18ª Sessão Extraordinária - 10/05/2006
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada Ana Paula Lima, catarinenses, deputado Antônio Carlos Vieira, eu pedi cópia à taquigrafia da Casa do pronunciamento do deputado Ronaldo Benedet, na tarde de ontem, sobre Segurança Pública.
Até gostei, pois eu o ouvi falando rapidamente sobre as medalhas, sobre aquela festa que ele havia preparado de despedida, aliás, virou coisa comum agora na polícia festa de despedida, festa de lançamento de candidatura. O delegado-geral do ex-secretário Ronaldo Benedet caiu porque estava lançando a sua candidatura fora de prazo numa festança paga com dinheiro público. Aí o ex-secretário Ronaldo Benedet montou uma festa das medalhas também, mas me parece que alguém alertou dizendo: "Olha, não entrega a medalha porque pode dar problema." E ontem ele disse rapidamente que as medalhas foram entregues "quietinho".
Não sei se ele foi entregar de casa em casa, porque me parece que a festa era para fazer um grande comício. Talvez tenha sido um trabalho mais boca de urna, mais no tête-à-tête. O pedido de voto deve ter sido mais individualmente. Talvez tenham evitado a fotografia, já que o diretor-geral da polícia dele tinha caído por fazer uma festança. Talvez esse pedido de voto, agora, tenha sido feito mais silenciosamente, mais "quietinho", sem chamar muita atenção. Até porque, deputado Antônio Carlos Vieira, a história de Santa Catarina não registra um período de tanta politicagem na Segurança Pública como esse que se viu nesse período. E misturar segurança com política, com interesse pelo voto é muito complicado.
Por isso que a Segurança de Santa Catarina vai tão mal, porque são interesses incompatíveis. O interesse pelo voto, o interesse à defesa dos direitos do cidadão e o combate da criminalidade não combinam!
Nós pagamos, deputado Antônio Carlos Vieira, um preço político muito alto por ter, durante o governo Amin, dois promotores no comando da Segurança Pública: um, que faleceu tragicamente num acidente aéreo, e outro, que depois substituiu esse que morreu, que é o dr. Chinatto.
Politicamente isso foi terrível, deputado Antônio Carlos Vieira. V.Exa. sabe disso porque havia uma intransigência por parte do comando de não misturar segurança com voto, com politicagem, com interesses políticos, diferente do que se viu nesse período que o deputado Ronaldo Benedet descreveu aqui.
O que se viu foi delegado-geral de polícia caindo porque estava usando a estrutura para lançar candidatura. Nós não estamos no quarto comandante da Polícia Militar, deputado Antônio Carlos Vieira! V.Exa. se equivocou! Em menos de quatro anos, já são cinco comandantes da Polícia Militar, porque até a Polícia Militar está sendo usada politiqueiramente por este governo. Até a Polícia Militar!
As transferências patrocinadas pelo ex-secretário Ronaldo Benedet, em Jaguaruna, na região, foram de perseguição política jamais vista na história, deputado Antônio Carlos Vieira! Policial militar que trabalhou para o nosso prefeito, para o nosso candidato, em 2004, foi perseguido odiosamente pela secretaria da Segurança. Nós denunciamos, aqui, na época, perseguição odiosa a policiais militares que, democraticamente, votaram no nosso candidato.
É que o deputado Ronaldo Benedet tinha outro candidato em Jaguaruna que, diga-se de passagem, levou uma surra do nosso candidato, e o deputado Ronaldo Benedet mandou transferir o policial militar de Jaguaruna para o norte do estado por perseguição política. Isso eu denunciei desta tribuna e foi denunciado também pela imprensa. E agora ter que ler um discurso desse do deputado Ronaldo Benedet, ontem, dizendo que a Segurança Pública de Santa Catarina está um paraíso, que não há problemas, não dá, deputados!
Eu quero dizer ao cidadão catarinense, que nos assiste pela TV Assembléia, que ele deve ouvir a sua comunidade. Você, pai de família, está seguro? Será, deputado Antônio Carlos Vieira, que nós estamos tão equivocados assim?!
Será que é "murrinhice" da oposição, deputado Antônio Carlos Vieira? Será que é implicância de nossa parte? Ouço, no dia-a-dia, a população reclamando, a população insegura. Nunca a população catarinense esteve tão insegura como agora! Nunca!
