108ª Sessão Ordinária - 29/11/2011
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito boa-tarde, sr. presidente, sra. deputada Angela Albino e srs. deputados.
Quero fazer um cumprimento muito especial aos servidores que se encontram nesta Casa. É pena que este plenário encontra-se vazio diante dessa luta tão justa, tão digna, que vocês têm feito durante muito tempo em nosso estado; é pena que alguns parlamentares não se encontrem aqui para recebê-los de forma respeitosa, como vocês merecem ser recebidos.
Também quero cumprimentar, em nome de todos vocês, a população de Blumenau que se faz aqui presente e os funcionários do Cedup, que estão nessa luta.
Quero dizer que o mais importante numa cidade não são as obras nem o planejamento das pessoas. O mais importante numa cidade são homens e mulheres que moram nela. É o dia a dia de um professor, de um servidor. Este, sim, precisa ser valorizado. Não daqui a 40 anos, 50 anos, mas agora, hoje, no momento em que exercitam o exercício da cidadania, o seu trabalho para atender à população do estado de Santa Catarina.
Então, a minha saudação, o meu respeito aos senhores e às senhoras que se fazem presentes nesta Casa.
Quero dizer também, srs. parlamentares, e peço até aos colegas deputados Volnei Morastoni e Neodi Saretta que me acudam se porventura a emoção tomar conta da minha voz, que hoje realmente o Partido dos Trabalhadores está de luto; a população de Chapecó e de Santa Catarina está de luto! Luto pelo assassinato do vereador Marcelino Chiarello, que foi brutalmente assassinado em sua casa, ontem, em Chapecó.
Ele, um professor da rede estadual de ensino, muitas vezes esteve nesta Casa, em assembleias gerais, defendendo o servidor público da educação e os servidores públicos de outras áreas. E foi, infelizmente, assassinado covardemente. Isso só pode ser obra de covardes!
Diante desse fato, solicito, sr. presidente, deputado Moacir Sopelsa, que seja feito um minuto de silêncio, neste Parlamento, em homenagem a esse professor, a esse servidor público do estado de Santa Catarina, a esse vereador do município de Chapecó, que teve a honra de participar do nosso partido.
(Palmas das galerias)
(Procede-se a um minuto de silêncio.)
Muito obrigada, sr. presidente.
Povo catarinense, querem calar-nos, mas para nos calar terão que nos matar. Foi isso que aconteceu com Marcelino Chiarello. Queriam calar esse vereador do município de Chapecó que fez denúncias gravíssimas contra várias coisas, principalmente do dinheiro público. Tivemos denúncias feitas por ele na cidade de Chapecó sobre o uso do dinheiro do Fundo Social do governo do estado de Santa Catarina.
Foi por isso que o mataram! Foi por isso que o calaram! Não arranjaram outro jeito, a não ser assassinando esse combativo professor, guerreiro, que teve a coragem de fazer várias denúncias.
(Passa a ler.)
"Os deputados Luciane Carminatti, Dirceu Dresch e Padre Pedro Baldissera estão acompanhando a família e as investigações sobre as circunstâncias desse assassinato.
Quero, neste momento de extrema dor, solidarizar-me com a família do vereador Marcelino Chiarello e com a deputada Luciane Carminatti, que foi vereadora ao lado dele na cidade de Chapecó.
Marcelino Chiarello nasceu em Caxambu do Sul, no dia 12 de setembro de 1969. Estudou no Seminário Diocesano de Chapecó. Além de professor de Filosofia e História da rede pública estadual, Marcelino sempre foi filiado ao Partido dos Trabalhadores, militante do sindicato dos professores e líder comunitário. Foi eleito vereador pela primeira vez no ano de 2004, sendo reeleito, pelo excelente trabalho realizado, no ano de 2008.
Nesses sete anos de mandato como vereador de Oposição, Marcelino Chiarello fez enfrentamentos políticos e denúncias de corrupção e de desvios de finalidades das ações públicas do governo municipal de Chapecó. Recentemente, com base nas suas denúncias, o Ministério Público afastou, pela segunda vez, do cargo de secretário Regional da Prefeitura de Chapecó, o vereador do PSD Dalmir Pelicioli, comprovando desvio de recursos de subvenções sociais às entidades comunitárias do município de Chapecó.
