Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

28ª Sessão Extraordinária - 23/10/2013

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados em que pese não pertencer ao PMDB, pois meu partido é o PSDB, a pessoa de quem vou falar hoje e por quem nutro grande admiração e respeito, até porque é um grande representante do norte catarinense e de toda Santa Catarina, é o senador Luiz Henrique da Silveira.

O senador escreveu no jornal Notícias do Dia de ontem um texto que merece reflexão. Eu gostaria de deixá-lo registrado na Casa e por isso peço a permissão dos companheiros que ler o conteúdo dessa crônica do senador Luiz Henrique da Silveira, referindo-se à quebradeira da economia na Europa, que está atingindo também todos nós.

(Passa a ler.)

"O que vem acontecendo na Europa é consequência do descumprimento de uma regra básica da economia: não se deve gastar mais do que se ganha.

Os governos da Comunidade Europeia - principalmente o grego, o português, o espanhol e o italiano - concederam mais benefícios salariais, sociais e previdenciários do que seus tesouros eram capazes de suportar.

Pressionados por sindicatos simpáticos a Moscou e por uma imprensa com forte inspiração socialista, os governos desses países (mesmo os da França e da Inglaterra) estabeleceram programas de seguridade social capazes de rivalizar com os da União Soviética (ensino público e saúde gratuita, seguro desemprego, aposentadoria, pensões generosas).

Essas plataformas, originárias na luta insensata da guerra fria, não tinham a rede protetora de um cálculo atuarial que as sustentassem nas décadas seguintes. O regime estalinista ruiu bem antes da crise europeia, pela mesma carga de benefícios que está inviabilizando a economia do Velho Mundo.

A encruzilhada entre socialismo e capitalismo não levou apenas a uma corrida armamentista, que fez na época União Soviética e EUA disporem de um arsenal nuclear capaz de destruir a Terra por cerca de 60 vezes. Essa corrida insana levou também à deterioração do estado, com a criação de uma grande bolha financeira que gerou os acontecimentos dramáticos observados hoje, entre duras discussões dos Parlamentos e medidas drásticas dos governos e reações violentas nas ruas.

Discursando perante milhares de pessoas em Praga, Vaclav Havel, líder da Revolução de Veludo, que decretou o fim do estalinismo na então República da Tchecoslováquia, fez uma afirmação muito verdadeira e presente para os dias de hoje: 'O comunismo foi capaz de distribuir a riqueza, mas não foi capaz de produzi-la'.

O que se observa na crise europeia é que nenhum dos dois sistemas está sendo capaz de produzir e distribuir a renda. Reunidos em Cracóvia, na Polônia, alguns dos principais líderes europeus acabam de reconhecer que as medidas de austeridade, de redução de salários e benefícios sociais não têm sido capazes de promover o equilíbrio das contas públicas, nem de propiciar a retomada dos investimentos.

Foi unânime a apreciação desses líderes, comandados pelo presidente de Portugal, de que só há um caminho para resolver a crise: o retorno do crescimento econômico. Olhando a crise europeia, preocupo-me com os rumos do Brasil, que tem sido pródigo em conceder bondades sociais sem contrapartida de recursos e sem cuidar da competitividade nacional, que exige investimentos em infraestrutura e, sobretudo, na pesquisa científica e tecnológica.

A crise da Europa é um farol a eliminar os rochedos dos quais a economia brasileira tem que se afastar para não naufragar adiante."[sic]

Em síntese, o que se está praticando no Brasil nos dias de hoje é muito parecido com o que se estava praticando na Europa algumas décadas atrás. Está-se concedendo muito sem se preocupar com o dia de amanhã, com as décadas seguintes. Como se suplantar todas as dificuldades em decorrência das benesses que hoje se dão? Então, há que se preocupar com isso. Comunismo absoluto, socialismo absoluto não deu certo. E todos sabem por quê.

Vejam a Alemanha. Quando derrubaram o muro de Berlim, era muito fácil verificar a diferença da Alemanha que praticou o comunismo, o socialismo e da outra que praticou o capitalismo. O capitalismo por si só também não funciona. Está-se produzindo em alguns países o meio termo, a social democracia. A China hoje pratica socialismo na sua ideologia e pratica o capitalismo na sua economia. E há uma tendência forte de muitos países partirem para esse princípio. Nós aqui ainda não sabemos se estamos praticando uma coisa ou outra. Na verdade, estamos pagando para ver o preço desta conta. Essa é a grande verdade.

Deputado Silvio Dreveck, quero agradecer a sua atenção, porque os demais deputados que estão neste plenário não me deram a atenção que v.exa. deu.

Era isso o que tinha a dizer.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)