88ª Sessão Ordinária - 21/09/2011
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Quero cumprimentar v.exa., sr. presidente, e os demais deputados presentes no plenário neste momento. Gostaria de cumprimentar também os estudantes que se encontram nesta Casa tomando conhecimento da forma como aqui se trabalha. Cumprimento também o deputado estadual Euclides Maciel, do PSDB de Rondônia, que neste momento está sendo recebido pelo nosso líder de bancada, deputado Dado Cherem.
Antes de entrar nos assuntos que me trazem a esta tribuna, quero dizer que ouvi atentamente o pronunciamento do deputado Sargento Amauri Soares.
Eu tenho o mais profundo respeito pelo deputado Sargento Amauri Soares, até porque ele defende as suas convicções com muita garra e força nesta tribuna, sempre de forma respeitosa. Acho que dentro da democracia isso é fundamental. Discordamos frontal e praticamente em quase todas as questões ideológicas, mas temos uma relação respeitosa muito grande. E quero dizer, deputado Sargento Amauri Soares, que, no meu modo de entender, a gestão privada é perniciosa. Acho que uma gestão privada que cuida da população nas questões públicas é muito perniciosa. Sou contra também a questão privada, mas também não sou nem um pouco a favor da gestão pública de forma absoluta.
Quando existe uma gestão como essa que se está implementando na Casan, em que a fatia maior fica por parte do governo, do poder público, e a fatia menor por parte da iniciativa privada, temos uma questão bastante interessante: um vai fiscalizar o outro. O poder público vai ser fiscalizado pela iniciativa privada, porque visa lucro, e não vai deixar que faça do seu meio um verdadeiro "cabidaço" de emprego ou providencie benefícios acima daquilo que é possível.
Essa é uma tendência muito grande do estado, quando exerce o poder. Como o dinheiro vem de forma fácil, emprega-se, aumenta-se salário, aposenta-se - e estamos vendo aqui na própria Casa -, faz-se uma porção de coisas. Mas quando há uma gestão dividida, como é o caso que se está implementando na Casan, um vai fiscalizar o outro. E acho que isso é salutar para a população. A parte privada da Casan, daqui para frente, vai ficar de olho na parte pública. E a parte pública vai ficar de olho na parte privada também, porque não vai permitir aqueles absurdos que normalmente a parte privada acaba exercendo - lucros abusivos, etc.
Então, acho que o mais interessante, deputado Sargento Amauri Soares, é acompanharmos isso de perto. Tenho a impressão de que vai ser uma experiência bastante interessante e acredito cegamente que vai dar certo, até porque a Casan como está, de forma pública absoluta, afundou-se numa dívida enorme, tem mais de R$ 1,5 bilhão de dívidas e não tem como pagá-la, não sabe mais o que fazer, perdeu os principais municípios de Santa Catarina e está numa situação realmente muito difícil.
Essa é uma alternativa bastante viável, até porque ela não vai perder o seu mando, não vai perder o seu poder - a parte pública - e vai ter um parceiro privado que, certamente, vai ajudá-la a sair desse buraco em que está metida.
Sr. presidente, quero aproveitar os quatro minutos restantes do horário para prestar uma homenagem quase que em causa própria. Hoje, 21 de setembro, é a data em que se comemora o Dia do Rádio e da Radiodifusão. E quero deixar registrado nesta Casa este dia porque sou profissional do rádio desde 1982. E há aqui um parceiro, o deputado Kennedy Nunes, um profissional de rádio também.
O meu registro profissional é n. 924, e faço questão de citá-lo até porque há muito curioso nesse meio, deputado Kennedy Nunes.
A primeira emissora de rádio no Brasil, fundada em 20 de abril de 1923 - e o seu fundador foi Edgar Roquette Pinto, na Academia Brasileira de Ciências -, foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, com o prefixo PRA-A. Logo depois veio a Rádio Clube do Brasil, com o prefixo PRA-B, fundada por Elba Dias. Em São Paulo, a primeira emissora foi a Rádio Educadora Paulista, fundada em 1924. Em Belo Horizonte, a primeira foi a Rádio Mineira, fundada em 30 de maio de 1936. E assim poderíamos ficar aqui descrevendo inúmeras rádios. A mais antiga de Santa Catarina é a Rádio Difusora de Joinville, rádio onde, pela primeira vez, eu fiz rádio na cidade de Joinville, vindo de São Francisco do Sul.
Quem não lembra o Repórter Esso?! Pessoas acima de 45 anos lembram com muita nostalgia do tempo do Repórter Esso, um noticiário que era apresentado pelo radialista Heron Domingues. O Repórter Esso ia quatro vezes ao ar ao dia, e eu me lembro muito bem do meu pai. Ai de alguém que abrisse a boca para falar alguma coisa na hora do Repórter Esso! Ele colocava o rádio em cima da mesa e todos nós ficávamos quietinhos escutando o Repórter Esso na Rádio Nacional de São Paulo. Belos tempos!
Tivemos inúmeros radialistas que são conhecidos no Brasil inteiro, como Chico Anísio, que também trabalhou em rádio. Quem não se lembra da novela O Direito de Nascer? Muita gente que é jovem está olhando para mim e pensando: "Meu Deus do céu, este cidadão deve estar com o pé na cova". Mas as pessoas que têm acima de 45 anos sabem do que estou falando. A novela O Direito de Nascer monopolizou o país inteiro durante muito tempo.
Quem não se lembra também da novela Jerônimo, o Herói do Sertão? O meu colega radialista, deputado Kennedy Nunes, que é bem mais novo do que eu, deve estar pensando: "O senhor está sendo profundo". Realmente, deputado Kennedy Nunes, essa é uma lembrança para pessoas acima dos 45 anos. Mas eu não poderia deixar de registrar nesta tribuna este dia especial, o Dia do Rádio e da Radiodifusão, sr. presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)