74ª Sessão Ordinária - 21/07/2010
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Sr. presidente, da mesma maneira como fizeram v.exa. e o deputado Joares Ponticelli, também quero saudar, de maneira toda especial, o nosso quase novamente deputado Antônio Carlos Vieira, ex-secretário da Fazenda. E gostaria de dizer-lhe que, com certeza, o Parlamento sente falta do conhecimento fazendário que sempre trouxe ao debate nesta tribuna.
Portanto, com certeza, seja bem-vindo novamente a esta Casa!
Quero também fazer uma saudação toda especial aos alunos da Udesc de Balneário Camboriú, que estão aqui comandados pelo nosso querido amigo Índio da Silva - o PSDB também tem um índio -, uma liderança da nossa região e aluno da Udesc. Ele, que está aqui com os demais alunos, veio fazer uma visita ao nosso gabinete.
Mas, também como os deputados Valdir Cobalchini, Ronaldo Benedet e Elizeu Mattos, assomo à tribuna, hoje, porque quero fazer o bom debate, quero que as pessoas que ocupam a tribuna, ou que se manifestam neste período eleitoral, façam-no de uma maneira muito correta e honesta, mesmo que muitas vezes a crítica seja doída. Mas a crítica, quando é construtiva, tem que ser bem-vinda.
E também quero falar das verdades, e não das meias verdades que se têm colocado no período eleitoral que estamos vivendo.
Eu trouxe, ontem, nesta tribuna, este debate e também a opinião do jornal A Notícia, em que ele fala da preocupação com a Saúde. Diz o jornal, e não sou eu que estou dizendo, que se a pesquisa da prioridade dos catarinenses fosse feita em Joinville, com certeza caberia muito bem o resultado daquela pesquisa apresentada.
Também no Orçamento Participativo Regionalizado do município de Joinville, a maior preocupação é com saúde pública.
Eu tenho em mãos alguns jornais de hoje. Novamente trago o jornal AN.Joinville, que diz o seguinte: "Saúde pública - Menos atendimentos em posto". O jornal Diário Catarinense diz o seguinte: "Saúde em Blumenau - Atendimento prejudicado no Médio Vale".
E trago uma notícia muito triste que chocou todos nós, da região do deputado Elizeu Mattos, que diz o seguinte: "Idoso irritado atira e mata". Isso porque não estava satisfeito com o posto de saúde onde foi atendido. Se não me engano, foi no município de Correia Pinto.
Lendo essas notícias da saúde, com certeza a percepção da população catarinense é de que realmente há problemas nos postos de saúde, ou nos atendimentos ou nos exames.
Agora, eu faço uma pergunta, sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados: se aos problemas que temos, hoje, nos municípios catarinenses pode ser colocada culpa ou no ministério da Saúde ou na secretaria de estado da Saúde, sendo que somos divididos em entes federativos de gestão, cada um na sua responsabilidade, município, estado e União?
Daqui a pouco falta um médico em Blumenau e, nesse momento político, aponta-se como se o governo do estado, o ex-governador Luiz Henrique, fosse o responsável.
O deputado Silvio Dreveck, que já foi secretário da Saúde, já foi um sofredor como todos nós, sabe das dificuldades que temos. Mas o debate, nesse momento, até para não deseducar, tem que ser muito honesto quando apontamos o dedo. Não adianta apontar o dedo com palavras; temos que apontá-lo com números, com fatos, com obras que não foram feitas ou que foram feitas de maneira equivocada, ou com ações de credenciamento de alta complexidade, de média complexidade, em saúde pública.
Nesse momento do acirramento do debate, eu quero aqui isentar... E não vou apontar o dedo para ninguém no sentido político-partidário, porque respeito tanto a candidata do Partido dos Trabalhadores como a candidata do Partido Progressista, duas mulheres de fibra, de valor, que merecem, sim, todo o nosso respeito pela luta política na qual estão engajadas. São pessoas que já deram muito de si para contribuir para o crescimento dos catarinenses. Mas não posso deixar de ficar sem resposta àquilo que não concordo ou àquilo que acredito não ser verdade.
Muito se falou aqui de aumentar o atendimento em alta complexidade para o interior do estado. Aí também se diz que não há dinheiro para isso tudo. E muito se diz também que há falta de leito no interior do estado e excesso de leito em Florianópolis. Isto não é verdade!
Em primeiro lugar, o estado avançou muito na alta complexidade no interior do estado. O município de Porto União, que a deputada Professora Odete de Jesus conhece muito bem, hoje é uma referência no câncer. Itajaí, que é a minha região, hoje é uma referência no câncer. Criciúma, hoje, avançou muito nos leitos de UTI neonatal. E preocupa-me quando leio matérias dizendo que temos que avançar com leitos para o interior do estado, que estão deficientes. Mas, ao mesmo tempo, as matérias também dizem que não há dinheiro para credenciar tratamentos de alta complexidade no interior do estado. Ora, há uma simples contradição nisso. Querem mais leitos, mas não há oferta de serviço.
Confesso às sras. deputadas e aos srs. deputados que houve um equívoco por parte da assessoria ao informar aos candidatos a governo do estado. Foi dito que o pior índice de leitos é no meio-oeste e no extremo oeste. Mas isso não é verdade.
Eu tenho aqui os números do Conselho Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Realmente, deputado Silvio Dreveck, o maior problema da falta de leitos é no norte do estado. Mas no meio-oeste e no oeste nós estamos, praticamente, com 2,58, e dentro da Portaria GM/MS 1101 de 12/06/02 é de 2,5 a 3 leitos por habitante. Esses são números oficiais! Não sou eu que estou dizendo, porque faço parte de um partido que não faz parte da coligação ou porque fui secretário de estado da Saúde.
Então, sr. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, quero um debate honesto nesta tribuna e um debate honesto na entrevistas, porque eu também tentei ajudar a construir o SUS neste estado.
Com certeza, sr. presidente, não tenho dúvidas de que os candidatos, mesmo sendo de Oposição, estão bem intencionados com relação à saúde pública. Mas, com certeza, eles têm que se assessorar melhor. Os seus assessores têm que passar informações corretas para termos um bom debate, porque a população não merece esse tipo de tratamento ou esse tipo de esperança que não se vai concretizar.
Por isso o debate e a crítica são importantes, mas a crítica honesta!
Muito obrigado, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)