Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

3ª Sessão Ordinária - 13/02/2007

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, surpreendi-me, hoje, porque vi de alguns deputados governistas uma reação nervosa aqui nesta Casa. Não sei se as coisas não caminham bem na partilha dos cargos, mas há uma certa aflição e percebe-se que são muitas as inquietações que os deputados da base do governo deixam transparecer. Talvez seja porque as fatias do bolo estejam ficando pequenas demais, transformando-se em migalhas. E os compromissos certamente são muitos. Ter uma maioria tão grande é bom, mas também tem o seu custo. Mas o fato é que a gritaria parece que vai ser uma das armas que os governistas pretendem utilizar.

Deputado Piriquito, eu tenho por v.exa. um profundo respeito, mas vou invocar aqui o sempre deputado Jorge Gonçalves, que foi um velho militante do PMDB e conquistou diversos mandatos. E este Poder adota uma máxima de autoria dele: aqui nesta Casa, deputado Piriquito, podem chegar ignorantes, mas burros não chegam! Essa era a máxima do deputado Jorge Gonçalves.

Quero dizer que não é na gritaria que os deputados governistas vão tentar explicar a ineficiência, a incompetência do governo. Vou repetir mais uma vez: desçam do palanque! O atual governo, deputado Sílvio Dreveck, adentra no seu quinto ano, e os discursos continuam sendo de um time de Oposição. Aliás, essa tem sido a prática do PMDB, e com o governo federal é a mesma coisa. O PMDB é governo federal desde o fim da ditadura. Foi governo federal com o Sarney, com o Collor, com o Itamar e com o Fernando Henrique, duas vezes. Com o presidente Lula, também duas vezes. E muitos ainda insistem em fazer discurso de Oposição.

Deputado Edson Piriquito, o seu partido já está no governo há cinco anos. O que fizeram, o que fez v.exa., que é um líder tão ouvido dentro do PMDB, para ajudar a reduzir a "ambulancioterapia"?

Agora o vice-governador, Leonel Pavan, é da sua cidade. V.Exa. tem mais força agora, pois tem o Pavan para ajudar! Converse com ele, peça para ele ajudar! V.Exa. e o Pavan agora têm que se unir, pois v.exa. tem mandato aqui e o Pavan é vice-governador! São duas forças lá de Balneário Camboriú para pedir para o governador Luiz Henrique da Silveira cumprir o compromisso de campanha lá de 2002, quando ele desfilava com aquela ambulanciazinha de plástico em cima do mapa dizendo que ia acabar com a "ambulancioterapia". Foi ele quem prometeu! V.Exa. nunca ouviu o Amin dizer que acabaria com a "ambulancioterapia", nem agora nessa campanha. Ele chegou a dizer que não ia prometer porque quem prometeu não cumpriu, quem prometeu enganou.

Agora vem v.exa. dizer que não podemos reclamar, que temos que achar uma solução! Renunciem ao governo que iremos achar uma solução! Ora, v.exas. estão sendo bem pagos no governo para isso, ou seja, para resolver os problemas, mas se não têm competência para resolvê-los, desembarquem, voltem para a Oposição, pois o discurso de v.exas. continua sendo de Oposição, deputado Piriquito! V.Exas. são governo para resolver! Já estão entrando no quinto ano sem solução. A "ambulancioterapia" está aumentando e a "vanterapia" é uma inovação deste governo, assim como a "onibusterapia"!

Aí quando ocorre o que ocorreu, querem atribuir a culpa ao pobre motorista cansado, muitas vezes viajando por 13, 14 ou até 15 horas por dia. E aqueles pacientes saem do extremo-oeste, lá onde o governo soltou um monte de foguetes, fez um monte de churrascadas, assassinou inúmeras vacas para anunciar o tal Hospital Regional do Extremo-Oeste. E lá há meia dúzia de estacas fincadas há cinco anos e nada de obra!

Deputado Piriquito, solução tem! Tenha v.exa. a coragem de propor aqui, na reforma administrativa, o fim do cabide de emprego das regionais e a destinação desse dinheiro para levar serviços de média e de alta complexidade em saúde para as diversas regiões do estado, que vai sobrar dinheiro! Em Santa Catarina, no governo de Esperidião Amin, havia um secretário da Saúde; agora há 46 ganhando salários e a "ambulancioterapia", aumentando; a "vanterapia", sendo inaugurada; e a "onibusterapia", ganhando cada vez mais asfalto. Esta é a diferença!

O discurso da descentralização... E aí eles insistem em dizer que o povo aprovou a descentralização! O povo nem sabe o que é isso! O povo deu a vitória por conta de um mega ajuntamento político que foi feito, uma campanha com custos oficiais de quase R$ 20 milhões, a mais cara do Brasil, eu não tenho dúvida! E v.exas. sabem que isso é só o oficial, o extra-oficial cada um sabe. O oficial foi uma campanha milionária que nenhum estado viu igual. Por isso ganharam a eleição. E vejam: v.exas. diziam que iriam ganhar a eleição com um milhão de votos. Primeiro iam ganhar com um milhão de votos, baixou para 500 mil e não chegou a 200 mil. Tanto que as comemorações foram muito silenciosas, não foram barulhentas. Ganharam e não se questiona, agora com um número muito aquém do que imaginavam. Com um mega ajuntamento como esse, uma campanha multimilionária e ganhar a eleição com menos de 3% de diferença, tem que ser ruinzinho no governo!

O partido pequenininho, como v.exas. costumam afirmar, deu um tremendo susto. Sem dinheiro, sem estrutura, sem horário de televisão, sem 35 escritórios políticos, comitês eleitorais... Porque é para isso que as regionais servem! Elas são comitês políticos do PMDB e do governo. O serviço não chegou lá na ponta, deputado Sílvio Dreveck, e está aí a prova: são mais de 30 escolas interditadas no estado. Para que regional, se existia o Crea para reformar a escolas?

Na minha região, não há uma placa de inauguração deste governo, e sexta-feira as máquinas, deputado Manoel Mota, de Jaguaruna a Camacho foram retiradas, sob o protesto de mais de mil pessoas. Interditaram aquela obra que estava por quase quatro anos em execução, e sem nenhum quilômetro de asfalto concluído ainda, deputado Sílvio Dreveck.

Isso é descentralizar? Descentralizaram o cargo, descentralizaram o emprego para o cabo eleitoral; é assim que está sendo a disputa. Deputado Sílvio Dreveck, a disputa pelo preenchimento dos cargos está sendo com o olho em quem vai ser candidato a prefeito no ano que vem, em quem vai ser candidato a deputado em 2010. Nós dizíamos que isso era, além de cabide de empregos, usina de candidatos. E vimos isso na eleição. Há secretaria regional que em quatro anos teve cinco secretários para projetar, para dividir o salariozinho, para pôr cada um na vitrine um pouco. E a disputa agora está sendo com esse critério: quem vai ser candidato a prefeito no próximo ano?

Mas eu vou fazer uma proposta: se isso não for cabide de empregos nem usina de candidatos, vamos aproveitar a 20ª reforma que vai ser feita, a lei que criou a nova estrutura administrativa, e colocar lá um artigo proibindo que os secretários regionais sejam candidatos a prefeito no próximo ano. Eu garanto que isso vai resolver mais da metade dos problemas que devem rondar a cabeça de muitos dos srs. deputados.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)