2ª Sessão Ordinária - 04/02/2010
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Agradeço ao deputado Jailson Lima pelas palavras, um amigo, um companheiro, uma pessoa maravilhosa, a quem aprendi a admirar e respeitar, como todos desta Casa, pela sua competência, pela sua experiência, pela amizade quem tem com todos. E eu me alegro em fazer este pronunciamento sob a sua Presidência.
Srs. deputados e povo catarinense, quero manifestar-me sobre um assunto amplamente debatido, que é a questão da saúde. Quem já passou por um problema de saúde sabe o quanto é difícil, o quanto é sofrido ver um membro da família com um problema e não ter como o resolver; o quanto é problemático marcar um exame e obter o diagnóstico somente depois de seis ou sete meses. O deputado Jailson Lima é médico e sabe quanto uma dor de dente incomoda, quanto qualquer dor de barriga incomoda uma pessoa. E todos nós, independentemente de classe social, já passamos por algum problema de saúde.
Nas cidades que visitamos, mesmo onde o atendimento à saúde é satisfatório, quando o município assume a responsabilidade com a saúde ou quando o estado precisa intervir no atendimento à saúde, percebemos quanto ele é precário, quão é difícil solucionar esse problema, que é um dos mais graves para o cidadão.
Nós poderíamos, deputado Derli Rodrigues, ficar aqui o dia todo falando sobre esse problema, mostrando milhares de depoimentos, comprovando casos de irresponsabilidade de prefeitos, do governo do estado no tocante ao quesito saúde.
Foi divulgado no jornal de ontem que o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, de Lages, um hospital filantrópico, que vive de caridade, que vive da famigerada tabela do SUS, o único hospital de Lages que possui aparelho de raios X, a partir do dia 1º de fevereiro não atenderá mais os pacientes, a não ser aquelas pessoas que estejam internadas.
Para a história da saúde do nosso estado é mais um assunto deprimente. Uma cidade que arrecada aproximadamente R$ 18 milhões por mês, vê o seu prefeito, de maneira irresponsável, não liderar e nem ser o agente animador para que essas coisas não aconteçam.
O Hospital Seara do Bem só possui anestesista meio período. O paciente que precisar de uma cirurgia à tarde ou à noite não conseguirá ser atendido. E é o segundo hospital infantil do estado de Santa Catarina!
Então, o descaso com a saúde, deputado Elizeu Mattos, é muito grave, é gravíssimo. A secretária da Saúde, Carmem Zanotto, é lageana. Esperamos que ela consiga resolver os problemas, no mínimo, da sua cidade, que ela conhece de cadeira.
Nós colhemos nas ruas cinco depoimentos de pessoas que estão esperando exames há um ano, há dois e até três anos. Por isso acho que teremos que apelar ao Tribunal de Justiça, ao Ministério Público, para que haja, quem sabe, uma ação de guerra desses órgãos com relação à saúde.
Na área da saúde, deputado, a situação é triste. Não temos nada contra o estado, mas eu acompanho as necessidades da minha cidade e vejo que a situação é realmente triste. Pessoas morrem porque não têm atendimento. E há dinheiro! Para a reforma de hospital há dinheiro. A maternidade do hospital foi reformada, está muito bonita, está maravilhosa, mas não há o atendimento básico.
Vou exibir um vídeo e peço sua ajuda, deputado Antônio Aguiar, por ser médico, para aquilatar a gravidade do problema, a fim de que seja resolvido.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
Eu acho, srs. deputados, que só existe uma maneira de resolvermos isso - e já ocuparam a tribuna, deputado Sargento Amauri Soares, centenas de deputados: criar uma lei que obrigue o estado ou o município a fazer isso. Se não existir a força de uma lei, deputado Jailson Lima, que obrigue o prefeito a, num prazo máximo de 72 horas, contratar um exame - e eu quero fazer essa lei, a lei fila zero -, não conseguiremos dar jeito nisso, porque as coisas quando não são por bem, têm que ser por força da lei. Quando não existe a vontade política de resolver o problema social de um estado, de uma cidade, tem que existir a lei.
Então, conclamamos todos a acharmos uma solução, meus amigos, para esse problema gravíssimo, que é o atendimento, a consulta para um médico especialista ou um exame para diagnosticar uma possível doença.
O Sr. Deputado Antônio Aguiar - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Eu peço desculpa ao deputado Antônio Aguiar, porque não foi possível conceder um aparte a v.exa., mas é uma vergonha, é um sofrimento muito grande e nós, políticos....
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)