33ª Sessão Ordinária - 10/05/2000
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente e Srs. Deputados, demais pessoas e imprensa, vou tomar apenas a metade do tempo destinado ao PFL e a outra metade fica por conta do Deputado Onofre Santo Agostini.
Gostaria de deixar registrado, nesta Casa, que é pública e notória a preocupação que tenho como elemento ligado à imprensa, principalmente à minha região, onde me conhecem através de meus programas de rádio e de televisão.
Esta preocupação que trago é muito mais profunda e muito mais abrangente do que poderíamos pensar ou imaginar, e diz respeito à nossa cultura, aos nossos hábitos, às nossas ações em nosso território, em nosso Estado.
Vou explicar melhor: estamos recebendo uma verdadeira invasão de antenas parabólicas, não só aqui como em todo o País; estamos recebendo também a modernidade dos sistemas de TV a Cabo e o nosso povão, impossibilitado de ter acesso a esse sistema, principalmente da periferia, os nossos amigos da zona rural, que antes com antenas altas ou com algum sacrifício conseguiam obter informações de acontecimentos que dizem respeito à sua região ou à sua comunidade, está recebendo, na verdade, uma carga de informações em nível nacional, porque as antenas parabólicas captam a programação nacional em detrimento à programação regional e estadual.
Da forma como as coisas estão indo, estão prosperando, não levará muito tempo para as nossas culturas e os nossos hábitos serem mudados também. Acabaremos perdendo os nossos valores locais por falta de informações da nossa região e da nossa localidade.
Isso me preocupa, Sr. Presidente, não só como elemento de imprensa, mas também como Parlamentar, porque não levará muito tempo para nós termos, como já disse, os nossos próprios hábitos esquecidos. E há que se ter alguma alternativa para essas famigeradas antenas parabólicas, para que possamos captar também as programações regionais e locais, senão não levará muito tempo para os próprios Parlamentares, quando forem dar as suas explicações em programas jornalísticos de seu Estado, não estarão mais sendo captados pelas antenas parabólicas, na grande maioria dos lares do nosso Estado, que captam as informações de São Paulo, do Rio de Janeiro e dos acontecimentos que lá se dão e não os daqui...
Quero registrar também a minha preocupação e da imprensa com relação à Polícia Militar e à Polícia Rodoviária do Estado. Por ordem do Comandante da Polícia Militar, foi baixada uma norma para que os Boletins de Ocorrência Rodoviária só saiam com o nome ou com as iniciais das pessoas envolvidas em acidentes. E isso está atravancando a vida da imprensa como um todo, não só a imprensa falada, como a escrita, a televisada, que recebe esses boletins. É uma situação realmente difícil.
E a imprensa está pesquisando para tentar encontrar, em algum lugar, o nome do falecido. É, realmente, um complicador! Embora tenhamos já feito apelo através de requerimento, através de ofício, através de telefonemas e até mesmo pessoalmente ao Sr. Comandante, ele se mostra irredutível em relação a essa questão.
Essas duas coisas considero bastante importante, principalmente o que falei com relação à antena parabólica. Daqui a algum tempo as questões de Santa Catarina não serão mais ouvidas pelos nossos catarinenses; eles estarão ouvindo os Parlamentares e os acontecimentos de outros Estados.
Era isso o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)