Segunda-feira, ontem, dia 28 de novembro, por volta do meio-dia, sua esposa, ao chegar do trabalho, encontrou-o enforcado na sua própria casa. Acionou a Polícia, e duas horas depois o delegado regional Alex Passos declarou não se tratar de um caso de suicídio, mas de homicídio, de assassinato.
A Polícia estadual e o médico perito declararam a causa da morte do vereador Marcelino Chiarello como homicídio. Foi estrangulado com afundamento no crânio, o que indica ter sido atingido na cabeça com um instrumento mecânico.
O autor ou autores desse crime tentaram simular suicídio por enforcamento dentro de sua casa, mas a Polícia logo percebeu, graças a Deus, que se tratava de um assassinato.
Em nota, a bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa manifesta seu pesar e solidariedade à família e aos amigos do vereador Marcelino Chiarello.
O companheiro Marcelino morreu denunciando a corrupção e o desvio de recursos públicos. Pai de um menino de dez anos, professor da rede estadual de ensino, vereador, militante social e político ativo, ele sempre combateu a injustiça e teve a ética como norte em seu trabalho legislativo e em sua postura como cidadão.
Marcelino deu sua vida à política e fez dela uma bandeira contra o desrespeito e o mau uso do dinheiro público.
O Sr. Deputado Neodi Saretta - V.Exa. me concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!
O Sr. Deputado Neodi Saretta - Deputada Ana Paula Lima, v.exa. faz uma fala importante de reflexão neste momento em que todos nós da sociedade catarinense estamos chocados com aquilo que aconteceu na tarde de ontem.
Tivemos também a oportunidade de conviver com o vereador Marcelino em diversas lutas sociais, sendo que a principal da qual tivemos a oportunidade de participar juntos foi a luta pela criação da Universidade Federal da Fronteira Sul, a nossa universidade que hoje tem sede e reitoria em Chapecó.
Um menino da origem dos movimentos sociais, dos movimentos cristãos, dos movimentos de igreja, que nos deixa, mais do que companheiros de partido e militantes políticos, como seres humanos, extremamente chocados. Mas esperamos que sejam elucidadas o quanto antes possível todas as circunstâncias dessa morte. E queremos deixar registrada, principalmente, a nossa dor, a nossa tristeza e a solidariedade a todos os amigos e familiares.
O Sr. Deputado Volnei Morastoni - V.Exa. me concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!
O Sr. Deputado Volnei Morastoni - Companheira deputada Ana Paula Lima, também quero me manifestar dizendo que devemos exigir do governo do estado, do sr. Governador, que determine toda celeridade, toda agilidade, para a apuração desse assassinato.
Não temos nenhuma dúvida de que se trata de um brutal assassinato, de um assassinato com requintes de brutalidade, tortura, inclusive foi verificado pelos técnicos que houve traumatismo crânioencefálico e outros dados importantes que as primeiras informações da perícia de medicina legal já mostraram.
Portanto, não se admite que nos dias de hoje as ideias sejam debatidas e defendidas; quem é a favor, quem é contra. Nós estamos em pleno regime democrático.
Sabemos que ele foi um combatente da época da política com P maiúsculo, do bem comum, e tombou combatendo a corrupção.
Por isso exigimos que seja feita essa apuração com imediatismo.
Muito obrigado!
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Srs. parlamentares, foi um covarde assassinato a um guerreiro, a um professor, a um homem que não teve medo de falar, de denunciar, de mostrar para a sociedade os desvios de recursos públicos no município de Chapecó, principalmente do Fundo Social.
Assim como ele que não se calou, nós, da bancada do Partido dos Trabalhadores da Assembleia Legislativa, não nos vamos calar diante dessa situação.
Deputado Neodi Saretta, deputado Volnei Morastoni, deputada Angela Albino, neste momento, em Chapecó, a Polícia Federal ou a Polícia estadual vai descobrir quem é o autor ou os autores desse brutal assassinato.
Muito obrigada, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)