Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

97ª Sessão Ordinária - 06/12/2001

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assisti, através da TVAL, o pronunciamento da Deputada Ideli Salvatti, e confesso que me causa estranheza a Parlamentar novamente ocupar esta tribuna para tentar desvirtuar as últimas notícias, não trazendo nenhuma explicação sobre as denúncias da má gestão do dinheiro público, de corrupção, de desvios praticados pelas administrações do PT.

É interessante, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que qualquer denúncia, qualquer informação, qualquer ação promovida contra uma administração do PT é golpe; qualquer informação nessa direção é uma orquestração, é uma armação e parece-me que eles continuam querendo passar a máxima, querendo afirmar que estão acima do bem e do mal, que são quase santos ou semideuses imunes à corrupção.

No entanto, não é isso que temos acompanhado através da ação firme do Ministério Público de Santa Catarina, do Ministério Público de outros Estados, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores. Somente as ações contra administrações do PPB, do PFL, do PSDB, do PMDB e de outros Partidos têm cunho de verdade, são procedentes. Aquelas denúncias, Sr. Presidente, apresentadas contra as administrações do PT, insiste a Deputada Ideli Salvatti e insistem os Parlamentares do PT, são orquestrações.

Mas até quando será que eles pensam que vão continuar com esse discurso moralista, que na prática não confere, não tem nada de verdadeiro, não se sustenta?!

Eu não ouvi nenhuma manifestação da Deputada Ideli Salvatti acerca da decisão da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul com relação à CPI que acabou por expor o PC Farias, do Rio Grande do Sul, o tal Diógenes que virou Cristo.

E vou fazer, no horário de Explicação Pessoal, o registro de um artigo publicado, nesta semana, no jornal Zero Hora, que é, no mínimo, intrigante. Mas não há nenhuma defesa. Quando houve uma tentativa de defesa na semana passada, foi nítida a falta de jeito dos Deputados do PT para fazer essa defesa dos seus Prefeitos.

Não podemos continuar, Sr. Presidente e Srs. Deputados, ouvindo esses pronunciamentos sem que haja uma resposta. Não podemos permitir que se tente enganar a população o tempo todo. As ações impetradas contra as administrações do PT estão pipocando por este País afora; as ações nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e nas Prefeituras de Santa Catarina começam a pipocar nos Tribunais, no Ministério Público, nas Câmaras de Vereadores e não vem para esta tribuna nenhuma defesa consistente e nenhuma defesa que possa, efetivamente, comprovar esse discurso fácil que eles estão usando para confundir de que isso tudo é orquestração.

É preciso que o PT, de uma vez por todas, reconheça que o Partido não é composto por semideuses. É preciso que haja esse reconhecimento de que o Partido é composto por seres humanos passíveis de erro. Mas eles insistem em afirmar que estão acima do bem e do mal, insistem em afirmar que isso tudo é orquestração.

Ora, a população está lendo, está assistindo, está ouvindo e sabe que há uma divergência muito grande entre o discurso e a prática adotada pelo Partido dos Trabalhadores.

Nesta Assembléia, o discurso é um; lá nas administrações, em Blumenau, em Gaspar, em Rio do Sul, em Chapecó, em Criciúma e por aí afora o comportamento é muito diferente, é muito divergente e é antagônico.

Mas vou voltar à tribuna para registrar um artigo publicado no jornal Zero Hora da semana passada que, com certeza, vai fazer com que o cidadão possa cada vez mais comparar essa divergência monstruosa entre o discurso e a prática do Partido dos Trabalhadores.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)