102ª Sessão Ordinária - 28/09/1999
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo esta tribuna, hoje, para falar sobre um tema que tenho discutido muito aqui nesta Casa, que envolve toda a situação que vivemos em nosso País.
Tenho conversado com as pessoas na minha base eleitoral, na região Sul do Estado, e tenho recebido visitas aqui de pessoas que nem conheço, muitas vezes, que estão em busca de amparo e de alguém para lhes dar uma solução para as suas vidas, e chego à conclusão, por tudo isso, que a população do Brasil está desanimada, sem esperanças. E tenho percebido isso também no meio dos próprios Deputados desta Casa, onde há estabilidade de ganhos, embora não sejam grandes salários, pelo menos nos próximos três anos e meio.
Mas vejo um País com desempregados, que estão muito desesperançosos. E falo aqui também daquele que já foi empregado e que não consegue uma nova colocação e do empregado que teve o seu salário rebaixado pela primeira vez na história do Brasil, porque para acabar com a inflação, manteve-se neste País os salários, e até hoje vemos nos jornais os juízes, o Poder Judiciário falando em greve!
Que situação podemos dizer que estamos vivendo neste País, quando a classe média, as pessoas que podem considerar-se privilegiadas pelo Estado reclamam da sua situação?!
Mas aquela pessoa de classe média, o trabalhador de classe média baixa, o operário brasileiro, que está com o mesmo salário desde 1994, tem que pagar os seus encargos com aumento, como a água, o telefone, a luz, o gás de cozinha, o combustível, os impostos, a comida, aquilo que é básico, que tem um custo fixo. E não podemos dizer que não vamos comprar, que no final do mês não vamos pagar esses encargos!
Então, existe desesperança até dos que estão empregados. E o que vamos dizer daquele que nunca conseguiu emprego?! Ou daquele jovem que entrou no mercado de trabalho nos últimos quatro anos e não conseguiu um posto de trabalho, que está estudando, que se está preparando ou que quer ocupar o espaço no mercado de trabalho e não vê perspectiva?!
O que vamos dizer do aposentado, que tem uma remuneração, mas que viu descontado um valor do seu "aposento" e que tudo aumentou, principalmente os remédios, pois é o que mais consome?! Porque os remédios aumentaram de forma descomunal, desproporcional em relação ao aumento salarial.
Nós falamos, aqui, dos operários, dos empregados, das pessoas de menor poder aquisitivo. Agora, vamos falar da classe produtiva, que usa o seu capital para produzir, do micro, do pequeno e do médio empresário, que não têm esperança que mude a sua situação.
Eu sou filho de um pequeno empresário, um pequeno comerciante, até posso dizer, pelo tamanho da minha cidade, de um médio comerciante, que tem 69 anos de idade, e ele me disse que nunca viu uma crise tão difícil como esta, apesar de não ter mais filhos pequenos para sustentar, é só ele e a minha mãe. É um comerciante que procura levar a sua vida de forma decente e digna, mas está encontrando muita dificuldade e entristece-se quando vê os negócios dos seus amigos, dos colegas de trabalho quebrarem, empresas que tinham mais de 50 anos.
Hoje mesmo eu falava com um empresário de transporte de cargas - ele tem quatro carretas e transporta pisos, azulejos e cerâmicas da nossa região -, que estava muito desesperançoso e que me dizia que este País era uma porcaria, que tinha vontade de ir embora. Ora, um empresário dizendo isso, é porque as coisas estão más mesmo! E assim estão também os jovens!
E uma pessoa do seu Partido, Deputado Onofre Santo Agostini, que foi Vereador na última eleição, foi embora para os Estados Unidos para que a sua vida melhorasse. E melhorou, porque lá ele trabalha como pedreiro e diz que ganha o que nunca ganhou nem como assessor parlamentar que foi nesta Casa. Agora, ele tem esperança, tem um projeto de futuro para si e para a sua família. Aqui, ele vivia com problemas com a sua mulher, mas lá está vivendo maravilhosamente bem porque existe um equilíbrio financeiro, e há uma esperança de um futuro melhor, porque sabe que trabalhando vai alcançar o que almeja.
Então, o que nós, políticos, Parlamentares - nem falo do Governo Federal porque esse já está com 69% de reprovação e o povo não tem mais esperança - que fomos eleitos, seja lá de que cor partidária, temos que fazer? Porque o Executivo foi eleito pela confiança do povo, na esperança de apresentar uma proposta para Santa Catarina, para os trabalhadores catarinenses, para os nossos filhos, para todos nós, enfim.
Nós precisamos, Srs. Deputados, acordar, ser criativos, sair do tradicional para encontrarmos um caminho, uma alternativa, uma solução ou, pelo menos, uma luz no fim do túnel. É bem verdade que com muito sacrifício, com muito trabalho, mas que o sacrifício por pior que seja apresente uma solução uma esperança para o nosso povo.
Este é um desafio que faço, que levanto aqui para os Parlamentares: que nos acordemos e demonstremos o nosso trabalho vindo a esta Casa, não a deixando vazia como está ficando nos dias que não tem votação importante, para que o povo de Santa Catarina continue tendo esperança em nós na busca de soluções, alternativas de trabalho e de renda aqui no Estado.
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Pois não!
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Nobre Deputado, V.Exa. tem toda razão. O que é mais constrangedor é o índice de desemprego.
Antes de descer para o Plenário, recebi um telefonema de uma senhora do Município da minha terra, de Navegantes, que me dizia aos prantos que estava passando fome com o marido e com os filhos - todos estavam desempregados e não conseguiam arrumar emprego - e pedia-me, pelo amor de Deus, que eu a ajudasse.
Deputado Ronaldo Benedet, eu recebo no gabinete, em média, cem pessoas por semana do interior, e desses cem que me procuram, noventa vêm pedir emprego. Não sei até onde nós, Parlamentares, podemos ir, pois não temos a caneta na mão, não podemos arrumar emprego para ninguém, mas podemos indicar daqui ou dali.
Mas V.Exa. tem razão e comungo com o seu pensamento, no sentido de que alguma coisa tem de ser feita, antes que seja tarde demais, pois é, realmente, constrangedora a situação do desemprego no Brasil. Na minha terra, que é uma terra agrícola, na terra de V.Exa., em qualquer lugar, a situação é dramática. Todas as Prefeituras estão à beira da falência, sem exceção: grandes, pequenas, médias, por causa desses encargos da municipalização e de uma série de coisas.
Então, quero colocar-me à disposição de V.Exa. para, juntos, acharmos um caminho para minimizar o sofrimento do povo catarinense. EV.Exa. terá um aliado, sem dúvida, porque a sua colocação é preocupante.
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Agradeço a V.Exa. o seu aparte, nobre Deputado.
Farei um pronunciamento em breve, e, se for possível, amanhã. E o meu próximo passo será no sentido de encontrarmos alternativas de pouco investimento, apresentando propostas para esta Casa a ser encaminhadas ao Governo, para que possamos, de forma integrada - o Poder Público e a sociedade civil - encontrar uma esperança e uma salvação para o povo de Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)