47ª Sessão Ordinária - 20/06/2006
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. presidente e srs. deputados, imprensa que nos honra com sua presença, não vou falar muito, deputado Altair Guidi, porque aqui vemos nesta tribuna desfilar vários assuntos. Mas, atendendo a um apelo do deputado Lício Silveira, quero fazer um breve comentário sobre a sessão que realizamos ontem, deputado Dado Cherem, comemorando os 98 anos da imigração japonesa no Brasil.
No dia 18 de julho de 1908, os japoneses entravam no Brasil. E acho que na minha terra, deputado Altair Guidi, temos hoje a maior colônia japonesa de Santa Catarina e lá produzimos alguns produtos nos quais somos os melhores do Brasil. Nós temos kiwi de primeira qualidade, nectarina, pêra, a famosa pêra japonesa, maçã e flores, como cravos, crisântemos, rosas e até tulipas produzidas pela nossa colônia japonesa. Mas lá também está localizado o conhecido sino da paz, deputado Altair Guidi.
Na II Guerra Mundial, quando jogaram a bomba atômica no Japão, em uma sala de aula quase todos os alunos foram dizimados. Salvaram-se somente sete pessoas, sete guris. E nós temos o privilégio dos sete sobreviventes morarem na minha região. Os sete sobreviventes da bomba atômica agora não são mais sete, são seis, porque um já faleceu, e residem na minha região, no município que era distrito de Curitibanos, hoje Frei Rogério. E esses sobreviventes da bomba atômica, deputado Altair Guidi, cultivam flores.
O sr. Ogawa, que é um dos sobreviventes - e possui uma dificuldade muito grande, deputado Vieirão, ainda de falar o português - ,tem um filho que foi vereador do partido de v.exa., o dr. Ademar Ogawa. E o pai de Ademar Ogawa, que é um dos sobreviventes da bomba atômica, esteve aqui ontem, quando nos contou a história do terrível episódio que passou. Mas, por outro lado, deputado Lício Silveira, ele dizia, emocionado, a este deputado, que encontrou uma nova pátria, que encontrou um novo caminho a seguir e que da dor que sofreu, da perda da sua família, ele assumiu um compromisso com ele mesmo e cumpre-o rigorosamente, ou seja, o compromisso de cultivar flores - cravos, rosas e crisântemos - para com o símbolo da flor dizer à humanidade: nunca mais bomba atômica, nunca mais guerra. Vamos transmitir, através da beleza da flor, a compreensão e a tolerância entre os povos.
Naquele dia da bomba atômica apenas dois sinos de igrejas não foram destruídos ou não derreteram, apenas dois ainda existem no mundo: um está na cidade de Nova Iorque e o outro está lá na minha terra, no distrito de Frei Rogério, hoje município, deputado Romildo Titon, que também representa, como eu, aquela região. Está lá como símbolo e ainda bate, deputado. Quando a colônia japonesa quer realizar algum evento religioso, ainda toca o sino da paz, como nós o intitulamos. Está lá no alto, bem no alto da igreja, da capela, do monumento. Aquele símbolo da resistência ainda bate chamando os fiéis para lá comparecerem, quem sabe, para relembrar aquele momento histórico, deputado Lício Silveira.
Por isto tivemos o privilégio, ontem, de assistir a uma sessão solene bonita, na qual nós, brasileiros, catarinenses da região do planalto serrano, de Curitibanos, de Caçador, de Lages, de São Joaquim, de Frei Rogério e de Fraiburgo, quisemos externar os nossos agradecimentos aos nossos irmãos que vieram do outro lado do mundo para nos ensinar a produzir maçã, kiwi e caqui.
Inclusive, há pouco o ilustre presidente desta sessão disse-me que ficou impressionado, assim como v.exa. ontem, deputado Lício Silveira, com a beleza da produção daquela gente ali exposta. Todos que passaram pelo hall desta Assembléia Legislativa puderam ver a beleza da produção feita pelos japoneses, pelos descendentes dos japoneses e hoje também pelo nosso caboclo, pelo homem comum da região que foi ensinado a trabalhar na terra pelos próprios japoneses, no município de Frei Rogério.
Por isso, deputado Lício Silveira, ontem realizamos uma sessão solene de agradecimento. Com ela nós quisemos dizer ao povo japonês, como poderíamos dizer ao italiano, ao alemão, ao francês, enfim, a todos aqueles que vieram de outras regiões do mundo para fazer do Brasil a sua terra, a sua pátria, que nós estamos muito felizes em recebê-los e que com eles aprendemos a viver melhor. Portanto, na sessão solene de ontem nós, sem dúvida nenhuma, praticamos justiça aos nossos irmãos japoneses que aqui vieram.
Infelizmente, na próxima quinta-feira, deputado Lício Silveira, quis o destino que a nossa seleção brasileira cruze com a seleção japonesa, dirigida por um brasileiro, o nosso Zico, que não foi jogador do meu time. O Zico treina a seleção do Japão que vai enfrentar, na quinta-feira, a seleção brasileira. Se dependesse de mim, deputado Antônio Aguiar, eu pediria aos jogadores brasileiros para não vencerem o jogo e deixarem os japoneses ser classificados porque seria a primeira vez na história do Japão que uma seleção japonesa passaria da primeira fase.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)