, pois tudo isso nos assusta e preocupa-nos, mas será alvo de comentário mais tarde porque preciso medir bem as palavras.
Quero falar, Sr. Presidente, sobre uma situação que aconteceu na Região Serrana. Abateu-se sobre aquela região um vendaval, com chuva de granizo e, conseqüentemente, enchentes. Em Lages, por dois dias, dois bairros ficaram debaixo d’água, literalmente, coisa que há mais de 22 anos não acontecia.Choveu muito nas cabeceiras do Rio Cavera e seus afluentes, fazendo com que as águas subissem e represassem o Rio Cará - aquela ferradura que contorna o Município de Lages. E isso levou a nossa gente das regiões ribeirinhas ao desespero.
Não foi só isso. O Município de Bocaina do Sul foi assolado por um vendaval, com chuva de granizo, destruindo uma região. Passou um furacão, sei lá o quê. Até agora não identificaram o que aconteceu, mas foi um vendaval que arrancou pinheiros antigos, árvores centenárias, inclusive jogou uma árvore sobre a casa de um senhor, que acabou levando-o a óbito. Foi algo inexplicável o que aconteceu em Bocaina do Sul e, principalmente, em Lages.
Durante a estada do Governador em Lages, Sua Excelência autorizou que a Defesa Civil diligenciasse, com a maior rapidez possível, o levantamento dos estragos, dos prejuízos. Por conta desse infortúnio, também sofreram os Municípios de Alfredo Wagner e Bom Retiro. A imprensa registra ainda que os Municípios de Calmon, de Campos Novos, de Itapiranga, de Major Gercino, de Nova Trento e de Tijucas também foram afetados. Portanto, o Estado foi, quase que literalmente, assolado pelas chuvas que caíram no último final de semana.
Esses fenômenos têm se repetido constantemente. Não sei o que ocorre. Não sei se é a mãe natureza querendo se vingar das agressões sofridas ao longo das décadas, dos séculos! E recentemente as agressões se fazem mais acentuadas! Quero crer que deva ser isso. Sou daqueles que acreditam que a natureza é sensível, sofre e sua paciência tem limite, sim. Acho que ela está dando a resposta.
Esperamos que as autoridades não só promovam os levantamentos como também busquem, supletivamente, a parceria da Universidade Federal para estudar esses fenômenos. A Universidade Federal tem um corpo técnico docente e discente capaz de promover um levantamento para ver o que está acontecendo, até porque o Município de Bocaina do Sul foi assolado, em menos de dois meses, em duas oportunidades. São situações que vêm acontecendo e repetindo-se de forma preocupante. Como não temos uma resposta, procuramos encontrar justificativa para isso, mas não temos. Esperamos que os nossos pesquisadores da Universidade Federal, se instados a participar e ajudar, possam desvendar alguma coisa e que digam se é preciso fazer isso ou aquilo.
Lá esteve o Chefe da Defesa Civil, um militar da Polícia Militar, que me pareceu muito competente, revelando dados, inclusive até situações que eu ignorava, de que eles têm um centro de estudos conectado com as informações da Nasa, o que é muito importante.
Mas esperamos uma resposta e que Universidade Federal, que possui um corpo técnico com pesquisadores de elevadíssimo nível, possa nos ajudar a fazer esse levantamento.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)