Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

96ª Sessão Ordinária - 28/10/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, sr. presidente, quero cumprimentar os demais deputados, as sras. deputadas, quem nos acompanha aqui presente nesta sessão e também através dos meios de comunicação da Assembleia Legislativa.

Queria também aproveitar o silêncio, pelo menos momentâneo, nesta tarde de terça-feira, aqui neste Plenário, para falar um pouco desta campanha eleitoral, especificamente sobre o segundo turno. Todos puderam acompanhar que aqui mesmo desta tribuna expressei há duas semanas o meu voto e a nossa posição de apoio a Dilma Rousseff com o objetivo também de derrotar a outra candidatura concorrente. E gostaria de registrar que o fizemos, melhor dizendo, de forma coletiva, em nome do comunista Paulo César Prestes, mas também por convicção deste deputado, deste militante, justamente no momento em que Aécio aparecia nas pesquisas nacionais à frente de Dilma Rousseff. Portanto, sentimo-nos também o dever da tomada de posição e da sua devida publicação.

E nós que vivemos e militamos na década de 1990, sabemos das enormes dificuldades, da enorme taxa de desemprego de uma nação cuja economia está vinculada aos interesses dos monopólios situados ao norte do mundo, uma política vinculada mais aos interesses econômicos dos monopólios e do imperialismo americano e europeu em detrimento de uma política, pelo menos, mais autônoma e mais soberana por parte da nação brasileira e também, ao contrário, de uma relação mais horizontal entre os vizinhos do sul, aqui mesmo na própria América do Sul e também na África e na Ásia.

Então, tínhamos elementos relativamente importantes para uma tomada de decisão em favor de Dilma Rousseff e contra, portanto, a Aécio. No entanto, queremos registrar aquela manifestação evidente que nos rendeu críticas aqui no estado de Santa Catarina onde o Aécio teve a maior proporção de votos de todos os estados da federação. E eu soube, hoje, pelos jornais, que rendeu críticas, inclusive, ao governador Raimundo Colombo, embora eu estivesse achando que só a minha manifestação tinha gerado críticas, mas fomos criticados e é importante também compreender os motivos dessa crítica.

Temos feito esse debate nos espaços e, principalmente, nas redes sociais onde temos maior presença.

Trago também a esta tribuna alguns elementos importantes desse debate e do nível do objetivo do apoio. O objetivo já é o manifestado: evitar um retrocesso. Achamos que mudança não é a mesma coisa que retrocesso. São duas coisas bastante distintas, e 12 anos de história que o Partido dos Trabalhadores e aliados estão governando o Brasil não devem ser suficientes para fazer com que esqueçamos o que vivemos no passado. Evidentemente estamos falando de dois projetos hegemonizados pelo PT e pelo PSDB dentro do arco da proposta capitalista de organização da sociedade. Dois blocos de organização política representativa de setores econômicos vinculados à livre iniciativa e à economia de mercado. E esse registro é preciso ser feito para ficar claro que nós nunca tivemos e não temos a ilusão de que há uma proposta socialista de um lado e uma proposta capitalista do outro. Não! Não é esse o reflexo dos governos dirigidos ou protagonizado pelo Partido dos Trabalhadores. Nós estamos falando de duas propostas capitalistas, inclusive no próprio debate da última sexta-feira quando o Aécio falou do investimento em Cuba a Dilma fez questão de dizer e de repetir que era para o bem de uma empresa brasileira que, na verdade, é um monopólio brasileiro, de uma empreiteira brasileira que está investindo, está explorando o povo cubano.

E de tanto Dilma Rousseff repetir que era do interesse de uma empresa brasileira, quase que ela perde o meu voto. Ela me irritou de tanto repetir aquilo, porque na verdade é esse o fato. É essa a característica dos investimentos do Brasil em todos os países vizinhos, e não difere nada o investimento no porto cubano dos investimentos em outros países de outros continentes: o projeto de uma empresa, de um monopólio capitalista, indo lá tomar conta de um espaço de mercado.

Em Cuba não é diferente. Por que em Cuba dá uma gritaria maior? Por conta da questão ideológica anticomunista muitas vezes preconceituosa ou quase todas as vezes preconceituosa, raivosa e rancorosa. E por conta de que os Estados Unidos da América ninguém deve investir em Cuba.

Aliás, Cuba deve morrer à míngua segundo a concepção deles. E há um bloqueio histórico, quanto que é proibido um navio que aporte em Cuba aportar nos Estados Unidos nos seis meses consecutivos, o que indica mais ou menos uma intenção de bloqueio. Mas do ponto de vista econômico, na essência, o projeto não tem nada de diferente. O Brasil não doou nada para Cuba. O povo cubano vai pagar aqueles investimentos do governo federal em uma empresa brasileira.

Portanto, estamos falando de dois projetos apenas um pouco diferentes. Apenas um pouco! Também para combater a tese de que a presidente Rousseff é comunista e o projeto é comunista.

A Dilma fala da necessidade de reformas e cita a reforma política, inicialmente. E eu gostaria muito que ela tivesse capacidade de convencer, pelo menos o seu vice, porque no ano passado, depois das manifestações, ela já fez essa proposta.

No dia seguinte, o seu vice, homem forte no Congresso Nacional, veio a público dizer que discordava e a proposta voltou para a gaveta, se é que de fato tinha saído.

Então, existem forças dentro do próprio governo que compõe o governo federal dos últimos 12 anos. Mas eu não me iludo porque sei que se Aécio Neves tivesse ganhado a eleição, a maioria deles também iria apoiar o Aécio e fazer o mesmo tipo de pacto, o mesmo tipo de acordo. Eu citei três motivos pelos quais votaria em Dilma Rousseff, são eles: a ampliação dos Institutos Federais de Educação e Técnico Profissional, a criação da Universidade Federal da Fronteira Sul, sediada em Chapecó; e o programa Mais Médicos. Sei que o programa Mais Médicos é paliativo, mas deu nos dedos das corporações médicas, que não querem o progresso social, o progresso no sentido mais amplo da palavra, o acesso universal à saúde no nosso país. A Saúde está muito vinculada ao cifrão e aos negócios monetários do nosso país, e isso precisa ser combatido e não tem sido feito de forma suficiente. O programa Mais Médicos é apenas um recado, um paliativo, importante, mas é paliativo e todos nós sabemos disso.

Mas tem que haver a necessidade de se organizar as bases da sociedade para que se possa, de fato, construir uma perspectiva de soberania popular e restabelecer a vontade da sociedade, a vontade da maioria do nosso povo. Esta é a grande ausência e a necessidade nesse processo eleitoral e nos outros processos eleitorais também.

Eu quero apenas dizer que é preciso politizar ou repolitizar o debate no sentido bom da palavra política. Política no sentido da dedicação à sociedade com o único objetivo de contribuir para melhorar o futuro, resgatar a política e envolver as bases sãs de consciência da sociedade num processo para resgatar a soberania popular diante da situação lastimável em que se encontra.

E essa eleição, independentemente de quem vencesse, já estava comprometida desde o primeiro turno, pois nunca foi tão insignificante a vontade do povo e nunca foi tão forte o poderio econômico num processo eleitoral como foi esse. E essa reforma precisa ser feita imediatamente no Brasil, mas, infelizmente, o Congresso Nacional, na verdade...

(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)