106ª Sessão Ordinária - 05/10/1999
O SR. DEPUTADO JAIME DUARTE - Sr. Presidente e Srs. Deputados, gostaria de aproveitar o ensejo para fazer uma saudação ao ex-Deputado Raulino Rosskamp, de Joinville da minha terra, que passou por esta Casa com muita galhardia, que exerceu um mandato de excelente nível e que hoje retorna à Casa para esta sessão que teremos, nesta tarde histórica para Santa Catarina, em homenagem àqueles que construíram a história.
É importante entender que a história não começa conosco, que a vida é muito parecida com uma corrida de revezamento. A história construída é muita parecida com esse exemplo citado acima, porque muitos constróem a história até certo ponto e outros a continuam.
Queria aqui, de público, prestar uma homenagem ao sempre Deputado Raulino Rosskamp, em quem muito me espelhei na forma de agir e no mandato extremamente popular que exerceu aqui na Assembléia.
Aproveito também o ensejo para falar um pouco do meu Partido, o PPS. Fiz a opção de sair, em março deste ano, do PSDB e ingressar no PPS, num projeto de retorno, eu diria, até porque a minha vida inteira foi construída no campo da esquerda, na clandestinidade do PCB, com militância legal no PMDB. Tive uma passagem pelo PSDB e retornei ao PPS por entender que é o melhor projeto de País, de sociedade, além de nele me sentir bem melhor.
Retornei e, como dirigente partidário, uma das coisas que me satisfaz é ver o crescimento do Partido aqui em Santa Catarina. Sei que este é um assunto talvez de fórum interno do nosso Partido, mas como nesta Casa a representação é partidária e ninguém chegou aqui se não pelos seus próprios Partidos, creio que neste momento é salutar e interessante falar do nosso Partido, do processo de crescimento que ele sofreu em nível de Brasil e de Santa Catarina.
Em nível de Brasil, o Partido passou de um Senador para três Senadores, de três Deputados Federais para 12, de 21 Deputados Estaduais para 40, de 31 Prefeitos para 200, de 600 Vereadores para 1.500 e de 200 mil filiados para 300, representando um crescimento extremamente importante e marcante no Congresso Nacional.
Hoje, a Bancada, com 12 Deputados, significa uma presença forte na Câmara e, com certeza, poderá, pelo número e pela qualidade de seus membros, interferir nos bons projetos, nas boas discussões e nos bons encaminhamentos da política em nível nacional.
Aqui em Santa Catarina tivemos um crescimento muito grande também. Temos em Rio do Sul um Prefeito, cinco Vice-Prefeitos (tínhamos dois e passamos para cinco, e, diga-se de passagem, são Prefeitos de extrema qualidade, como as Vice-Prefeitas Maria Lúcia, de São Miguel d’Oeste, e Maria Dall Farra, de Criciúma), 30 Vereadores - não tínhamos nenhum em março - e saímos de cinco Comissões Provisórias para 83, no dia 30 de setembro. Tínhamos 1.500 filiados e hoje ultrapassamos 12.000 filiados no Estado.
Sem dúvida alguma esses números refletem que seremos, com certeza, enquanto Partido, protagonistas da história política de Santa Catarina com mais presença a partir de agora, a começar pela liderança nacional do ex-Ministro Ciro Gomes, com a garantia de que o Partido manterá a coerência ideológica com a presença do nosso Presidente Nacional, Senador Roberto Freire.
Eu queria colocar isso para V.Exas., no sentido de dizer que nós, enquanto Partido, estamos crescendo, e isso não é por acaso. Estamos crescendo porque há uma carência forte de um Partido, hoje, em linha de esquerda, democrático e propositivo, que não fique apenas apontando diagnósticos de problemas, porque diagnóstico é a primeira fase da cura. Mas só isso não basta, é preciso que apontemos os caminhos, os remédios da cura.
A nossa proposição, o nosso conteúdo programático, está na linha propositiva, na linha da responsabilidade com o País, pois entendo que o nosso Partido não é o dono da verdade, não tem a hegemonia da certeza em nada.
Nós sabemos que hoje, mais do que nunca, pela revolução técnico-científica que o mundo está vivendo, estamos muito na relatividade das coisas, e, como tal, o nosso Partido caminha nesse sentido, nesse crescimento fundamental em favor de Santa Catarina. E no ano que vem vamos ter a presença do nosso Partido no Município criando uma proposta de poder local, alternativo, viável, porque chega de pensar que é necessária a mudança de Ministro, de um Presidente, para encaminharmos soluções para o País. No Município é que nós temos de viabilizar essas mudanças.
Então, a visão do nosso Partido é que só iremos conseguir encaminhar as mudanças que precisamos neste País através de um poder local bem construído, mudancista, envolvente, de parceria com a sociedade, partindo do Município, da base. Por isso trabalhamos tanto nesses últimos meses para viabilizar não um projeto eleitoral simplesmente, mas um projeto de poder conseqüente, de sociedade que queremos ver construída.
Enfim, o nosso Partido, o PPS, está presente e quer construir um projeto responsável, uma sociedade diferente, com menos injustiça ou sem nenhuma injustiça, com mais igualdade social, com mais humanidade, eu diria, nas ações administrativas, porque não há ideologia nenhuma que seja justa se não for calcada no humanismo.
É nesta base que o PPS caminha.
Era isto, Srs. Deputados.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)