Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

106ª Sessão Ordinária - 30/11/2010

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, os jornais de hoje publicam o resultado do censo realizado em 2010, mostrando que em Santa Catarina somos 6,2 milhões de habitantes, a grande parte residindo nas áreas urbanas. O percentual de ocupação nas áreas urbanas é de quase 85%, o que corresponde a mais de 5,2 milhões, sendo que apenas um milhão reside nas áreas rurais.

Dentre aqueles que residem na área rural, boa parte é formada por pessoas que nasceram lá, que lá permaneceram, mas que já estão aposentadas. Como me disseram o sr. Ronald e a sra. Nadir, do município de São Joaquim, a população rural está envelhecendo, porque os mais jovens saem do interior justamente por não verem futuro se lá ficarem.

Há falta de investimentos, apesar de todo o esforço. Imaginem v.exas. que, se não fosse, nesses últimos oito anos, a descentralização que foi instituída e implantada pelo governador Luiz Henrique da Silveira, e apoiada por toda esta Casa... E através dessas Regionais fez-se chegar praticamente a todos os municípios de Santa Catarina inúmeros investimentos para tornar melhor a vida naquelas cidades.

Certamente, o lugar mais bonito que existe é aquele onde nascemos. E quando uma pessoa sai do seu lugar de origem, certamente é um grande trauma, pois ela deixa lá uma grande saudade ao ser obrigada a sair para buscar algo melhor. É uma saudade para ela, que sai, e uma dor para os pais, que veem os seus filhos terem que morar fora de casa para estudar. Ou depois, quando saem para estudar, já ficam morando longe, e a família, certamente, gostaria de tê-los morando junto dela.

Mas, mesmo com todo o esforço que existe por parte do governo de fazer esses investimentos, percebemos que, gradativamente, a população rural vem diminuindo drasticamente.

Por exemplo, em 1970, 45% da população eram rural e apenas 55% eram urbana. Em 2000, 81% moravam na área urbana e 19%, na área rural. Agora, praticamente 85% da população vivem na área urbana. E aquela população que está na área rural é formada por pais e avós, porque esses não quiseram vir para os centros maiores. E o interior está cada vez mais abandonado.

Neste final de semana, quando estive em Bom Jardim da Serra e São Joaquim, as pessoas pediram-me para que eu falar com o Deinfra com a finalidade de mandarem máquinas para arrumar as estradas, porque elas estão totalmente sem condições. São Joaquim é o maior município de Santa Catarina, com uma imensidão de quilômetros de estradas, e a população não tem como se deslocar. A maior solicitação dos joaquinenses é a recuperação das estradas. Inclusive, na época da colheita da maçã e da batata muitos produtores não conseguem vender os seus produtos por falta de estradas.

A segunda grande dificuldade é a qualidade e quantidade de energia elétrica que chegam nesses locais. O telefone e a internet são precários. Eles me disseram o seguinte: "Como é que os nossos filhos vão competir, daqui a dez anos, 15 anos, com aqueles que foram morar na periferia das cidades grandes"? E lá eles têm, pelo menos, essa infraestrutura um pouco melhor do que há no interior.

Se olharmos os dados do Censo 2010, veremos que há cidades que diminuíram de 15% a 20%, como: Presidente Castelo Branco, Galvão, Piratuba, Marema, Pedras Grandes, Frei Rogério, Caxambu do Sul, Anita Garibaldi, Santa Terezinha do Progresso e Paraíso.

Existem cidades que aumentaram muito, como: Porto Belo; Passo de Torres, que aumentou 50,7%; Balneário Gaivota, que aumentou 51,3%; Navegantes, que aumentou 54,1%; Balneário Piçarras, que aumentou 56,5%; Balneário Arroio do Silva, que aumentou 5,7%; Bombinhas, que aumentou 64,2%; Itapoá, que aumentou 67,2%; São João Batista, que aumentou 76,7%; e Itapema, que aumentou 77,1%.

Então, vejam que a partir de 2001 começou a descentralização do governo, com a intenção de levar os investimentos. E muitos investimentos foram feitos, sim, no interior de Santa Catarina.

E mesmo assim não se conseguiu conter de forma significativa a tal da litoralização. E justamente porque a periferia das cidades grandes, a favela das cidades grandes, ainda dá condição para o pai e a mãe darem uma esperança de um futuro melhor para o seu filho, porque a escola é melhor.

Em Botuverá, uma cidade que dista apenas 25 ou 30km de Brusque, as crianças embarcam no ônibus e, da hora que saem de casa até chegarem na escola, ficam mais de duas horas andando de ônibus - esse é tempo para ele dar uma volta no município inteiro até chegar à escola. Depois elas levam o mesmo tempo para voltarem para casa. As crianças ficam mais tempo dentro do ônibus empoeirado e barulhento do que na escola.

Nós estamos querendo que eles fiquem lá. Não há telefone, em alguns lugares não pega celular, não há internet, e daí os agricultores ficam totalmente isolados.

Então este, certamente, será o grande desafio que nós teremos nessa próxima década: fazer com que as pessoas que moram no interior possam ter o acesso à informação, à internet, ao telefone, à escola e ao médico, da mesma forma como chegam às pessoas...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)