É a situação do caos, como v.exa. bem colocou, deputado Antônio Carlos Vieira, e só o ex-secretário não percebe. Só ele está seguro! O próprio governador dele mandou aumentar os muros do Palácio da Agronômica, da Casa d´Agronômica. Mandou até botar cerca elétrica! Nem o governador confiava na segurança que o secretário pudesse patrocinar! Por isso mandou levantar o muro!
E o cidadão, que não pode levantar o muro para se proteger? Que não tem duas guaritas, uma na entrada principal e outra na saída, na porta dos fundos? Esse cidadão, como é que fica? Será que ele está seguro?
O secretário, hoje deputado, não anda ouvindo a população. Só deve estar ouvindo os seus comandados, que dizem que vai muito bem. A situação da segurança pública do estado é de insegurança total, deputado Vieirão.
Eu recebi a visita de um delegado de polícia, e não vou citar o município para ele não ser perseguido, porque se eu citar o município aqui eu sei que ele será perseguido, pois este governo persegue muito, mas esse delegado de polícia vai fechar a delegacia porque recebeu uma comunicação interna dizendo que não há mais papel para registrar ocorrência policial. Está faltando papel, deputado Vieirão, para registrar ocorrência.
E o deputado Ronaldo Benedet disse ontem que está tudo bem, tudo tranqüilo.
Eu pergunto a você, policial militar: você está tendo combustível na viatura para fazer o seu trabalho? Você está tendo material, munição suficiente para trabalhar? Por que a imprensa tem registrado com freqüência fotografias de carros parados, sem manutenção?
A frota está depredada, sem manutenção, sem combustível, que é básico.
O Fabian Lemos registrou na coluna dele, do dia sete de maio, que é preocupante a situação da Polícia Civil de Santa Catarina.
(Passa a ler)
"A coluna teve acesso a uma comunicação interna indicando que faltam pneus e óleo de motor para os carros." A mensagem salienta ainda que não há previsão para a normalização do quadro.
Deputado Antônio Carlos Vieira, a Polícia Civil não tem condições de trabalho, a Polícia Militar está sem combustível para trabalhar, e o secretário vem aqui falar de uma realidade que não existe, que existe somente para ele.
V.Exa. tem razão. Eu acho que o deputado Ronaldo Benedet deve pegar o asfalto ali na serra do Faxinal, que eles já fizeram, em Araranguá. Depois, ele pega o asfalto da Interpraias - porque quem ouve eles falarem acha que eles também já fizeram -, vem até Laguna, embarca num aerobarco, aquele que o governador iria trazer da Rússia, da Europa, aqueles que iriam fazer a ligação do sul do estado com a Capital. Eu acho que dentro desses aerobarcos ele não consegue ouvir e ver o povo, não consegue ver a realidade de Santa Catarina, a insegurança plena que vive a família catarinense.
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Deputado Joares Ponticelli, realmente, a partir do momento em que o governo começou a utilizar os recursos de que dispunha para investimentos e começou a pagar pessoal, a pagar promessa de campanha, deu o que deu: veículos sem manutenção, falta de recursos para combustível e principalmente uma polícia que não está nas ruas.
Infelizmente, deputado Joares Ponticelli, ele é um privilegiado, porque ele vê o paraíso à sua frente. E nós, que não somos tão privilegiados assim, só vemos a insegurança.
Se eu for procurar no meu celular, encontro os telefones normais da Polícia Militar e da Polícia Civil, que normalmente não são atendidos. Mas o deputado Ronaldo Benedet tranqüilamente faz-se merecedor de contatos telefônicos com pessoas que mandam. Ele é diferente. Ele não precisa entrar em fila. Ele faz talvez alguns contatos e pede segurança por telefone. Agora, nós somos pessoas comuns, mesmo que deputados somos comuns, porque eu só uso essa roupa aqui nesta Casa, na rua eu sou um homem comum, eu ando em mangas de camisa, eu ando muito à vontade e muitas vezes não sou reconhecido. Ainda bem que não sou reconhecido porque aí eu posso ver a real situação da segurança e a situação do povo.
Obrigado!
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Eu tenho certeza, deputado Vieirão, de que o cidadão catarinense que nos assiste, que nos ouve, sabe que aquilo que o deputado Ronaldo Benedet disse aqui não é a realidade. Ele pode estar seguro, tem os seus seguranças, foi secretário, deve ter muitos amigos no comando da polícia, mas o cidadão, a sociedade catarinense não está segura, e nós queremos ampliar esse debate aqui nesta Casa.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)