Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

19ª Sessão Ordinária - 19/03/2014

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente e srs. deputados, hoje a sessão está muito concorrida, mas fico satisfeito com cinco minutos, que serão suficientes para eu, primeiramente, cumprimentar o dr. Rodrigo Miranda, que é diretor técnico do Hospital Florianópolis, que atualmente administra aquele hospital e quer, através do novo tipo de administração daquela organização social, corrigir alguns entraves que acontecem, infelizmente, dentro da gestão do SUS.

Quero também parabenizar o jornal ANotícia, que é o único jornal que traz, periodicamente, o levantamento da situação da saúde, e que na semana passada publicou que somente Joinville, numa região em que há o Hospital Regional São José e outros hospitais públicos, atende 31 municípios da região norte, inclusive do planalto norte, que é referência em Joinville. A fila lá é de 109 mil pacientes que aguardam por procedimentos especializados. Destaco que o problema maior na questão do SUS não é o primeiro atendimento, o atendimento básico, aliás, o Programa Mais Médicos vem-se somar a um serviço que já está andando muito bem, que são os postos de saúde, as prefeituras, que estão realizando um bom atendimento, o grande problema é depois do atendimento básico.

A mulher que recebe o diagnóstico de um câncer de colo uterino e procura a especialidade, entra numa fila sem data para ser chamada. Quantos CA in situ do colo uterino poderiam ser resolvidos, ser evitados de se transformar em um câncer grande e levar a paciente a óbito se fosse feito a tempo? Então, o atendimento básico já está acontecendo razoavelmente bem, porque é feito pelas prefeituras. O que não funciona é justamente a resolução. Depois que o paciente sabe o que tem e vai tratar não consegue, porque essa parte do tratamento é que não está acontecendo. Por isso a fila em Joinville é de 109 mil para 31 municípios.

Se fizéssemos uma analogia no estado de Santa Catarina, que tem 295 municípios, veríamos que há pelo menos oito ou dez regionais como Joinville, e havendo essas regionais, podemos dizer que a fila de pacientes esperando está perto de um milhão de pessoas. A diferença é que as regiões de Araranguá e Criciúma não publicam no jornal como o jornal A Notícia. Os jornais de Florianópolis não publicam a fila que há aqui, assim como em Blumenau, Lages, Chapecó, São Miguel d'Oeste e de Joaçaba.

Mas, com certeza, se imaginarmos uma fila de pacientes esperando por atendimento, daria uma distância domo daqui, deputado Maurício Eskudlark, até São Miguel d'Oeste, e talvez entrasse na Argentina pelo número de pacientes que estava aguardando tratamento.

Mas hoje me chamou a atenção quanto ao fato de que está sendo feito um acordo entre a Saúde e o Ministério Público com relação à publicação da listagem dos pacientes que estão aguardando. E essa listagem que de certa maneira o Ministério Público quer colocar, e a intenção é boa, porque com isso quer divulgar que a fila está diminuindo, mas não podemos incorrer ao erro de que esses pacientes têm que seguir essa ordem.

Então, os pacientes que estão nessa fila, se eles tiverem que ser atendidos na ordem, as pessoas de Joinville não poderão ser atendidas em Blumenau, em Florianópolis, em Brusque ou em qualquer outro lugar.

Assim sendo, de início a listagem e a sequência do atendimento daquela ordem pode parecer boa, mas na prática, infelizmente, vai acabar prejudicando ainda mais o atendimento daqueles pacientes que são carentes.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)